Derrota de Flávio enfraquece clã familiar e abre espaço para novos líderes no bolsonarismo
Ele projeta uma disputa entre a ala ideológica, representada pelos filhos e influenciadores nas redes sociais, e a ala mais pragmática do movimento, onde estão governadores e parlamentares mais próximos do Centrão.
A tendência, diz Prando, é que o primeiro grupo radicalize o discurso antissistema e leia a derrota como fruto de injustiça e perseguição contra o bolsonarismo. Já os pragmáticos, segundo ele, provavelmente creditarão o insucesso à falta de apelo ao eleitorado centrista, passando a defender um candidato com menos rejeição para 2030.
"O desfecho dessa disputa interna vai definir o perfil da direita nos próximos anos. A minha aposta é que, no plano eleitoral, a ala pragmática ganharia mais força porque é quem tem mandato e a máquina pública nas mãos. Mas essa base radicalizada continua sendo indispensável e nenhum candidato poderia romper com ela, sob pena de virar alvo dos radicais", analisou ele.
Sob essa ótica, ganham força o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que tem a simpatia da Faria Lima e dos partidos que formam o Centrão, e a ex-primeira-dama e agora senadora da República eleita, Michelle Bolsonaro (PL-DF). Ela se consolidou nos últimos anos como uma figura popular entre o eleitorado evangélico e feminino. Outro nome citado constantemente é o do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), político brasileiro com maior votação para a Câmara e alcance nas redes sociais.
A margem pela qual Flávio foi derrotado também o coloca em condições de reivindicar uma segunda chance em 2030. O senador, contudo, ficará sem mandato a partir de fevereiro do ano que vem e seguirá na mira de duas investigações da Polícia Federal - pelos milhões transferidos por Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse e pelos vínculos com o advogado Willer Tomaz, suspeito de um esquema de lavagem de dinheiro.
Eduardo Bolsonaro (PL) disse no início da semana ser favorável que Flávio deixasse o País em caso de derrota, sugerindo que o irmão poderia ser alvo de perseguição sob o governo Lula. O próprio Eduardo era visto na família como potencial presidenciável, mas as chances dele disputar a próxima eleição são remotas: autoexilado nos Estados Unidos, ele será preso se retornar ao Brasil pois foi condenado por coação no curso do processo. Ele articulou sanções do governo Donald Trump contra ministros do STF para tentar evitar a prisão do pai.
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