Centeno nega segundas intenções (mas "neste momento")

Durante a apresentação, perante uma sala cheia (e com muitas figuras do costismo), Centeno quis falar apenas de dois dos políticos presentes, para lhes agradecer: um antigo líder do PS e o atual. Mas foram referências — nomeadamente a Costa — desproporcionalmente curtas face à intensidade da relação. A Costa agradeceu por o ter “colocado nestes preparos”. A Carneiro disse apenas que lhe reconhece “o esforço”, mas como a todos os outros líderes políticos, “porque hoje não é fácil olhar para todos estes problemas”. Ponto final.
Vendeu a necessidade de um político com trabalho feito, “preparação”, para chegar lá. “Não há coragem política, há preparação. A coragem sem preparação aproxima-se da imprudência”, disse o ex-governador que tantas vezes puxa do seu currículo académico para se comparar a quem se dedica exclusivamente à política — veja-se na comparação com Passos, por exemplo.
“As responsabilidades do político são de preparar o futuro antes dele chegar”, disse ainda, apontando aos que “governam e não veem o futuro chegar e ainda se espantam quando ele chega.” A tirada saiu-lhe quando falava no seu próprio património, a que tem regressado com especial veemência quando os tempos apertam a saúde das finanças pessoais e públicas. “As contas certas são mais do que saldos orçamentais. São a recuperação da confiança”, afirmou.
Na sala estava um sem-fim de antigos governantes dos vários tempos de Costa à frente da governação. Estava o seu sucessor e colega de Centeno nas Finanças, João Leão, Pedro Siza Vieira (Economia), Ricardo Mourinho Félix e António Mendonça Mendes (secretários de Estado da equipa das Finanças), Ana Mendes Godinho (Segurança Social), José António Vieira da Silva (também da Segurança Social), Manuel Caldeira Cabral (Economia), Pedro Adão Silva (Cultura), Nelson Souza (Planeamento), Mariana Vieira da Silva (Presidência), Matos Fernandes (Ambiente), Tiago Antunes (Assuntos Europeus), Gabriela Canavilhas (Cultura), Eurico Brilhante Dias (que foi secretário de Estado da Internacionalização e é líder parlamentar do PS) e André Moz Caldas (que foi seu chefe de gabinete no Ministério e é agora porta-voz do PS).
Estavam também figuras de outras áreas políticas, como David Justino — que, no livro, é protagonista na história de um convite secreto feito a Centeno, quando ele ainda era um desconhecido do público –, o presidente da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, João Maria Jonet, e o antigo deputado comunista Duarte Alves. Um elenco variado que pode vir a ser valioso se um dia chegar “o momento”. Talvez, como nas Escrituras, quando e se o galo cantar.
[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
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