Será Andy Burnham capaz de reverter o Brexit?

O atual Primeiro-Ministro britânico já relançou formalmente o debate sobre a eventual readmissão do Reino Unido à União Europeia (UE). Em Bruxelas, líderes europeus manifestaram informalmente a sua disponibilidade para acolher o país de volta. Não há dúvidas sobre os benefícios económicos, geopolíticos e de segurança militar para ambas as partes, que sairiam amplamente reforçadas com esta aliança. No entanto, a capacidade real de concretizar um regresso total a curto prazo esbarra em complexos desafios políticos e estruturais. Para já, a prioridade imediata de Downing Street não é a adesão plena, mas sim renegociar o atual acordo comercial pós-Brexit; Andy Burnham tem planeado um encontro oficial com a liderança europeia para debater temas críticos como a migração e o comércio de produtos agrícolas.
No debate que agora se reacende, uma voz que se tem destacado é a de Stephen Kinnock, Secretário de Estado para o País de Gales. Membro do Partido Trabalhista e deputado pela circunscrição de Aberafan Maesteg (anteriormente denominada Aberavon) desde 2015.
Kinnock gere diretamente a articulação constitucional e as relações pós-Brexit no território galês — uma das regiões mais afectadas do país devido à perda drástica de fundos comunitários europeus.
Este novo fôlego na discussão pública também trouxe à tona verdades incómodas. No conhecido podcast “The Rest Is Politics”, o Primeiro-Ministro afirmou ser “evidente” que o Kremlin interferiu diretamente no referendo do Brexit em 2016. O jornalista George Monbiot ( a trabalhar na BBC) trouxe novamente essa interferência russa para a ribalta ao declarar publicamente:
“Há uma razão pela qual a Rússia tentou interferir na votação do Brexit: eles sabiam que, se saíssemos, isso prejudicaria tanto o Reino Unido quanto a União Europeia. Eles foram muito claros quanto a isso — e, puxa vida, como acabaram tendo razão.
Isso causou danos à nossa vida económica, social e cultural. Só o País de Gales perdeu, em termos líquidos, 1 bilhão de libras em financiamento regional que teria recebido da UE. Essa ruptura enfraqueceu consideravelmente as oportunidades — especialmente para os jovens — de trabalhar, viver no exterior e desfrutar das liberdades que tínhamos antes. Poderíamos voltar a integrar a União Aduaneira ou o Mercado Único; mas, se o fizéssemos isoladamente, seríamos apenas ‘seguidores de regras’ — teríamos de aceitar tudo o que a UE determinasse sem estarmos à mesa a negociar. Como alguém da plateia observou, a União Europeia está a mudar. Mas isso não é um motivo para não regressarmos; pelo contrário, é a razão ideal para estarmos lá dentro e ajudarmos a moldá-la para que se torne o tipo de União que desejamos. Não creio que exista outra opção a não ser voltar a integrar o bloco plenamente.”
Esta aproximação estratégica promete ser o grande cavalo de batalha do 59.º Primeiro-Ministro britânico, que tenta assim atacar directamente a raiz da turbulência e da instabilidade governativa instaladas em Downing Street desde 2016.
O assunto é seguido com particular atenção por todos os portugueses que, como eu, testemunharam a transformação do Reino Unido do pré para o pós-Brexit e o modo como afectou o espírito deste país. É igualmente acompanhado de perto pelos jovens britânicos, maioritariamente a favor de uma readesão.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.