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Monday, August 17, 2026

Em campanha, Lula faz 'rota do petróleo' no Amapá ao lado de Alcolumbre

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita nesta segunda-feira, 17, cidades do Amapá e um navio-sonda da Petrobras na Margem Equatorial ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). É a primeira agenda pública dos dois após sua reaproximação.

A visita de Lula acompanhado de Alcolumbre consta em sua agenda oficial de presidente, mas ocorre já na campanha eleitoral e marca uma guinada política pragmática de ambos, que, em reuniões na semana passada, fizeram as pazes e assentaram as bases de uma aliança política. A relação entre ambos chegou ao ponto de crise com a indicação, pelo presidente, do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal, no ano passado, e com sua posterior rejeição, em maio deste ano.

Em decorrência da crise entre Lula e Alcolumbre, as pautas de interesse do governo, a exemplo das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) da Segurança Pública e do fim da escala 6x1, estavam com a tramitação trancada pelo presidente do Senado, mas com a reaproximação de ambos, selada na semana passada, os projetos vão voltar a andar.

Na sexta-feira passada, 14, após uma reunião com Lula no Palácio da Alvorada, Alcolumbre afirmou à imprensa ter determinado "o encaminhamento às comissões competentes de três propostas prioritárias: a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6x1, a PEC 18/2025, a PEC da Segurança Pública, e o PL 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos".

No mesmo dia, a Petrobrás anunciou a descoberta de hidrocarbonetos em poço exploratório em perfuração no bloco FZA-M-59, localizado a 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas profundas. O local, que faz parte da bacia sedimentar da Foz do Amazonas, na margem equatorial brasileira, é o foco da visita conjunta de Lula e Alcolumbre. No domingo, a presidente da estatal, Magda Chambriand, confirmou que a descoberta é de petróleo de fato.

Alcolumbre é um defensor enfático da exploração de petróleo na região, tendo proposto um tipo de licença ambiental mais célere para projetos de infraestrutura considerados estratégicos pelo governo. O senador comemorou quando, em novembro de 2025, o Ibama concedeu a licença prévia à Petrobras para que a estatal realizasse os estudos técnicos na região para verificar a possibilidade de exploração da commodity. O senador pressionou pela concessão da licença e chegou a dizer, em 2024, que o Ibama boicotava o desenvolvimento do país ao demorar para analisar o tema.

Relação restabelecida com Lula

A reaproximação entre os presidentes foi inicialmente articulada pelos ministros do STF Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, que organizaram um primeiro reencontro entre ambos em um jantar na casa de Moraes, e prosseguiu na semana passada com reuniões articuladas pelo ministro José Guimarães, das Relações Institucionais, e pela líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PE).

Alcolumbre topou dar andamento às pautas do governo, o que foi lembrado por Lula em seu discurso no lançamento oficial da campanha à reeleição. É esperado, também, que o presidente do Senado declare formalmente seu apoio à reeleição do petista.

O União Brasil, que forma uma federação com o Progressistas de Ciro Nogueira (PI), declarou neutralidade na eleição presidencial e, como demais siglas do Centrão (Republicanos, Podemos e MDB), liberou lideranças nos estados para apoiarem presidenciáveis.

As contrapartidas desse acordo político do governo com Alcolumbre ainda não estão totalmente claras, mas sabe-se que envolvem, por exemplo, um endosso à candidatura do senador à reeleição como presidente do Senado, no início de 2027. Já se sabe que o atual presidente da Casa deverá enfrentar, como principal opositora, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), provavelmente com o apoio do bolsonarismo.

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