Após chamar Trump de 'imperador', Lula discursa na ONU e pode reencontrá-lo

No ano passado, depois do abraço de menos de um minuto com Lula às margens da Assembleia Geral, Trump surpreendeu até seu secretário de Estado Rubio ao anunciar durante discurso na ONU que teve "química" com Lula.
Em que pese ter citado a Amanpour a necessidade de uma reforma ao insuficiente Conselho de Segurança da ONU, a exasperação com o aumento da pobreza e do armamento dos países, o aborrecimento com a fragilidade do multilateralismo, patrocinado em larga medida por Trump, Lula distribuiu recados ao Brasil. A mesma dinâmica deve se repetir no discurso de hoje.
"Não queremos desafiar ou confrontar. O presidente Trump foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos. Ele tem o direito de governar os Estados Unidos, mas não tem o direito de governar outros países. Não tem o direito de impor a sua vontade. Precisa ter disposição para negociar", disse Lula a Amanpour. O tema da soberania nas mais diferentes frentes - eleitoral, econômica e militar - deve permear o argumento de Lula na ONU.
O presidente defenderá sua condução do combate às facções transnacionais brasileiras CV e PCC, objeto de crítica do governo Trump na semana passada. Em maio, o governo dos EUA designou os grupos como terroristas, classificação que já usaram contra outros cartéis na região e que justificou intervenções militares.
"Se havia tráfico de drogas na Venezuela, prendam os traficantes. Mas mataram muitas pessoas naqueles barcos e não apresentaram nenhuma prova de que aqueles barcos transportavam traficantes", disse Lula à CNN Internacional, em referência à retirada forçada por Washington do líder venezuelano Nicolas Maduro e a bombardeios a embarcações no mar do Caribe. O governo Lula teme que a gestão Trump se convide a atuar militarmente no Brasil.
O discurso de Lula deve servir como um balanço do que ele prometeu quando retomou a presidência. "O Brasil voltou", anunciou ao mundo, em 2023. Mas também como uma peça de luxo de convencimento ao eleitor brasileiro de que ele merece ser reconduzido ao posto de líder do Brasil no mundo. O presidente retorna à Brasília ainda hoje, por volta do meio-dia.
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