Como funciona o tratamento contra esquistossomose aprovado para crianças a partir de 3 meses
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para esquistossomose destinado a crianças de 3 meses a 6 anos. Chamado Farmanguinhos Arpraziquantel, o medicamento é produzido pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), da Fiocruz. O registro foi aprovado na última quarta-feira, 30.
O tratamento é indicado contra infecções provocadas pelos parasitas Schistosoma mansoni ou Schistosoma haematobium.
O arpraziquantel é o enantiômero ativo do praziquantel, medicamento já utilizado contra a esquistossomose. A nova opção foi desenvolvida em uma formulação pediátrica dispersível de 150 mg, voltada especificamente para crianças pequenas.
Como funciona o novo medicamento?
Depois de ingerido, o arpraziquantel é absorvido pelos vermes presentes nos vasos sanguíneos do paciente. Segundo a Anvisa, a substância provoca espasmos musculares e paralisia nos parasitas, interrompendo sua fixação nos vasos sanguíneos.
O medicamento também danifica o tegumento, camada que protege o verme contra o sistema imunológico. Com essa barreira comprometida, o organismo consegue destruir os parasitas.
Como a esquistossomose é transmitida?
A esquistossomose é uma doença parasitária associada ao contato com água doce contaminada.
A infecção ocorre quando uma pessoa entra em contato com água onde existem caramujos infectados pelos vermes causadores da doença. As formas infectantes do parasita penetram pela pele. Segundo a Anvisa, os primeiros sintomas podem aparecer entre duas e seis semanas após a infecção.
A doença apresenta duas fases principais. A aguda ocorre nas primeiras semanas após o contato com a água contaminada. Já a fase crônica pode se manifestar meses ou anos depois.
Quais são os sintomas da esquistossomose?
Na fase aguda, muitas pessoas podem não apresentar sintomas. Quando surgem, as manifestações incluem febre, dor de cabeça, calafrios, suor, fraqueza, falta de apetite, dores musculares, tosse e diarreia.
Na fase crônica, podem ocorrer episódios frequentes de diarreia, alternados com prisão de ventre, além da presença de sangue nas fezes.
Casos mais avançados podem provocar aumento do fígado e do baço, hemorragia digestiva e hipertensão portal e pulmonar. Uma das manifestações graves é o aumento do volume abdominal, conhecido popularmente como “barriga d'água”.
Como prevenir a doença?
A transmissão está relacionada principalmente ao contato com água contaminada e à falta de saneamento básico.
Segundo o Ministério da Saúde, medidas de prevenção incluem evitar contato com águas onde exista transmissão da doença, ampliar o acesso ao saneamento básico e à água potável e controlar os caramujos envolvidos no ciclo de transmissão.
O diagnóstico pode ser realizado por exames laboratoriais de fezes, que permitem identificar ovos do parasita.
Além disso, o órgão federal afirma que o praziquantel é distribuído gratuitamente para o tratamento dos casos simples de esquistossomose. Casos graves podem exigir internação e, dependendo das complicações, tratamento cirúrgico.
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