Como homens fortes da CBF viraram suplentes ao Senado de Lira e Renan em AL

Já o diretor de seleções e ex-prefeito de Boca da Mata (AL) Gustavo Feijó (PP) é o segundo suplente do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), que disputa o Senado pela primeira vez. A explicação da escolha vem da antiga relação política entre eles, que nada tem a ver com futebol.
Os dois nomes da bola rechaçam a ideia de confronto ideológico entre eles.
"Gustavo e eu somos amigos. A diferença político-partidária não tem nada a ver com a CBF. Torço para que nós dois consigamos chegar à eleição, com a vitória dos dois senadores. Torço, mas, desde que o primeiro colocado seja a gente, e eles fiquem com o vice-campeonato", brinca Feijó. Já Gustavo Dias não quis comentar.

Brasiliense no Senado por AL
A escolha de Gustavo Dias Henrique chamou a atenção porque ele fez toda sua vida na capital federal, sem passagens profissionais ou políticas por Alagoas.
Não houve qualquer anúncio público por parte de Renan ao nome dele e não há registros dele em Alagoas fazendo campanha. Na palavra de um aliado do governador que o indicou, a amizade com Gustavo "é uma das maiores, senão a maior" de Paulo Dantas, que estudou com ele em Brasília quando seu pai, Luiz Dantas, era deputado federal (1991 a 2007).
Ele só entrou na chapa após a convenção e em substituição ao advogado Paulo Leão —que até foi registrado, mas apenas "aqueceu" a cadeira.
Curiosamente, no atual mandato, Renan tem dois suplentes de Alagoas com ligação com o futebol alagoano: o ex-presidente do CSA Rafael Tenório (MDB) e a vereadora de Maceió Silvana Barbosa (Solidariedade), que é esposa do deputado estadual e ex-presidente do CRB Marcos Barbosa (PT).
Gustavo Dias Henrique começou a atuar na CBF ainda na gestão Ednaldo Rodrigues, sendo diretor de relações institucionais. Com a queda de Ednaldo, ele foi voz ativa na articulação política que resultou na união das federações e dos clubes necessários para levar Samir Xaud à presidência.

A história pública de Gustavo começa em 2002, quando assumiu como "executor de políticas públicas" na Subsecretaria de Direitos Humanos e Cidadania. Em 2005, passou a atuar em programas de apoio à juventude do Distrito Federal até o ano seguinte. Depois, foi para Câmara Legislativa do Distrito Federal e atuou entre 2007 e 2015.
Entre 2015 e 2019, assumiu vários cargos diferentes de direção na Terracap (Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal). Desde 2018, está como diretor-presidente da Biotic S/A, que é uma subsidiária integral da Terracap.
A única relação dele com Alagoas advém do título de cidadão honorário de Alagoas, concedido em projeto pela mesa diretora da Assembleia Legislativa, em abril de 2024. A justificativa oficial da outorga foi de "reconhecimento às suas notáveis contribuições no campo das políticas públicas" que "ressoam com os valores e aspirações do povo de Alagoas".
Quem é Feijó

Na entrada antes da convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo, Gustavo Feijó chamou atenção recebendo um afetuoso abraço do técnico Carlo Ancelotti.
Feijó tem o cargo de diretor de seleções, em uma composição política com o grupo que assumiu o comando da CBF. Mas a questão operacional e de cotidiano da pasta fica com o coordenador Rodrigo Caetano. Feijó está envolvido na campanha e não vem ao Rio desde o embarque da seleção para a Copa.
Ele é um velho conhecido da política em Alagoas: foi prefeito de Boca da Mata por dois mandatos: eleito em 2012 pelo PDT e reeleito em 2016 no então PMDB.
No segundo mandato, chegou a ser afastado do cargo, em março de 2019, por suspeita de comandar um esquema de desvio de recursos da prefeitura. A decisão em primeira instância, porém, foi revogada pelo TJ-AL (Tribunal de Justiça de Alagoas) 11 dias depois.
Enquanto ainda era prefeito, Feijó foi eleito vice-presidente da CBF com o paulista Rogério Caboclo, em 17 de abril de 2018. Chegou a formar uma dupla com Ednaldo no comando prático da CBF em 2021, quando Caboclo foi afastado, mas os dois brigaram. Feijó virou opositor de vez.
Em janeiro de 2022, a Justiça Eleitoral declarou inelegibilidade dele por conta de suposto uso da prefeitura para beneficiar o sobrinho Bruno Feijó na eleição (vitoriosa) de 2020. Ao final de março do mesmo ano, porém, a decisão foi revista.
Sua atuação no futebol é mais antiga do que na política: na primeira década do século foi dirigente do CRB. Em 2008, assumiu a presidência da FAF (Federação Alagoana de Futebol), onde ficou até abril de 2015, passando o bastão para o filho Felipe Feijó.
Reportagem
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