De analista júnior a gerente da AmPm sem sair da Ipiranga: o que ‘criar raiz’ ensina sobre carreira
Há um ano e oito meses, o carioca Thiago Klein de Medeiros trocou o Rio de Janeiro por São Paulo, ao lado da esposa. A mudança de estado veio junto com outra, menos visível. Depois de quase sete anos no planejamento comercial da Ipiranga, ele voltava às finanças, área em que havia começado a carreira. Desta vez, para liderar.
Aos 33 anos, Thiago é gerente de FP&A, planejamento estratégico e controladoria da AmPm, rede de lojas de conveniência ligada à Ipiranga. Chegou ao cargo sem sair do grupo: toda a progressão, de analista júnior a gerente, aconteceu dentro de casa. Com a controladoria recém-incorporada às suas atribuições, ele acaba de começar o MBA Executivo em Finanças da Saint Paul.
Clareza de destino desde o primeiro cargo
A base financeira veio antes da Ipiranga. Formado em engenharia de produção, Thiago estagiou na área de mercado de capitais do BNDES e na mesa de operações da Ax Capital. Depois, passou por planejamento financeiro e tesouraria na S2 Holding, onde foi efetivado como analista.
Em 2018, entrou na Ipiranga como analista de planejamento, na área comercial, ainda com viés financeiro: análise de rentabilidade das negociações, orçamento da rede de postos, metas e indicadores para a equipe de vendas. Em dezembro de 2022, foi promovido a coordenador de performance comercial. Em 2024, assumiu a coordenação de planejamento comercial da rede.
Questionado sobre o que tornou essa progressão possível, ele aponta para uma decisão tomada no início. “Desde o início eu tinha muita clareza de que queria construir uma carreira sólida dentro da empresa e percorrer os caminhos necessários para chegar lá”, diz. “Com muita resiliência e objetivo claro, a gente vai trilhando esse caminho e as portas vão abrindo”, complementa.
A técnica abriu a primeira porta, mas as que vieram depois dependeram de outra habilidade. “Eu entrei como analista júnior, numa área muito técnica. Conforme você vai progredindo, a parte interpessoal vai florescendo e vai sendo determinante”, afirma.
A volta às finanças, agora como gestor
Em março de 2025, Thiago assumiu a gerência de FP&A e planejamento estratégico da AmPm. Além da mudança de estado, que ele mesmo descreve como um desafio, havia outro: reencontrar um território conhecido em uma nova posição.
“Era assumir uma cadeira da qual eu estava seis anos e meio, sete anos longe. Isso me proporcionou olhar novamente para algo que eu já tinha vivido no início da carreira, mas agora com uma posição de liderança”, relembra.
A tarefa era dupla: conectar os temas com o time e se tornar, nas palavras dele, “uma referência não só de gestor, mas também técnica”.
Raiz em vez de saltos
Em um mercado em que a troca frequente de emprego virou atalho comum para crescer, Thiago defende o caminho oposto. Para ele, a permanência permitiu experiências que talvez não tivesse vivido migrando de uma empresa para outra.
Na Ipiranga, ele participou das chamadas ações de desenvolvimento, como a empresa denomina as coberturas de férias em outras posições. Foram esses laços, avalia, que levaram a companhia a confiar nele para voltar a uma cadeira financeira.
“Ali na empresa eu consegui criar uma raiz muito firme, sólida”, diz. “Quando você cria esse laço dentro da empresa, essa confiança, consegue caminhar uma trajetória muito sólida e percorrer os caminhos que têm que ser percorridos para chegar a um nível alto”, fala. Esse, afirma, é o objetivo.
Por que um MBA para quem já faz finanças na prática
Se a experiência prática estava garantida, a formação acadêmica era outra história. Engenheiro de produção de origem e com a controladoria recém-assumida, Thiago quis aprofundar a base técnica em finanças.
O MBA Executivo em Finanças da Saint Paul tem 496 horas de carga, com aulas presenciais aos sábados, a cada três semanas, e transmissão ao vivo. A grade inclui disciplinas como análise de demonstrativos financeiros, mercado financeiro e de capitais, data science para líderes e reforma tributária e gestão de tributos.
“A grande parte das matérias me interessou muito, principalmente quando vi temas atualizados, como reforma tributária e inteligência artificial, que aprofundam assuntos que eu preciso aprofundar para desenvolver melhor minhas atividades do dia a dia”
Thiago Klein, gerente de FP&A e controladoria da AmPm
Até agora, ele cursou uma aula, de mercado financeiro. Além do conteúdo, chamou sua atenção o formato de pré-work e pós-work, com estudo antes do encontro e consolidação depois.
Do curso, Thiago espera tanto ferramental técnico quanto visão estratégica, já que sua área concentra o planejamento estratégico da empresa. Parte dessa visão, para ele, vem dos colegas de turma. Nos MBAs executivos da Saint Paul, 37,3% dos alunos são gerentes e 19,7% ocupam cargos de C-level.
“Cada um com sua vivência, cada um com sua experiência. Conseguir conectar a experiência de cada um ao meu dia a dia é muito bom”, diz.
Para quem construiu a carreira criando raízes em uma única empresa, a sala de aula cumpre outra função: trazer para dentro o que outros aprenderam em caminhos diferentes.
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