As imagens da destruição em bases militares americanas após ataques do Irã

- Author, Kayla Epstein e Bernd Debusmann Jr.
- Role, BBC News
Published
Tempo de leitura: 7 min
As fotos foram fornecidas por militares da ativa. Elas mostram um avião-radar destruído, trailers arrasados e construções gravemente danificadas.
As fotos não têm data. Elas foram tiradas em bases e instalações americanas na Arábia Saudita e no Kuwait.
Um membro das Forças Armadas americanas, não identificado pela CBS, declarou que "estes são danos importantes às nossas bases que não foram comunicados ao público americano".
"Estávamos ali, com os olhos fechados, sendo diretamente atacados."
A Casa Branca foi consultada e orientou a BBC a entrar em contato com o Comando Central dos Estados Unidos, que não respondeu ao nosso pedido de comentários até a publicação desta reportagem.
A BBC não verificou as fotografias de forma independente.
Elas foram publicadas um dia depois que um relatório do órgão fiscalizador do Pentágono confirmou que o Irã danificou e destruiu centenas de construções e estruturas nas bases americanas no Oriente Médio.
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Uma das fotos mostra um Boeing E-3 Sentry destruído na Base Aérea Príncipe Sultan na Arábia Saudita. A aeronave foi partida ao meio e sua cauda foi transformada em um emaranhado de metal.

Crédito, CBS News
Esta foto não tem data, mas a BBC Verify (o serviço de verificação de dados e imagens da BBC) confirmou anteriormente uma foto similar, aparentemente do mesmo avião-radar, em março deste ano.
Os sistemas aéreos de alerta e controle (Awacs, na sigla em inglês) Boeing E-3 são usados para detectar e rastrear possíveis alvos a longa distância, a fim de fornecer alerta precoce de possíveis ameaças.
Na época, uma autoridade dos Estados Unidos declarou à agência Reuters que 12 militares americanos ficaram feridos, dois deles com gravidade, em um ataque iraniano à base aérea.
Duas imagens sem data, supostamente do acampamento Buehring, no Kuwait, mostram trailers amassados e uma grande estrutura em forma de tenda em pedaços, com fumaça subindo no local.

Crédito, CBS News
Outra imagem mostra um edifício de quatro andares, atingido por um ataque iraniano ao acampamento Arifjan, no Kuwait.
Foram relatados danos ao local em março. Eles incluíram equipamentos de comunicação via satélite, mas não se sabe ao certo se esta imagem é do mesmo ataque.
Brian Katulis, que já trabalhou no setor de segurança nacional em governos democratas e republicanos, declarou que os danos visíveis nas imagens demonstram que os Estados Unidos "não prepararam adequadamente suas defesas".
"E existem fortes evidências de que adversários americanos, como a China e a Rússia, podem ter ajudado o Irã nos ataques", destaca Katulis. Atualmente, ele é pesquisador sênior do Instituto do Oriente Médio.
"O governo Trump não fez nada para enfrentar estas vulnerabilidades", segundo ele.

Crédito, CBS News
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As imagens foram publicadas logo após o relatório do órgão fiscalizador do Pentágono que concluiu que ataques iranianos "danificaram e destruíram centenas de construções e estruturas em bases dos Estados Unidos no Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia durante o conflito".
O organismo também destacou que as perdas com equipamentos totalizaram US$ 3,7 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões). Ao todo, os Estados Unidos gastaram com a guerra US$ 33,4 bilhões (cerca de R$ 172 bilhões) até 29 de junho, segundo o relatório.
Nos meses que se seguiram ao início da guerra, "dezenas de aeronaves americanas foram destruídas ou danificadas", prossegue o documento.
O relatório lista diversas aeronaves danificadas. Elas incluem cinco aviões de reabastecimento, que foram "danificados ou destruídos em terra na Arábia Saudita, por munições iranianas".
Outro relatório, do Escritório de Orçamento do Congresso americano (CBO, na sigla em inglês), indica que o avião E-3 não é mais produzido e precisaria ser substituído com um equivalente mais moderno, o E-7.
Segundo o CBO, a aeronave E-3, sozinha, custa US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões) e o custo total estimado dos equipamentos perdidos em batalha, incluindo aviões, drones e um sistema de defesa aérea em grande altitude, soma US$ 1,9 bilhão (cerca de R$ 9,8 bilhões).
O CBO afirma que sua análise está sujeita a "incertezas", pois o Departamento da Defesa não respondeu aos seus pedidos de informações, o que levou a agência a confiar em bancos de dados governamentais e relatórios públicos.
Além disso, a extensão dos reparos e da reconstrução planejada pelas Forças Armadas americanas ainda é incerta, segundo o relatório.
Brian Katulis afirma que, embora "estes custos demonstrem como o governo Trump queimou preciosos recursos militares, sem ter muito o que mostrar por isso", o maior prejuízo foi para a prontidão militar americana como um todo.
"Os Estados Unidos precisaram desviar equipamentos militares da Ásia para o Oriente Médio, deixando o país e seus parceiros na Ásia mais expostos e vulneráveis à China", declarou ele.
"Além disso, o esgotamento das munições americanas deixa a Rússia mais disposta a sondar as vulnerabilidades junto aos aliados americanos da Otan e a prosseguir com sua guerra de agressão contra a Ucrânia."
Os Estados Unidos detêm os recursos financeiros necessários para repor as perdas materiais. Mas o país já enfrenta problemas orçamentários e pode não ser capaz de fazer esta reposição com a rapidez necessária para se preparar para possíveis recrudescimentos no Oriente Médio ou em outras partes do mundo, segundo Katulis.

Crédito, CBS News
A pressão do público e dos políticos sobre a Casa Branca para encontrar um fim para o conflito com o Irã aumentou. A guerra começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos ao país.
Desde o início do conflito, o Irã atacou repetidamente as bases americanas e seus Estados aliados no Golfo, além de Israel.
Na noite de terça-feira (15/9), a Câmara dos Representantes americana votou pela terceira vez a favor do fim da guerra no Irã, ao aprovar uma medida que obrigaria o presidente Donald Trump a encerrar as ações militares, realizadas sem aprovação do Congresso.
A medida foi aprovada com o apoio de vários republicanos e pode ser a última votação da Câmara sobre o assunto, antes das eleições americanas de meio de mandato, a serem realizadas em novembro.
Seu caminho é incerto, já que o Senado americano não indicou se irá levar o assunto adiante.
No mesmo dia, o congressista republicano Thomas Massie, em fim de mandato, anunciou uma tentativa de impeachment do secretário da Defesa americano, Pete Hegseth, com o surgimento de novos detalhes sobre o preço da guerra no Irã para os Estados Unidos.
O governo Trump saiu em defesa de Hegseth, com o procurador-geral americano Todd Blanche declarando aos repórteres que ele vem "fazendo um trabalho fenomenal".
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