Coitados dos americanos que estão tão mal (?!)

“Se queres que eu pague impostos vais ter que trazer uma cruz e pregar-me nela” canta a criativa e jovem banda americana Geese. Isto reflete o pensamento independente americano que resulta em dinamismo económico, porque o dinheiro fica no bolso de quem trabalha e inova, em vez de ficar nos bolsos de políticos e demais tíbios que vivem do Estado, pouco ou nada acrescentando à sociedade. Já em Portugal, nos festivais, enfastiou-nos ouvir músicos lusos a pregarem — nada criativa e muito previsivelmente como os pais e avós — ainda e sempre o marxismo (agora na versão do wokismo) que nos colocou entre os países mais pobres de uma Europa que, já de si, se encontra cada vez mais empobrecida. Da mesma forma, a maioria dos economistas portugueses insiste em criticar todas as medidas da direita americana por esta optar por políticas económicas e energéticas muito diferentes das europeias que têm empobrecido a Europa face aos EUA e China, provocando o desmantelamento da indústria europeia.
A comunicação social lusa faz coro e todos amansam os portugueses, enganando-os, sem respeito pelos factos económicos ou estatísticos, de que estão melhor no socialismo ou na social-democracia europeia, cada vez mais marxistas e de fronteiras abertas (para, por exemplo, a China entrar e destruir a indústria automóvel), do que no capitalismo americano. Ora este é simultaneamente protecionista, inovador, desfiscalizador, desregulador e, sobretudo, gerador de muitos e bons empregos com rendimentos cada vez maiores comparativamente com a Europa. Nesse contexto português, onde se esconde a superioridade dos EUA, a pergunta mais frequente que ouvimos dos portugueses quando dizemos que vivemos nos EUA é: “Ah, coitados, vocês agora devem passar lá muito mal.”
Em vez de denunciar as mentiras e propaganda da comunicação social lusa e desvarios da nossa intelligentsia contra os EUA (chegam a comparar diretamente o valor da dívida americana com o da portuguesa, ignorando que em apenas 4 dias a economia americana produz o que a portuguesa produz em 365) passámos a responder com ironia para ver se os nossos compatriotas percebem, de uma vez por todas, o quanto os EUA são avassaladoramente mais ricos do que a Europa — quanto mais do que um Portugal que vegeta bem abaixo da média europeia.
Deixámos assim de tentar educar pelos números comprovados dos EUA — largamente superiores a Portugal economicamente, como já elaborámos em artigos passados, com salários muito maiores, pensões muito maiores (segurança social e planos IRA/401K), impostos muito menores e serviços públicos, incluindo a saúde para pobres (Medicaid) e idosos (Medicare), com menos despesa para os contribuintes. Em conversas, nem sequer recorremos a exemplos elucidativos do descalabro do modelo económico e político luso, em que o Estado extorque muito diretamente aos contribuintes portugueses, recebe muito da UE extorquindo indiretamente ainda mais aos contribuintes da Europa toda, mas pouco dá em troca aos cidadãos. Por exemplo, nestas férias de verão no pequeno Portugal, gastámos em portagens de autoestradas mais de 300 euros, um custo total em 3 semanas maior do que em 30 anos a viajar nas autoestradas largamente gratuitas pelos 50 estados dos enormes EUA. Isto sem falar do custo da gasolina a mais do dobro do preço na América ou nos próprios carros, que chegam a custar 400% a mais do que nos EUA, devido a impostos infindáveis. Em conversação, nunca mencionamos sequer que a nossa alardeada justiça social significa nivelar por baixo: quase todos com 1000 euros líquidos mensais, com as novas gerações portuguesas praticamente sem capacidade de comprar casa ou fundar família.
Assim perante a constante pergunta à nossa família de “vocês passam muito mal nos EUA não passam?” respondemos divertidos: “Sim é uma desgraça ficar com o dinheiro do nosso trabalho para o usarmos como bem entendermos, como acontece nos EUA, em vez do privilégio de o entregar quase todo em impostos para líderes brilhantes como Neves, Montenegro, Sócrates ou Costa. Excelentes obreiros da justiça social e da eficiência dos serviços públicos! Coitados de nós nos EUA por não votarmos, muito inteligente e responsavelmente, sempre por políticas de esquerda e em mais dos mesmos políticos tradicionais, amorais apesar do discurso polido, como em Portugal, onde os soberbos resultados estão à vista. “
Formatado pela narrativa unânime na nossa imprensa, por exemplo, o nosso instrutor de golfe num resort privilegiado no Algarve — que nos confessou já quase não falar português quando ensina, tal é a raridade de famílias nacionais por ali — atirou de imediato: “Coitados, vocês agora vivem lá muito mal com o Trump, aquilo não está uma miséria?”Em vez de citar o PIB americano per capita três vezes superior ao português, o que, combinado com os impostos sobre o rendimento a metade dos nossos, significa ordenados líquidos cerca de 600% superiores para os mesmos trabalhos, respondemos divertidos: “Sim, é verdade, os republicanos de direita estragaram aquilo tudo. Por causa disso, somos a única família portuguesa aqui a conseguir pagar estas aulas — não pelo que ganhamos nos EUA a trabalhar e a investir em companhias líderes em IA e novas tecnologias, mas com uns cobres que fizemos em consultoria na Brandoa, porque lá na América não há nada para ninguém, não há desenvolvimento económico nem tecnológico e tiram-nos tudo em impostos! Se ao menos soubéssemos votar tão bem como vocês aqui em Portugal…”
Vindos dos EUA, onde trabalhamos e investimos, para Portugal, onde passamos férias, verificamos diariamente o quanto os portugueses foram bem amestrados por uma comunicação social largamente socialista, anti-empresarial e facciosa ideologicamente, a quem os factos e a verdade sobre a América para nada interessam. Uma imprensa que envergonharia grandes capitães de indústria e verdadeiros empresários como Belmiro de Azevedo, que não deixaram gente à altura. No fundo, os nossos principais jornais e canais de TV nada têm de pró-empresarial nem contribuem para melhorar Portugal; tornaram-se o equivalente moderno à propaganda da antiga Alemanha de Leste comunista, garantindo aos seus leitores que a Alemanha Ocidental capitalista é que era uma miséria. E os portugueses acreditam quase todos. Como não hão de acreditar se até as poucas portas supostamente de direita lhes mentem na TV que os EUA estão muito mal?
Assim, em mais um exemplo, no condomínio algarvio com vista frontal para o mar, onde praticamente todos os proprietários vivem de rendimentos americanos, a administradora contratada, portuguesa, também teve dó de nós, suspirando: “Coitados por estarem na América, devem sofrer muito”. Sim, concordámos: realmente, todos nós aqui somos luso-americanos de férias, nómadas digitais americanos, ou reformados americanos de classe média (ex.: polícia, professor, gerente de hotel, etc.): uns autênticos desgraçados. Isto porque, com o rendimento miserável vindo da América, os americanos só conseguem comprar em Portugal casas em primeira linha de mar ou no centro da capital. Com certeza que os portugueses, que ganham muito mais dinheiro do que os americanos e tomam decisões eleitorais muito mais responsáveis e atentas, estão muito melhor do que em primeira linha e não vivem nos subúrbios mais desolados e sem água — têm o problema habitacional completamente resolvido. Devem estar em linha zero, em casas enormes em ilhas marítimas artificiais maravilhosas que constroem mesmo no meio do mar, que pagam com os altíssimos salários portugueses, já que votam tão melhor do que na América. São fabulosamente informados pela nossa comunicação social e extremamente bem educados pelos nossos melhores economistas muito mais sapientes e com melhores medidas que os republicanos americanos.”
A tragédia do português comum não é apenas desconhecer a prosperidade brutal gerada pelo capitalismo americano e a respetiva inovação tecnológica que a desregulamentação e a diminuição de impostos republicana originam; é ter sido ensinado e formatado para sentir pena de quem vive no motor económico e da inovação do mundo, enquanto financia com impostos sufocantes a estagnação e um ciclo vicioso de empobrecimento em Portugal e pela Europa. Enquanto a nossa praça pública continuar a preferir a cantilena tendencialmente marxista europeia-lusitana contra os EUA, aos números e factos reais, resta-nos rir dessa ilusão — de preferência, enquanto aproveitamos as férias em Portugal pagas pelo dinamismo do mercado livre americano e da sua efervescente bolsa em Wall Street.
Finalmente e entretanto, há certos festivais fluviais, tornados novos Avantes, aos quais não voltaremos no próximo verão por não termos paciência para quem prega mais do eterno esquerdismo económico e anti-americanismo que nos fez a nós — e a mais dois milhões de portugueses — emigrar para fugirmos de tal miséria.
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