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Sunday, October 25, 2026

Datafolha: Com diferença mínima entre Flávio e Lula, quem sair de casa vai decidir o 2º turno

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A corrida presidencial chega ao fim com um desfecho que vai depender de um punhado de votos. A vantagem numérica de Flávio Bolsonaro (PL) registrada pelo Datafolha é mínima, mas tem dois efeitos: tira do campo de Lula (PT) o efeito psicológico do empate numérico e deixa o senador em terreno ligeiramente mais confortável, já que a abstenção parece ser um fator de risco maior para o petista.

Ao longo do segundo turno, Lula conseguiu reduzir a distância para o rival em segmentos específicos, mas não conseguiu um fôlego suficiente para uma virada. O senador, por sua vez, se sustentou numa rejeição contida, no voto de quem quer derrotar o adversário e numa boa vantagem na classe média.

Indecisão até o fim
5% dos eleitores dizem que
ainda podem mudar de voto
Pesquisa espontânea
Flávio: 47%
Lula: 45%
Só rejeitam Flávio
43% há três semanas
45% agora
Só rejeitam Lula
46% há três semanas
46% agora

Quem sai de casa escolhe o presidente

Essa é uma disputa que será decidida não apenas pela preferência coletiva dos brasileiros, mas também pela decisão de cada um deles de ir às urnas. Na véspera da votação, o Datafolha detectou que eleitores dos dois campos têm uma propensão semelhante a votar no domingo, mas uma leve vantagem estrutural pode desequilibrar o jogo a favor de Flávio.

Duas medições ajudam a projetar as variações de abstenção no eleitorado dos candidatos neste segundo turno. Uma delas é um filtro de entrevistados que foram votar no primeiro turno, sinal concreto de engajamento neste ciclo eleitoral. Flávio lidera no recorte por 51% a 49% dos votos válidos —um empate técnico com uma pequena dianteira numérica do senador.

A campanha petista tenta reduzir esse risco com uma mobilização ampla para levar às urnas inclusive quem não votou no primeiro turno. Para virar o resultado, seria preciso mover uma quantidade grande de eleitores, e o esforço ainda não apareceu no resultado geral desta pesquisa final.

A distância para o local de votação expõe um descompasso semelhante. Entre eleitores que moram perto de suas seções, Flávio mantém a vantagem numérica de 51% a 49%. No segmento que vive longe do local de votação ou em outra cidade, Lula tem 52% contra 48% do senador.

Esse recorte importa porque a abstenção costuma ser maior entre eleitores de baixa renda, que vivem em regiões com mobilidade mais precária e formam parte relevante da base do petista. Embora a distância entre os dois candidatos seja pequena, dentro do terreno do empate técnico, os elementos somados mostram que Lula precisa convencer mais eleitores a superar a dificuldade de chegar à urna.

O que mantém Flávio na frente

Flávio conseguiu se manter numericamente à frente de Lula durante todo o segundo turno graças a um cenário de alta rejeição cruzada (em que o antipetismo infla a intenção de votos) e um domínio sobre a classe média.

  • Dois terços dos eleitores de Flávio (67%) dizem votar nele por considerá-lo o melhor candidato, mas 21% declaram voto para derrotar Lula. A oposição ao PT aparece como fator principal: parte relevante da vantagem do senador depende do desgaste do adversário, não da adesão a ele.
  • O senador também conseguiu conter um avanço de sua própria rejeição (45%) apesar de uma ofensiva da campanha de Lula, que o chamou de despreparado e relembrou o mau desempenho do governo de seu pai. Aqui, o desejo de mudança funcionou como uma espécie de vacina contra os pontos fracos de sua candidatura.
  • A vantagem de Lula entre os mais pobres é anulada pelo desempenho de Flávio na faixa intermediária de renda e entre eleitores que ganham mais de cinco salários mínimos.

Onde Lula recuperou terreno

Depois de um reinício hesitante no segundo turno, a campanha de Lula encaixou golpes que ajudaram a construir um cenário apertado na boca da urna. Em votos totais, a distância entre o petista e Flávio era de quatro pontos (49% a 45%) e está em um (48% a 47%). A aproximação se concentrou em três segmentos:

  • Entre os mais jovens, Lula foi de 43% para 52% nas três semanas do segundo turno, e Flávio de 50% para 44%. A campanha petista trabalhou para ampliar a mobilização digital, num ambiente em que habita boa parte desses eleitores.
  • A campanha do medo de cortes de benefícios e de mudanças nas políticas de valorização de aposentadorias parece ter tido um efeito sobre os brasileiros fora da população economicamente ativa, grupo que inclui aposentados e estudantes. Lula estava com 51% e foi a 54%, e Flávio variou de 45% para 40%.
  • Entre beneficiários do Bolsa Família, a distância entre os dois candidatos passou de 24 para 31 pontos: Lula foi de 59% para 63%, e Flávio, de 35% para 32%. O reajuste do benefício anunciado pelo presidente pode ter reativado a memória desse eleitor sobre o programa e sua ligação com o petista.
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