Três mulheres que fizeram história na Mercedes

Sem bombas na época, Bertha terá usado como combustível a benzina de uma farmácia da cidade de Wiesloch. O lugar é até hoje reconhecido historicamente como a primeira estação de gasolina do mundo. A mulher de Carl Benz também desenvolveu as próprias estratégias de mecânica para superar as adversidades do caminho: de usar os ganchos de cabelo para desentupir as canalizações de alimentação do motor a adaptar collants e uma liga como material isolante. Os problemas com os freios, especialmente nas descidas mais íngremes, foram resolvidos por um sapateiro, enquanto as subidas eram garantidas com a ajuda dos filhos a empurrar o veículo.
Certo é que a família chegou e a viagem fez história, impulsionando o desenvolvimento de novas tecnologias a combustível. Bertha Benz morreu a 5 de maio de 1944, apenas dois dias depois do seu aniversário de 95 anos, e em tempo de ver a evolução que ajudou a provocar.
Ewy Rosqvist: o desporto
Já os veículos estavam desenvolvidos quando nasceu a sueca Ewy Rosqvist, conhecida piloto de rali e terceira mulher que marca a história da Mercedes-Benz. Nascida a 3 de agosto de 1929 numa família com cinco filhos que vivia numa zona rural no sul da Suécia, Ewy estudou veterinária e passou a trabalhar entre as várias quintas da região. Para percorrer os caminhos entre trilhos estreitos de terra, o pai ofereceu-lhe uma Mercedes-Benz 170 S, carro com o qual fazia entre 150 e 200 quilómetros por dia.
A habilidade a conduzir, aliada ao casamento com o piloto sueco Yngve Rosqvist em 1954, levaram-na a participar na primeira prova de rali. “Pude pilotar em alguns dos trechos intermediários e foi tão divertido que decidi participar de um rali, seja como piloto ou copiloto, o mais breve possível”, escreveu na sua autobiografia, “Driving through hell”. Foi o que Ewy Rosqvist fez em 1956, ao participar no primeiro rali sozinha.
Ao longo dos anos a piloto venceu várias provas em toda a Europa, recebendo troféus das mãos da princesa Grace Kelly, no Mónaco, e assinando contratos com a Volvo em 1960 e com a Mercedes-Benz em 1962. Neste mesmo ano, ao lado da copiloto Ursula Wirth, tornou-se a primeira mulher a vencer a corrida histórica de longa distância Gran Premio Argentino de Turismo, uma prova com mais de 4500 quilómetros e com outros 250 competidores — todos homens. A dupla venceu as seis etapas e estabeleceu um novo recorde de velocidade na corrida, com uma média de 127 km/h.
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