Manifestações contra AfD a dias de eleições regionais

“Nie wieder ist jetzt” (“Nunca mais é agora”) lia-se nos cartazes enquanto cerca de 150 pessoas se concentravam este sábado no centro de Schwerin para pedir a verificação constitucional da extrema-direita, a oito dias das eleições em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental.
Há mensagens repetidas, música meio improvisada, pessoas a cantar e cartazes de vários tamanhos levantados no ar na Grunthalplatz, junto à estação central, onde começou, ao fim da manhã deste sábado, a manifestação da PRÜF MV, organização que promove protestos em defesa da verificação da constitucionalidade do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD).
Entre os participantes há quem tenha vindo defender a democracia, quem tema o crescimento da extrema-direita e quem queira que os partidos classificados como extremistas sejam submetidos a uma análise constitucional.
“Podemos não ser muitos, mas fazemos barulho”, aponta Dirk, que vai assistindo mais afastado.
“Eu estou aqui para apoiar a criação de um procedimento que permita verificar se um partido atua contra o Governo, a política e a democracia”, sublinha à Lusa.
O objetivo, explica, é perceber se os partidos que concorrem às eleições respeitam a Constituição e, caso contrário, avaliar se existem fundamentos para iniciar um processo de proibição.
A manifestação em Schwerin integra uma mobilização que acontece em vários pontos da Alemanha. A PRÜF convocou protestos em 15 capitais estaduais para defender que os partidos classificados pelo serviço de proteção da Constituição como suspeitos de extremismo de direita ou como comprovadamente extremistas sejam submetidos a um procedimento de análise pelo Tribunal Constitucional Federal.
A iniciativa ganhou maior atenção depois das eleições na Saxónia-Anhalt, no passado domingo, quando a Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema-direita, conseguiu 43,8% dos votos, o seu melhor resultado numa eleição estadual alemã.
“Naturalmente, temos medo que os extremistas de direita estejam no parlamento estadual e possam até assumir responsabilidades de governo”, revela à Lusa Janine, da PRÜF MV.
“Simplesmente não deveriam estar nas eleições“, acrescentou.
Kristina, outra das participantes, fala também da necessidade de não deixar que o crescimento da extrema-direita seja encarado como algo inevitável.
“Estar na rua é uma forma de mostrar que há pessoas dispostas a defender a democracia e os direitos que consideram fundamentais, é isso que estou a fazer e vou continuar a fazer”, descreve.
“É importante agir antes que os resultados eleitorais tornem mais difícil travar este avanço”, acrescenta Stefan, que assiste aos discursos da organização.
“Um procedimento de análise é apenas um dos muitos passos necessários para que as pessoas voltem a sentir o valor da democracia e da liberdade”, sustenta Janine.
O tema ganha particular peso em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, onde os eleitores vão às urnas no próximo domingo, dia 20 de setembro. A AfD aparece à frente nas sondagens, com 38% das intenções de voto, enquanto o Partido Social Democrata alemão (SPD) surge com 33%, segundo uma sondagem Infratest dimap divulgada esta semana.
O resultado da Saxónia-Anhalt já mobilizou milhares em várias cidades do estado, e de todo o país.
A PRÜF organiza manifestações desde novembro de 2025 e, segundo os dados divulgados pela organização, já promoveu 76 protestos em todo o país, com mais de 145 mil participantes.
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