Adesão à PrEP injetável cresce, enquanto HIV tem menor incidência, diz Fiocruz
RESUMO +
Um estudo do instituto de pesquisa INI/Fiocruz, publicado nesta quinta-feira, 24, apontou cobertura preventiva em 90,8% dos dias para participantes que usaram cabotegravir injetável como PrEP, ante 35,5% com a PrEP oral. A pesquisa acompanhou 1.201 pessoas em seis capitais e registrou três infecções por HIV no grupo injetável e 18 no oral.
Um estudo brasileiro publicado nesta quinta-feira, 24, na revista científica The Lancet HIV apontou que participantes que utilizaram cabotegravir injetável como profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia de prevenção contra o HIV antes de uma possível exposição ao vírus, tiveram cobertura preventiva em 90,8% dos dias de acompanhamento.
No grupo que utilizou a PrEP oral, atualmente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), a cobertura registrada foi de 35,5% no mesmo período.
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) em seis capitais brasileiras e analisou o uso do cabotegravir dentro da rotina de atendimento da rede pública de saúde.
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O estudo ImPrEP CAB Brasil acompanhou 1.201 participantes, incluindo homens gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas não binárias e homens e mulheres trans, todos com idade entre 18 e 30 anos.
A inclusão dos participantes ocorreu entre 17 de outubro de 2023 e 16 de setembro de 2024, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Florianópolis, Manaus e Salvador. O acompanhamento seguiu até 16 de outubro de 2025.
O cabotegravir utiliza uma formulação de ação prolongada aplicada por injeção. Após as doses iniciais, o medicamento passa a ser administrado a cada dois meses. Já a PrEP oral depende do uso diário de comprimidos para manter a proteção contra o HIV.
Durante o acompanhamento, o grupo que recebeu cabotegravir registrou três novas infecções pelo HIV, com incidência de 0,20 caso por 100 pessoas ao ano. Entre os participantes que utilizaram a PrEP oral oferecida pelo SUS, foram identificadas 18 novas infecções, com incidência de 1,48 caso por 100 pessoas ao ano.
A adesão ao tratamento injetável também foi avaliada no estudo. Segundo os dados publicados, 92% das aplicações foram realizadas dentro do intervalo estabelecido pela pesquisa.
Os pesquisadores utilizaram um modelo chamado estudo híbrido de implementação de tipo 2, metodologia que analisa tanto o desempenho de uma tecnologia de saúde quanto sua aplicação na rotina dos serviços. O trabalho complementa resultados obtidos anteriormente em ensaios clínicos.
O papel da PrEP injetável na prevenção ao HIV
A PrEP, sigla para profilaxia pré-exposição, é uma estratégia voltada para pessoas que não vivem com HIV, mas possuem possibilidade de contato com o vírus.
Atualmente, o SUS disponibiliza a PrEP oral, baseada em medicamentos antirretrovirais usados de forma regular. A introdução do cabotegravir altera o formato da prevenção ao substituir o uso diário de comprimidos por aplicações realizadas a cada dois meses.
A tecnologia recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023.
Em julho, durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que o governo havia alcançado um acordo com o fabricante do cabotegravir para a aquisição do medicamento.
Em agosto, o Ministério da Saúde encaminhou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão responsável pela análise de novas tecnologias para o SUS, uma proposta para avaliar a inclusão do medicamento na rede pública.
O ImPrEP CAB Brasil integra o conjunto de estudos de implementação utilizados na avaliação de tecnologias em saúde. Essas pesquisas produzem evidências sobre o funcionamento de novas soluções dentro dos serviços de atendimento.
Após o envio à Conitec, foi realizada uma consulta pública encerrada no fim de agosto. As reuniões da Comissão ocorrem mensalmente, e a expectativa informada pelo Ministério da Saúde é que o tema seja analisado em outubro.
A avaliação da Conitec considera dados científicos, custos e impactos da incorporação antes da elaboração de uma recomendação ao Ministério da Saúde.
Os resultados do ImPrEP CAB Brasil poderão contribuir para essa análise sobre uma possível inclusão do cabotegravir na rede pública.
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PrEP oral continua disponível no SUS
A PrEP oral permanece como uma opção gratuita oferecida pelo SUS. O método utiliza medicamentos antirretrovirais para reduzir a possibilidade de infecção pelo HIV após uma exposição ao vírus.
A estratégia não oferece proteção contra outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e deve fazer parte de uma abordagem combinada de prevenção, que pode incluir o uso de preservativos, testes regulares para HIV e outras ISTs e acompanhamento de saúde.
O estudo brasileiro avaliou a implementação do cabotegravir no sistema público de saúde. Segundo os pesquisadores, os resultados apresentam dados sobre a aplicação da tecnologia na rotina dos serviços brasileiros.
'Perguntas frequentes'
Qual foi a cobertura preventiva do cabotegravir injetável no estudo? +
Segundo o estudo ImPrEP CAB Brasil, os participantes que usaram cabotegravir injetável tiveram cobertura preventiva em 90,8% dos dias de acompanhamento. No grupo que utilizou a PrEP oral, a cobertura foi de 35,5%.
Quantas infecções por HIV foram registradas em cada grupo? +
O estudo registrou três novas infecções por HIV no grupo que recebeu cabotegravir, com incidência de 0,20 caso por 100 pessoas ao ano. Entre os participantes que usaram a PrEP oral oferecida pelo SUS, ocorreram 18 infecções, com incidência de 1,48 caso por 100 pessoas ao ano.
Como funciona a aplicação do cabotegravir injetável? +
O cabotegravir possui uma formulação de ação prolongada e, após as doses iniciais, é administrado por injeção a cada dois meses. Segundo os dados publicados, 92% das aplicações ocorreram dentro do intervalo estabelecido pela pesquisa.
Quem participou do estudo ImPrEP CAB Brasil? +
O estudo acompanhou 1.201 participantes de 18 a 30 anos, entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas não binárias e homens e mulheres trans. A pesquisa ocorreu no Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Florianópolis, Manaus e Salvador.
O cabotegravir injetável já está disponível no SUS? +
O cabotegravir recebeu aprovação da Anvisa em 2023, mas sua inclusão no SUS ainda dependia da avaliação da Conitec. O Ministério da Saúde encaminhou uma proposta à comissão, que considera evidências científicas, custos e impactos antes de recomendar ou não a incorporação.
A PrEP também protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis? +
Não. A PrEP reduz a possibilidade de infecção pelo HIV, mas não protege contra outras ISTs e deve integrar uma estratégia de prevenção que pode incluir preservativos, testes regulares e acompanhamento de saúde.
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