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Saturday, November 7, 2026

Peña depõe sobre crise bancária no Paraguai após impeachment

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O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña começou a prestar depoimento neste sábado, 7, após ser destituído e preso na sexta-feira por suspeita de envolvimento na crise bancária que atinge milhões de pessoas no país. As informações são da AFP, com base em comunicado do Ministério Público.

A crise teve início na terça-feira, quando o Banco Central do Paraguai (BCP) interveio no Ueno Bank por problemas de solvência. A medida deixou milhões de clientes sem acesso aos depósitos.

Investigado por quebra de confiança, tráfico de influência e gestão em proveito próprio, Peña chegou à sede do Ministério Público por uma entrada lateral, pouco depois das 11h, no horário local, o mesmo de Brasília.

Responsável pela investigação, o procurador Christian Benítez afirmou à imprensa local que fatos e provas seriam apresentados durante o depoimento. Segundo ele, uma acusação formal poderia ser apresentada “no decorrer da tarde”.

Peña passou a noite sob custódia no Regimento de Escolta Presidencial. Antes, havia sido retirado de sua residência, onde manifestantes cobravam sua transferência para uma prisão comum.

“Queremos ver o responsável por essa desgraça preso. Cadeia para Peña!”, disse à AFP a advogada Macarena Chilavert, de 33 anos, nas proximidades da Procuradoria.

O ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo, que também está detido, foi intimado a depor neste sábado.

A crise do Ueno Bank atinge diretamente quase 3 milhões de contas, de clientes como aposentados, empresas públicas e privadas e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

Como a crise levou à queda de Peña

A intervenção no banco desencadeou protestos, reprimidos pela polícia com caminhões hidrantes e gás lacrimogêneo.

Integrante do conservador Partido Colorado, Peña foi preso em sua casa, em Assunção, menos de uma hora depois de ser destituído pelo Senado em um processo acelerado de impeachment.

O então vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu o cargo e iniciou neste sábado seu primeiro dia completo à frente do governo. A resposta ao colapso bancário que provocou a queda de Peña concentra as atenções sobre a nova gestão.

Perto da sede do Ministério Público, enquanto o ex-presidente prestava depoimento, a estudante Leila Cosini, de 28 anos, relatou preocupação com o destino de seus depósitos.

“Perdi meu dinheiro. Eu estava colocando dinheiro lá justamente porque era fácil abrir uma conta. Eu gostava muito do aplicativo deles”, afirmou à AFP.

O que o novo governo anunciou

Ao tomar posse, Alliana prometeu compensar os atingidos pelo que chamou de “desastre financeiro” e determinou medidas imediatas, com prioridade para os clientes de menor renda.

Em entrevista coletiva neste sábado, o Banco Central informou que já havia restituído parte dos depósitos a quase 1,2 milhão de clientes. Segundo a instituição, as devoluções continuarão ao longo da próxima semana.

O BCP também divulgou uma relação de instituições bancárias que funcionarão durante o fim de semana.

Nas ruas, a incerteza sobre a recuperação dos recursos e a revolta contra Peña dominam as conversas entre os paraguaios.

Alliana, de 52 anos, começou o dia com reuniões ministeriais e mudanças no gabinete. Nomeou Ariel Martínez para o Ministério do Interior e também escolheu um novo titular para a pasta de Obras Públicas.

O presidente cobrou rapidez da equipe no atendimento aos afetados e reiterou a promessa de compensação.

“Não quero ninguém hesitante à frente desta missão. Quero resultados”, afirmou na sexta-feira, ao assumir a Presidência.

Como foi a destituição do ex-presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou Alliana e manifestou disposição para trabalhar com o novo governo de forma aberta, franca e cooperativa. Lula também expressou o desejo de recebê-lo em breve em Brasília.

A embaixada dos Estados Unidos classificou o Paraguai como um “parceiro regional estratégico” e defendeu a cooperação com Alliana, que deverá concluir o mandato em agosto de 2028.

Peña perdeu o apoio do Partido Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes, que governou entre 2013 e 2018. No Senado, a destituição foi aprovada com 44 votos favoráveis e uma ausência.

Foi o segundo impeachment a resultar na queda de um presidente paraguaio desde a retomada da democracia. Em 2012, o então presidente Fernando Lugo foi afastado em pouco mais de um dia, em um processo acelerado sob a acusação de “mau desempenho de suas funções”.

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