Estudantes voltam às ruas na França em '4º ato' de protestos por melhores condições de ensino
Em resposta às críticas de que o primeiro-ministro não apresentou medidas concretas diante da mobilização estudantil, a porta-voz do governo, Maud Bregeon, disse à rádio Franceinfo que seria "desonesto" prometer soluções imediatas.
Segundo ela, as reivindicações não podem ser resolvidas "em algumas horas, alguns dias ou mesmo algumas semanas", disse. "Isso exige um trabalho de longo prazo", acrescentou, ressaltando a importância da tramitação do orçamento. Ela negou a violência policial durante os protestos. "Os policiais sabem fazer a distinção necessária" e agem com "proporcionalidade" e "discernimento".
Em entrevista à emissora RMC, a deputada Clémence Guetté, do partido França Insubmissa, acusou o governo de "distrair" a população. Olivier Faure, primeiro-secretário do Partido Socialista e candidato às prévias da aliança PS/Place Publique para a eleição presidencial, disse à Franceinfo ter a impressão de que o governo "está apostando no desgaste do movimento".
"O mínimo é recebê-los, compreendê-los, ouvi-los e atender às suas demandas, porque nada do que dizem é falso", afirmou. Na terça-feira, entre 266 mil e 450 mil pessoas participaram de manifestações em todo o país, sem incidentes graves.
As organizações estudantis, que já haviam pedido a continuidade da mobilização, receberam na quarta-feira o apoio de diversos sindicatos da Educação, que convocaram uma jornada de greve e protestos. A União Estudantil convocou bloqueios em escolas e universidades na manhã desta quinta-feira, seguidos por concentrações diante das prefeituras da região parisiense entre o meio-dia e as 14h.
Suspensão de granadas de efeito sonoro
Após uma reunião considerada decepcionante com o ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, a porta-voz do sindicato estudantil, Sabrine Kharbach, convocou os manifestantes a se reunirem na Praça da Bastilha, no 12º distrito, às 15h. Na quarta-feira pela manhã, Sébastien Lecornu publicou uma mensagem na rede X propondo aos estudantes que se expressem dentro dos próprios estabelecimentos e por meio da plataforma criada na segunda-feira para receber suas reivindicações.
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