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Saturday, October 24, 2026

As notícias das 3h

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São 3 horas. As notícias com Maria Miguel Marques.

Começamos pelas presidenciais brasileiras, mais precisamente pelo último debate entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, que acontece a esta hora e ficou marcado já pelo tema dos impostos. Flávio Bolsonaro insiste em questionar Lula da Silva sobre este tema e acusa o atual presidente de promover o que será, de acordo com Flávio Bolsonaro, o maior imposto do mundo.

Você simplesmente invade o bolso do contribuinte. Você implementou a carga tributária mais alta desse país na história. Até agora, com a reforma tributária, ninguém sabe quanto vai ser o valor do imposto de valor agregado, o IVA, que é o novo imposto que ele vai começar a cobrar a partir do ano que vem. Estima-se que seja de 28%. Ele já tinha que ter enviado pro Congresso Nacional o projeto de lei, falando qual é a alíquota. Sabe por que ele não fez? Porque vai ser o maior IVA do mundo. O brasileiro vai pagar o maior imposto do mundo na era Lula.

Acusações de Flávio Bolsonaro. Lula da Silva desvaloriza, diz que é conversa da elite e relembra que foi no anterior mandato que retirou o Brasil do mapa da fome, sendo que o governo, no caso de Jair Bolsonaro, fez o país regredir nesse sentido.

Então ele se incomoda com pobre na universidade, com pobre no instituto federal, com a pessoa ganhando o máximo salário mínimo, com filha de pedreiro virando engenheira, virando médica. Isso incomoda. Ele fica no mesmo discursinho: "Pé, vai atrasar". Eu tinha acabado com a fome nesse país em 2012. Eu voltei em 2023 com 33 mil pessoas passando fome. Ele se importa com isso? Não, porque onde ele mora as pessoas não passam fome. No condomínio dele, as pessoas não passam fome, a família dele não passa fome e ele não sabe o que é fome. Essa é a verdade.

A intervenção de Lula da Silva desvaloriza as acusações de Flávio Bolsonaro de cargas fiscais excessivas deste atual governo. Neste segundo momento do debate, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro estão a escolher os temas que querem abordar. Começaram pela dívida pública, tema escolhido por Flávio Bolsonaro. O debate termina com uma declaração de cada candidato e no final, os dois candidatos participam numa conferência de imprensa. Por sorteio, Lula da Silva vai falar primeiro e depois Flávio Bolsonaro. A Globo, através do site online, vai fazendo uma análise em direto das declarações dos dois candidatos, a fazer um fact checking. E na chegada aos estúdios, antes de começar este debate, Flávio Bolsonaro disse ter a melhor expectativa possível para o confronto com Lula. Lula também chegou momentos depois com a certeza de que foi para este debate para ganhar. Os dois candidatos têm passado as últimas horas em preparativos para este atual frente a frente decisivo, numa altura em que as sondagens mostram estes candidatos separados por apenas um ponto percentual ou até menos. O enviado especial do Observador ao Brasil, José Carlos Duarte, está neste momento a acompanhar este debate, no qual os dois candidatos devem adotar uma estratégia diferente.

Os dois candidatos vão apostar num tom mais institucional, menos de confronto, neste debate. Houve um debate no passado domingo na emissora Band e os dois candidatos mostraram uma atitude de confronto. Houve uma troca de ideias bastante dura, insultos, foi um debate bastante duro. E a estratégia das campanhas, desta vez vai ser diferente. Estão a apostar numa mensagem mais institucional, menos de confronto e tentar debater assuntos que os dois candidatos sabem que vai constranger o rival. Portanto, esta vai ser a estratégia seguida. Além disso, esta sexta-feira, os dois candidatos não têm qualquer agenda, estão totalmente focados na preparação do debate e que será definitivamente decisivo para o resultado de domingo.

Jornalista José Carlos Duarte, enviado especial do Observador ao Brasil, dá conta de uma grande preparação para este debate, que está neste momento no segundo momento e que está a acontecer neste momento. É o último debate entre candidatos às presidenciais brasileiras. Lula da Silva, o atual presidente do Brasil, e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, concorrem para o mais alto cargo do país numas eleições que mostram um país bastante dividido, no momento em que as sondagens apontam para um empate técnico entre estes dois candidatos. À Rádio Observador, o escritor e correspondente da Folha de São Paulo em Portugal, João Gabriel de Lima, afirma que Flávio Bolsonaro está a caminho de ter mais votos do que o pai teve nas eleições de 2022 e que o cenário é muito parecido ao das últimas eleições, mas desta vez a pender para a direita.

Essa segunda volta é muito parecida com a de 2022. Inclusive, a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro é mais ou menos a mesma diferença que as sondagens estão apresentando agora, só que com Flávio Bolsonaro na frente. Flávio Bolsonaro aparenta ter mais votos que Jair Bolsonaro na primeira volta e se ocorrer o que se espera, pode ter mais votos do que o pai nessa eleição e ser eleito presidente da República do Brasil.

João Gabriel de Lima destaca que a maioria dos restantes candidatos na primeira volta estavam mais alinhados à direita e que, por isso, pode favorecer o candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro.

A vantagem de Flávio tem a ver com o seguinte: os três outros candidatos com alguma expressão na primeira volta eram candidatos mais à direita. O voto brasileiro não é tão ideológico, mas a maior parte dos eleitores desses candidatos penderam a Flávio Bolsonaro na segunda volta, e isso ficou muito claro nas primeiras sondagens, logo após a primeira volta.

No que diz respeito à esquerda, o jornalista João Gabriel de Lima fala na dificuldade do Partido dos Trabalhadores em nomear um sucessor do Lula. Os Estados Unidos estão a reforçar a presença militar na base das Lajes após meses sem ataques ao Irão. É o que avança a CNN Portugal, diz que chegaram ontem aos Açores 18 aviões de reabastecimento e 15 caças F-35. A informação surge horas depois de Donald Trump sugerir um ataque ao Irão para forçar um acordo e de o embaixador americano na Turquia ter dito que os Estados Unidos podiam atacar o Irão ainda este fim de semana. De acordo com a CNN, os americanos também estão a retirar diplomatas do Médio Oriente de forma discreta. A causa é a escalada do conflito entre os houthis do Iémen e a Arábia Saudita, mas também a possibilidade de retomar os ataques contra o Irão. Importa recordar que os americanos utilizaram a base das Lajes no início deste conflito para atacar Teerão com movimentações semelhantes a esta. Na política, o líder do PS diz que é Luís Montenegro que tem de tomar uma decisão sobre se o presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana se deve demitir. O secretário-geral do PS fala em declarações infelizes por parte de Benjamim Pereira. O presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana disse que não sabia se a sociedade atual estava disponível para o nível de sacrifício da anterior. Em Gaia, José Luís Carneiro não pede a demissão de Benjamim Pereira, mas passa a bola a Luís Montenegro. O Presidente da República recusa estar adormecido e quer pressionar os partidos a entenderem-se em medidas para a habitação. António José Seguro aponta duas dimensões, quer medidas urgentes, quer políticas duradouras. É o que o Observador sabe. António José Seguro defende que a habitação tem sido uma das bandeiras desde que tomou posse em março e garante que tem chamado a atenção para o problema. Ainda assim, o Presidente da República chamou os partidos para audiências individuais na próxima quinta-feira e convocou um Conselho de Estado sobre a coesão social quatro dias depois. O chefe de Estado vai pressionar os partidos para chegarem a um consenso na nova lei das rendas na especialidade, que começa a ser negociada depois da votação do Orçamento de Estado. Fazemos agora um ponto de situação das acampadas. Os manifestantes reuniram-se durante o dia de hoje, tanto em Lisboa como no Porto. Em Chelas, cerca de 300 pessoas estiveram num ato simbólico de solidariedade para com uma mulher que foi despejada de uma habitação camarária. O protesto no Rossio migrou para Chelas para essa manifestação de apoio a uma viúva que está a ser despejada com dois filhos. Foi feita uma assembleia popular onde estes manifestantes votaram a favor de erguer tendas e dormir no Rossio amanhã. Devem ser montadas depois das 17h, na sequência da manifestação que está marcada para este sábado. No Porto, a acampada negou os contactos classificados pelo presidente da Câmara do Porto como muito cordiais. O movimento diz que tem em mãos apenas o convite formal inicial. Garantia dada por Sérgio Bastos, que faz parte do grupo de imprensa desta acampada e que partiu para o ataque contra o autarca do Porto. Acusa Pedro Duarte de tentar provocar uma rutura no protesto. O movimento continua a ver a Assembleia Popular como um instrumento democrático e de legitimidade, não para suplantar a qualquer outra instituição democrática, mas para reforçar o poder de negociação e o poder de pressão. O presidente da Câmara do Porto revelou estar numa fase bastante avançada de contactos muito cordiais com o Movimento pela Habitação, que está desde 10 de outubro em protesto na cidade. Pedro Duarte afirma que o movimento ainda não lhe sugeriu uma data para a reunião, mas tem estado a trocar comunicações para concretizar. Ponto final neste jornal das 03h. A informação está de regresso às 03h30.

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