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Sunday, September 13, 2026

Mercado de trabalho não indica recessão a caminho no Brasil apesar de perda de força, diz estudo

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O mercado de trabalho tem perdido ritmo, mas por ora não mostra indicativo de que a economia caminha para uma recessão no país, conforme estudo do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence.

A Folha teve acesso com exclusividade à análise, que adapta a regra de Sahm, criada nos Estados Unidos, à realidade brasileira. Essa métrica carrega o sobrenome da economista Claudia Sahm, ex-Fed (Federal Reserve, o banco central americano).

Nos Estados Unidos, a regra pode indicar uma recessão quando a média móvel de três meses da taxa de desemprego fica 0,5 ponto percentual ou mais acima do menor nível observado nos 12 meses anteriores.

A análise de Imaizumi trabalha com um limiar menor para o Brasil, de 0,3 ponto percentual, que teria uma capacidade maior de identificar os episódios recessivos do país com menor defasagem.

Essa escolha segue recomendação de uma publicação recente do Made (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades), da USP (Universidade de São Paulo), sobre o assunto.

A adaptação, segundo Imaizumi, é necessária devido às características do mercado de trabalho nacional, que conta, por exemplo, com uma informalidade maior do que o americano.

Conforme a análise do economista, a diferença medida pela regra estava negativa até fevereiro e caminhou em direção ao limiar de 0,3 ponto percentual nos meses seguintes.

O valor, contudo, ficou relativamente estável nos dois últimos meses analisados, passando de 0,13 p.p. em junho para 0,12 p.p. em julho.

"O mercado de trabalho está em desaceleração, mas segue ainda resiliente, ainda forte", afirma Imaizumi.

A série histórica construída pelo economista reúne dados dessazonalizados desde o final de 1995, calculados a partir de pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

"O mercado de trabalho aqui reage com certa defasagem, e não necessariamente a gente vai ver uma mudança por meio dessa regra. O mercado de trabalho do Brasil é menos formal do que o dos Estados Unidos", pondera Imaizumi.

"Às vezes, em uma recessão, a gente pode ver uma migração de vagas formais para informais, e não um aumento abrupto da taxa de desocupação", acrescenta.

Não há uma definição oficial sobre o que caracteriza uma recessão. Embora alguns economistas utilizem a métrica de que esse é o período marcado por dois trimestres seguidos de queda no PIB (Produto Interno Bruto), a maior parte dos institutos faz uma análise mais ampla de dados.

O termo "recessão técnica", citado quando há dois trimestres consecutivos de retração do PIB, é considerado tecnicamente equivocado por muitos analistas.

No Brasil, o Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos), ligado à FGV (Fundação Getulio Vargas), identifica os períodos recessivos.

Essa datação ocorre após a avaliação de uma gama de indicadores de nível de atividade e do mercado de trabalho. A regra de Sahm, embora tenha limitações, tenta captar sinais iniciais de uma crise com uma velocidade mais rápida.

Segundo o Codace, a recessão mais recente no Brasil ocorreu do primeiro ao segundo trimestre de 2020, durante a pandemia de Covid-19.

À época, a diferença medida pela regra de Sahm ultrapassou o limiar de 0,3 p.p., conforme a análise de Imaizumi. Esse patamar também foi cruzado na recessão anterior datada pelo Codace (segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016).

"A gente costuma datar uma recessão via PIB, mas, como há uma frequência maior [de divulgações] de dados do mercado de trabalho, vale a pena acompanhar a regra de Sahm", diz o economista.

A taxa de desemprego divulgada pelo IBGE foi de 5,3% no trimestre até julho, período mais recente com dados disponíveis. O indicador é o menor para esse intervalo de três meses na Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012.

Após a divulgação do resultado, em 27 de agosto, analistas afirmaram que o mercado de trabalho segue mostrando força, mas dá indícios de uma leve desaceleração. O comportamento da renda foi apontado como um desses sinais.

Na média, o rendimento do trabalho ficou em R$ 3.762 por mês no trimestre até julho, conforme a Pnad. Houve recuo de 0,7% ante o período finalizado em abril (R$ 3.786). O IBGE considera o quadro dentro da margem de estabilidade, sem variação significativa em termos estatísticos.

Para o economista Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, o mercado de trabalho parece ter chegado ao teto após a recuperação registrada nos últimos anos.

O ritmo menor, contudo, não é suficiente para projetar no momento uma recessão a partir de 2027, diz ele. Por ora, Sartori prevê alta de 1,9% para o PIB de 2026 e crescimento de 1,6% para o indicador no próximo ano.

Segundo o economista, um dos pontos de incerteza no cenário é a política fiscal que poderá ser implementada por Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) a partir de 2027. Os dois nomes aparecem nas pesquisas de intenção de voto como favoritos para vencer as eleições presidenciais de outubro.

Folha Mercado

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"Há vetores perigosos que têm de ser observados. É preciso melhorar o mercado de crédito, diminuindo a curva de juros, e é preciso melhorar as expectativas com um ajuste fiscal necessário, mas que tem de ser cuidadoso", afirma Sartori.

"Se abrir a tesoura por um lado e fechar a torneira pelo outro, dependendo do que for feito, piora o fiscal e tira renda das pessoas. Então isso tudo tem de ser muito bem desenhado e tem de passar confiança para o mercado [financeiro]", completa.

O crescimento do PIB do Brasil desacelerou a 0,5% no segundo trimestre de 2026, após alta de 1,1% nos três meses iniciais do ano, conforme os dados mais recentes do IBGE, divulgados em 1º de setembro.

A perda de ritmo da atividade econômica ocorreu sob impacto dos juros elevados para conter a inflação no país. O resultado do terceiro trimestre será conhecido em 2 de dezembro, após as eleições. Analistas esperam taxa ainda mais próxima de zero.

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