Salário mínimo e aposentadoria: confira quais são as propostas dos candidatos a presidente

Mas propostas de mudança nas regras de indexação levantam uma preocupação: o que pode acontecer com esses valores se eles deixarem de acompanhar automaticamente a inflação ou o salário mínimo?
Por outro lado, segundo o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), as despesas com aposentadorias e benefícios devem chegar a R$ 1,218 trilhão em 2027. O dado mostra uma alta de 7,92% em relação à previsão de gastos para 2026, o que pode impactar as contas públicas em meio a um cenário de contenção de gastos.
Na eleição de 2026, os planos de governo dos candidatos à Presidência apresentam propostas para o reajuste do salário mínimo, das aposentadorias e para o futuro da Previdência Social.

Agora no g1
Entre os temas em debate estão a manutenção ou mudança dos mecanismos de indexação, a possibilidade de desindexar benefícios do salário mínimo e novas alterações nas regras previdenciárias.
🔎 Desindexar benefícios significa deixar de vincular automaticamente o reajuste de um benefício a outro indicador ou valor de referência. Hoje, benefícios do INSS (como aposentadoria e o BPC) e o salário mínimo são reajustados pela inflação do ano anterior. Com a desindexação, eles poderiam ter uma regra própria de reajuste, ou então poderiam depender de uma decisão tomada ano a ano pelo governo e parlamentares para o reajuste.
Veja as propostas dos candidatos a presidente:
Lula (PT)
Lula faz campanha em Montes Claros (MG) — Foto: Ricardo Stuckert
O presidente, que disputa a reeleição, propõe manter a regra de reajustes do salário mínimo com aumentos reais para trabalhadores, aposentados e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Em relação às aposentadorias, pretende diversificar as fontes de custeio para reestruturar a base de financiamento da Previdência e regulamentar a contribuição previdenciária no trabalho mediado por aplicativos. Também propõe a ampliação do acesso à Previdência.
No plano de governo do presidenciável, não há menções a mudanças no cálculo dos benefícios previdenciários nem do salário mínimo.
Flávio Bolsonaro (PL)
Flávio Bolsonaro faz campanha em Vitória da Conquista (BA) — Foto: Charles Vieira
O candidato do PL propõe a digitalização dos processos e uma gestão profissional sem interferência de entidades sindicais. Propõe a edição de um pacote antifraude na Previdência e blindar os fundos de pensão das estatais contra indicações políticas.
Na proposta do candidato, há a menção de uma "ampla revisão normativa infralegal" que envolve, inclusive, questões previdenciárias. O plano cita "o corte de no mínimo 10 ministérios, a redução de cargos comissionados e de despesas administrativas e o combate aos penduricalhos e supersalários que corroem o orçamento".
Augusto Cury (Avante)
Augusto Cury em entrevista a podcast — Foto: Divulgação
No plano de governo do presidenciável, não há menções à desindexação ou reajustes no cálculo dos benefícios previdenciários nem do salário mínimo.
Questionado sobre uma proposta sobre o salário mínimo em entrevista à Globo, o escritor reforçou que garantirá, pelo menos, a reposição da inflação "mais 1% ao ano".
"A minha proposta é muito clara. Nós precisamos ter uma classe média pujante. Vamos repor a inflação +1% ao ano e nós esperamos que, no final de 4 anos, 48 meses, nós tenhamos, se for juros compostos, talvez 50%, 60% de aumento do salário mínimo", afirmou
Ronaldo Caiado (PSD)
Ronaldo Caiado, candidato à Presidência da República pelo PSD — Foto: Raul Luciano/Ato Press/Estadão Conteúdo
No plano de governo do presidenciável, não há menções à desindexação ou reajustes no cálculo dos benefícios previdenciários nem do salário mínimo.
“O pobre coitado pegando um salário mínimo, o pobre coitado que está vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz, pelo amor de Deus. Vamos dar o exemplo que um presidente precisa de dar. Vamos cortar na própria carne. Vamos para cima desses salários abusivos”, disse o candidato.
Renan Santos (Missão)
Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo Missão — Foto: Rodilei Morais/Fotoarena/Estadão Conteúdo
No plano de governo, Renan Santos propõe uma "PEC do Equilíbrio Fiscal". Na proposta, o candidato pretende desindexar benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, passando a corrigi-los exclusivamente pela inflação (IPCA).
O plano de governo dele aponta a necessidade de uma nova reforma da Previdência.
"Vamos precisar fazer outra reforma da Previdência. Vai quebrar em três anos, você não tem aposentadoria, tá? Vou deixar claro porque eu não sou populista fiscal”, disse Renan à Globo.
Romeu Zema (Novo)
Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência da República — Foto: Gabriel Pinheiro / CNI / Divulgação
No plano de governo, o candidato do Novo propõe uma reforma da Previdência "definitiva", envolvendo os estados, municípios, previdência rural e militar.
No caso das aposentadorias, Zema defende a criação de um mecanismo de reajuste automático da idade mínima para aposentadoria com base na evolução da expectativa de vida da população e na sustentabilidade do sistema no longo prazo.
Além disso, se eleito, pretende desengessar o orçamento público e revisar as regras de crescimento automático de despesas obrigatórias — não está claro, no entanto, se as novas regras abrangerão os benefícios previdenciários ou o salário mínimo.
Ao falar da reforma previdenciária que pretende fazer, se eleito, Zema afirmou que, por enquanto, não pretende aumentar as idades mínimas para aposentadoria.
"A aposentadoria vai depender muito disso. Agora, o brasileiro já trabalha muito. Eu não quero o brasileiro trabalhando mais. Eu quero a renda do brasileiro aumentando”, afirmou.
Samara Martins (UP)
Samara Martins, nome do Unidade Popular (UP) à Presidência da República — Foto: Divulgação/Cali Costa/UP
Samara Martins propõe aumento imediato de 100% do salário mínimo, rumo ao valor calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) como salário mínimo necessário.
A candidata defende a valorização real permanente do salário mínimo acima da inflação.
🔎 O "salário mínimo necessário" é calculado mensalmente pelo Dieese. O cálculo mais recente, de agosto, aponta que o brasileiro deveria receber R$ 7.565,86. O salário mínimo no país atualmente é de R$ 1.621.
Samara defende revogar a reforma da Previdência, a reforma trabalhista e o arcabouço fiscal, além de reajustar os benefícios sem restrições fiscais e garantir cobertura previdenciária a trabalhadores informais e de aplicativos.
Clariana Barão (DC)
Clariana Barão, candidata à Presidência pelo Democracia Cristã, fala sobre propostas de governo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
No plano de governo da presidenciável, não há menções à desindexação ou reajustes no cálculo dos benefícios previdenciários nem do salário mínimo.
Edmilson Costa (PCB)
Edmilson Costa, candidato à Presidência pelo PCB, fala sobre propostas de governo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O candidato do PCB propõe recuperar o poder de compra do salário mínimo, com a meta de atingir o valor calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em até quatro anos, além de isentar do Imposto de Renda quem ganha até esse valor.
Na Previdência, Edmilson Costa defende a revogação das reformas da Previdência e trabalhista, a ampliação da Previdência pública para toda a população, a recuperação de perdas acumuladas por aposentados e a criação do “Banco dos Trabalhadores” para gerir os fundos previdenciários.
Hertz Dias (PSTU)
Hertz Dias, candidato do PSTU à Presidência, faz campanha em São José dos Campos, interior de SP — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Hertz Dias defende aumento de 100% no salário mínimo, em direção ao valor calculado pelo Dieese, além de bolsa de um salário mínimo para desempregados e isenção de Imposto de Renda para quem ganha até 10 salários mínimos.
Na Previdência, propõe revogar a reforma de 2019, reduzir a idade mínima para aposentadoria, garantir valorização real dos benefícios e ampliar a cobertura para trabalhadores informais.
Rui Costa Pimenta (PCO)
Rui Costa Pimenta, candidato do PCO à Presidência da República — Foto: Reprodução
Rui Costa Pimenta defende um salário mínimo vital "de pelo menos R$ 7.500, definido por organizações operárias", e a adoção de uma escala móvel de salários, com reajustes automáticos quando a inflação subir 3%.
Para a Previdência, propõe revogar as reformas que afetem trabalhadores e aposentados, com aposentadoria integral após 25 anos de trabalho para mulheres e 30 para homens, além da reposição de 100% das perdas e gestão dos fundos pelos próprios trabalhadores.
Wilson Grassi (Democrata)
Wilson Grassi, candidato do Democrata à Presidência, faz campanha em São Paulo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O candidato do Democrata defende que a faixa de isenção do Imposto de Renda suba com o ganho real do salário mínimo. Propõe ainda fixar o piso do soldo militar das Forças Armadas no valor do salário mínimo nacional.
Sobre aposentadorias, Grassi propõe a substituição da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamento pelo Imposto Único Federal, como forma de desonerar contratações.
Leonardo Avalanche (PRTB)
Leonardo Avalanche, presidente do PRTB — Foto: Reprodução/Instagram de Leonardo Avalanche
O plano de governo do candidato do PRTB não tem propostas específicas sobre salário mínimo ou Previdência Social.
A única menção relacionada aos temas é a proposta de alterar a contribuição hoje cobrada de empresas e de trabalhadores para o INSS. Avalanche prevê, se eleito, criar um imposto único de 3,5%, que vai substituir vários tributos, entre eles o INSS.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.