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Thursday, October 22, 2026

Alceu Valença leva a turnê ’80 Girassóis’ à Europa: ‘Toda vez que subo no palco parece ser a primeira vez’

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Aos 80 anos, cantor e compositor pernambucano apresenta o mesmo espetáculo que percorreu o Brasil, fala sobre vitalidade no palco, inspiração para compor e o reencontro de diferentes gerações com sua música

Redação

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Alceu Valença
Alceu Valença (Foto: Divulgação)

Alceu Valença prepara as malas para atravessar o Atlântico com a turnê “80 Girassóis”. Depois de passar pelo Brasil, o espetáculo chega à Europa para uma série de 12 apresentações em nove países: Irlanda, Portugal, Holanda, Bélgica, Inglaterra, França, Suíça, Alemanha e Noruega. A turnê começa no dia 28 de outubro e segue até 15 de novembro.

A proposta é levar ao público europeu o mesmo show apresentado no Brasil, mantendo a estrutura e a concepção do espetáculo. “A turnê já aconteceu no Brasil e agora vamos fazer a Europa. Será o mesmo show com a mesma estrutura”, explicou o artista.

Um dos elementos da apresentação são as projeções utilizadas no palco, que dialogam com a trajetória do cantor e ajudam a construir a narrativa visual do espetáculo. Para compor esse material, Alceu recorreu a registros pessoais guardados ao longo de sua vida. “Para as projeções de palco usei o meu acervo pessoal, que começou a ser guardado por minha mãe.”

A memória, as origens e os diferentes lugares que atravessam sua trajetória também ajudam a explicar a identidade musical de Alceu. Nascido em São Bento do Una, no agreste pernambucano, ele construiu uma obra marcada pelo encontro entre referências regionais e sonoridades urbanas, sem se limitar a uma única definição. “Sou um Alceu urbano, do agreste, de Paris, do Rio, sou um mix.”

Aos 80 anos, o cantor mantém o repertório e a intensidade de suas interpretações sem diminuir o tom das músicas. Para ele, a passagem do tempo não alterou sua relação com a voz e com a energia exigida pelo palco. “Apesar dos 80 anos não baixei o tom das músicas. Não perdi nada da minha voz.”

A vitalidade também está ligada à maneira como encara cada apresentação. Mesmo com décadas de carreira, Alceu descreve a experiência de subir ao palco como algo que preserva o frescor do início. “Eu sempre tive muita vitalidade.”

Toda vez que subo no palco parece que é a primeira vez.

Alceu Valença
Alceu Valença (Foto: Divulgação)

Essa sensação remete às primeiras experiências com a música, ainda na infância, em sua cidade natal. O artista guarda na memória o momento em que teve o primeiro contato com o palco, muito antes de se tornar um dos nomes reconhecidos da música brasileira. “Lembro da primeira ver que subi num palco. Foi no Cine Teatro Rex, em São Bento do Una. Eu tinha quatro anos.”

A composição é outro aspecto central de sua trajetória. Ao falar sobre o processo criativo, Alceu descreve a inspiração como algo que não pode ser acionado mecanicamente. Para ele, as ideias surgem de experiências e sensações cuja origem nem sempre é possível identificar de imediato. “Temos um HD na memória que não se abre com uma chave. Ele é aberto pela a inspiração. Tem momentos que você sente uma coisa e não sabe de onde vem.”

Essa visão também aparece quando o assunto é inteligência artificial e música. Embora reconheça o acesso da tecnologia a um vasto repertório de obras já produzidas, o compositor afirma que continua trabalhando da maneira que sempre conheceu. “A IA tem acesso a todas as músicas já feitas. Mas eu não uso. Continuo compondo da mesma forma.”

A permanência de suas raízes musicais também faz parte dessa relação entre tradição e experimentação. Ao longo da carreira, Alceu incorporou diferentes recursos e instrumentos às gravações, incluindo a guitarra, sem considerar que isso significasse abandonar as referências que formaram sua identidade artística. “Uso a guitarra ao serviço da minha música.”

A relação de Alceu com o público, por sua vez, vem atravessando gerações. Se antes a circulação de sua obra dependia de outros meios, as plataformas digitais passaram a contribuir para que suas canções chegassem também aos mais jovens. O cantor destaca o papel das plataformas digitais nesse processo, sem deixar de reconhecer a influência das famílias na transmissão de seu repertório. “As plataformas digitais de música ajudam no rejuvenescimento do meu público. Os pais e mães também mostram minha música aos filhos.”

Entre as canções que permanecem presentes no imaginário popular está “Anunciação”, uma das músicas mais conhecidas de seu repertório. A força da canção ultrapassou o universo dos palcos e ganhou espaço em momentos marcantes da vida de muitas pessoas. “Já fizeram vários partos com a música tocando.”

Para a temporada europeia, a expectativa é reencontrar o público em diferentes cidades e apresentar um espetáculo que reúne música, memória e a energia característica de suas performances. Ao falar sobre o que os espectadores podem esperar, Alceu aposta na força do conjunto musical que o acompanha. “Podem esperar um show maravilhoso com uma banda pujante.”

A turnê “80 Girassóis” também oferece a oportunidade de acompanhar um artista que construiu uma linguagem própria a partir de suas raízes e de encontros com diferentes culturas. Essa trajetória inclui até mesmo uma decisão pessoal em relação ao idioma inglês, que Alceu associa a suas convicções ideológicas. “Eu nunca quis aprender inglês por questões ideológicas.”

Entre o agreste pernambucano e os palcos internacionais, Alceu Valença segue apresentando suas canções sem abrir mão da identidade que marcou sua obra. Com 12 shows em nove países, a passagem europeia de “80 Girassóis” leva ao público um repertório que continua encontrando novos ouvintes, ao mesmo tempo que preserva o vínculo com aqueles que acompanham sua música há décadas.

Texto por Hamilton Luduvice

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TAGS: 80 Girassóis, alceu valença, entrevista, europa, turne
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