Black Pantera não quer saber de comodismo: ‘Estamos no ápice da nossa criatividade’

Banda falou sobre o álbum Continental, a evolução ao longo de 12 anos e a vontade de levar sua mensagem cada vez mais longe
Karla Sthefany
Black Pantera não pretende desacelerar. Mesmo após o lançamento de Continental, a banda já pensa em novas composições e atravessa, segundo os próprios integrantes, um dos momentos mais criativos da trajetória.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, na redação da revista, em Copacabana, no Rio de Janeiro, o trio falou sobre o atual momento e os caminhos que pretende seguir.
“A gente está no ápice da nossa criatividade”, afirma a banda. Para os integrantes, ficar parado esperando novos acontecimentos não combina com o momento vivido pelo grupo. “Nunca esperem ver o Black Pantera acomodados”, reforçam.

‘Continental’ como troca com o público
O quinto álbum do Black Pantera aparece na conversa como um trabalho que amplia as possibilidades da banda. O grupo cita músicas como “Negossa Nagashi” e “Yasuke”, que abordam diferentes episódios e personagens ligados à história e à diáspora africana.
Para os integrantes, uma das respostas mais interessantes ao disco tem sido perceber que o público passou a pesquisar os temas apresentados nas músicas. “Vamos trazer isso, vamos falar sobre a ancestralidade, sobre a cultura negra, para além da escravidão, para além do sofrimento”, explicam.
A relação com quem escuta também acontece como uma troca. A banda destaca o contato com professores, estudantes e outros formadores de opinião que ajudam a ampliar as discussões presentes nas letras. “O Black Pantera é a nossa faculdade, é a nossa pós”, dizem os integrantes ao refletirem sobre o aprendizado proporcionado pela própria trajetória.
‘A gente não sabe definir’ o som do Black Pantera
A liberdade para experimentar continua sendo uma característica do grupo. O Black Pantera cita referências de samba, rap e outras sonoridades que aparecem naturalmente no processo de criação, além das influências trazidas pelas viagens e experiências dos integrantes.
“Eu não sei pra onde que a gente vai”, admitem. Para eles, não é necessário definir exatamente onde a música se encaixa. “Tudo soa Black Pantera”, resumem.
Essa liberdade também aparece nos shows. Para a banda, o peso não está necessariamente relacionado apenas à distorção ou a uma sonoridade agressiva. “A mensagem é pesada”, explicam.

‘Queremos ser a maior banda do Brasil’
Quando o assunto é futuro, o grupo não esconde a ambição. “A gente quer ser a maior banda do Brasil”, afirmam.
O desejo de crescer, segundo os integrantes, está ligado ao alcance da mensagem. Quanto maior o Black Pantera, maior também a possibilidade de alcançar novos públicos e abrir espaço para outros artistas.
A banda também mira outros países. Depois de passagens pela América Latina, o trio fala sobre a vontade de tocar na Europa, na África e na Ásia.
“Quanto mais longe a gente for, mais vai chegar a mensagem pras pessoas”, afirmam.
Depois de 12 anos de trajetória, o Black Pantera segue olhando para frente, e, entre novas composições e diferentes possibilidades sonoras, a acomodação definitivamente não parece estar nos planos.
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Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]
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