The Jerusalem PostSurvivors of clergy sexual abuse reach $800m. settlement with New York ArchdioceseESPN DeportesEN VIVO: Los Rays se rebelan, pero no tan rápido, Brewers responden y se acercanCNN TürkTürkiye-KKTC doğal gaz hattı için NAVTEX yayımlandıPunchVarsity workers protest shortfalls in FG’s arrears paymentESPNFollow live: Contreras, Mitchell each drive in a run to cut deficit in half for BrewersRai NewsBallando con le Stelle, il Charleston di Noemi Bocchi e Giovanni PerniceNOSOp verschillende plekken overlast door harde windInquirerRE advocates seek solutions to Mindanao’s fossil fuel dependenceDaily MailStorm Chloe may be third storm to hit UK in just a week after 80mph winds and torrential downpours hit ferries and trains
The Daily Newsstand · Free, Always
Sunday, October 25, 2026

Avaliar os alunos não chega

Translate

Portugal tem uma relação curiosa com a avaliação escolar: discute intensamente os resultados durante alguns dias e raramente acompanha, com igual atenção, o que acontece depois. As Provas de Monitorização das Aprendizagens (ModA) de 2026 merecem outro destino. Devem servir para melhorar o que os alunos aprendem, com consequências concretas nas salas de aula.

Os dados divulgados esta semana pelo EduQA mostram progressos modestos. Em Matemática, a média passou de 50,9 para 52,5 pontos no 4.º ano e de 51,3 para 52,3 no 6.º. Na produção de textos em Português, subiu de 47,4 para 50,0 e de 45,0 para 47,9, respetivamente. A evolução é favorável, mas dois anos de resultados não bastam para declarar uma recuperação consolidada.

Faltam 1.323 assinantes para 50.000

*Herdade São Miguel Colheita Selecionada Tinto Magnum 2023 (PVP 15,85€)
A oferta também inclui 1 visita guiada à adega na Casa Relvas (PVP 30€)
Válido apenas para planos anuais Standard e Premium

Assinar agora

Alguma comunicação social apressou-se a destacar os resultados “negativos” na escrita do 6.º ano. A formulação exige cautela: o EduQA esclarece que os Pontos ModA medem proficiência, numa escala de zero a cem, e não a percentagem de respostas corretas. Não devemos, portanto, transportar automaticamente para esta escala a fronteira escolar entre positiva e negativa. Uma discussão séria começa por compreender o significado dos números.

Essa cautela não deve, porém, alimentar complacência. A pergunta decisiva é outra: que conseguem efetivamente fazer os alunos? Conseguem escrever um texto coerente, compreender um enunciado e justificar um raciocínio? Precisamos de conhecer a distribuição pelos níveis de desempenho e as dificuldades concretas. Uma média nacional, isoladamente, diz pouco sobre quem necessita de apoio e sobre a intensidade desse apoio.

Há também uma evolução que merece atenção: em Português Língua Não Materna, nível 2, a média da interação e produção escrita passou de 43,3 para 55,4 pontos. É um sinal encorajador. Importa perceber que práticas contribuíram para esse progresso, sem atribuir causas que os dados divulgados não demonstram. Identificar e partilhar intervenções eficazes deveria ser uma prioridade.

Existe ainda um problema de oportunidade. As provas decorreram entre finais de maio e início de junho, mas os resultados foram divulgados em 20 de outubro, já no ano letivo seguinte. A avaliação perde utilidade quando a informação chega depois de decisões pedagógicas importantes. Devemos encurtar este intervalo e garantir que o diagnóstico acompanha cada aluno nas transições entre ciclos.

A resposta exige tempo para ensinar, estabilidade das equipas e apoio dirigido às dificuldades identificadas. Na escrita, proponho prática frequente, correção comentada e reescrita. Na Matemática, trabalho sobre a compreensão dos problemas, a explicação dos procedimentos e a consolidação dos conhecimentos fundamentais. Os professores precisam de condições para transformar informação em intervenção.

Enquanto professor de Sistemas de Informação, valorizo a tecnologia, mas recuso a ideia de que distribuir equipamentos equivale a melhorar aprendizagens. A inteligência artificial pode apoiar exercícios e feedback, desde que preserve o esforço intelectual do aluno. Se escrever e raciocinar forem tarefas sistematicamente delegadas numa máquina, estaremos a comprometer as competências que pretendemos desenvolver.

As ModA justificam-se se desencadearem mudanças verificáveis. Cada escola deve poder identificar prioridades, mobilizar recursos e acompanhar progressos, com apoio proporcional às necessidades dos seus alunos.

O verdadeiro teste ao sistema educativo começa depois da publicação dos resultados. Mede-se na capacidade de garantir que uma dificuldade detetada recebe uma resposta e deixa de acompanhar a criança ano após ano. Avaliar é necessário. Fazer alguma coisa com a avaliação é a responsabilidade que falta cumprir.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.