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Wednesday, November 4, 2026

7 filmes brasileiros exibidos na 50ª Mostra de SP para manter no radar, segundo Rolling Stone

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No 50º ano do evento, Rolling Stone Brasil conferiu mais de 30 filmes, com ótimos destaques nacionais entre eles

Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)

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7 filmes brasileiros exibidos na 50ª Mostra de SP para manter no radar, segundo Rolling Stone (Divulgação)

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, um dos principais eventos de cinema do Brasil e da América Latina, encerrou oficialmente nesta quarta-feira, 4 de novembro, após duas semanas em cartaz e mais seis dias de repescagem. No 50º ano do evento, a Rolling Stone Brasil conferiu mais de 30 filmes, com ótimos destaques nacionais entre eles. Confira a seguir 7 filmes brasileiros da Mostra de SP, eleitos por Angelo Cordeiro, repórter de cinema do site, que você precisa manter no radar:

1. Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha

Sinopse:

No zumbido silencioso de uma ressonância magnética, Rosa (Verônica Cavalcanti, Paloma) é orientada a evocar uma lembrança feliz. Em uma viagem pelo seu subconsciente, ela revisita o passado e reconstrói um episódio que nunca viveu: uma travessia com sua mãe, Dalva (Luciana Souza, Bacurau), mulher livre e irreverente que chegou a ser presa por matar um homem prestes a cometer um feminicídio. Crescida na ausência da mãe, Rosa carrega culpa e medo dessa história. Agora, suspensa entre a vida e uma memória inventada, ela imagina um reencontro que se transforma em tentativa de cura e reconciliação.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

O que começa como uma espécie de Thelma & Louise (1991), com duas mulheres cometendo crimes e fugindo pelas estradas, logo abandona qualquer compromisso com a lógica convencional para mergulhar em uma experiência tão lúdica quanto emocional. Mas, por trás de toda essa inventividade, existe uma história bastante simples e universal em Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha: a de uma filha que encontra na imaginação a possibilidade de viver ao lado da mãe aquilo que a realidade lhe negou. Leia o texto completo clicando aqui.

Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha tem previsão de estreia em 3 de dezembro nos cinemas.

2. Yellow Cake

Sinopse:

Na cidade de Picuí, no sertão da Paraíba, um grupo de cientistas tenta erradicar o mortal mosquito Aedes aegypti — transmissor da dengue — por meio de um experimento secreto intitulado Yellow Cake. Utilizando o urânio extraído da região, o projeto pretende esterilizar os mosquitos e assim conter a disseminação da doença. A física nuclear Rúbia Ribeiro (Rejane Faria, Vicentina Pede Desculpas) integra o experimento. Quando o plano fracassa e o caos se instala, uma pesquisadora brasileira determinada, com a ajuda de mineradores locais, precisa deter a catástrofe antes que seja tarde demais.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

É particularmente interessante como Yellow Cake incorpora a presença de estrangeiros interessados em explorar as riquezas minerais brasileiras, estabelecendo um diálogo com as discussões contemporâneas sobre a disputa internacional por recursos estratégicos, incluindo as terras raras. Embora o urânio utilizado na trama não pertença a essa categoria de minerais, a associação política é inevitável. Leia o texto completo clicando aqui.

Yellow Cake tem previsão de estreia em 26 de novembro nos cinemas.

3. O Filho da Puta

Sinopse:

Nas entranhas de Minas Gerais funciona a Casa Rosa, famoso prostíbulo gerenciado pela mãe de Ismael (voz de Gabriel Martins), conhecido por todos como O Filho da Puta. No intuito de encontrar o pai que nunca conheceu, ele parte de sua pequena cidade na companhia de seu cachorro, Bacalhau. No decorrer do caminho, o jovem se vê diante de situações que insistem em trazê-lo para a realidade da qual ele foge.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Com um traço autoral e um humor sem pudores, O Filho da Puta encontra no sertão mineiro o cenário ideal para a jornada de um filho (da puta) em busca do pai. A inventividade da animação se manifesta tanto na construção visual desse universo quanto nos diálogos debochados, que ganham ainda mais força com as vozes do elenco, especialmente Matheus Nachtergaele como o cachorro de três patas, Bacalhau, cujo sarcasmo estabelece uma dinâmica divertida com Ismael, dublado por Gabriel Martins.

Entre referências à cultura popular brasileira e situações que transitam entre o grotesco e o cômico, o filme abraça sua própria “filhadaputice”, embora pudesse levar sua ousadia um pouco mais longe. Ainda assim, diverte pela liberdade com que constrói seus personagens e pela maneira singular como incorpora o imaginário brasileiro à história de um homem em busca das próprias origens. Poderia render uma sucessão de continuações.

O Filho da Puta ainda não tem previsão de estreia nos cinemas.

4. A Margem do Rio

Sinopse:

Izaquiel (Caíque Copque, Mapas), um auxiliar de serviços gerais, se arrisca em encontros secretos noturnos nos manguezais do Recife, onde conhece Jeremias (Ítalo Martins, O Agente Secreto), um pescador intrigante e magnético. Quando uma ameaça violenta invade o lugar, Jeremias conduz Izaquiel às profundezas do coração do mangue, onde realidade e mito se entrelaçam.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Nos últimos anos, o cinema brasileiro tem explorado histórias de homens gays em contextos de marginalização, aproximando sexo, afeto e sobrevivência em filmes como Parque de Diversões, A Rua da Glória, Ato Noturno e Baby. A Margem do Rio dialoga com essa produção, mas amplia seu campo de investigação ao incorporar o misticismo e a religião como forças que disputam o controle sobre a vida dos personagens. Em vez de restringir o conflito à intimidade de um relacionamento, Farias e Carvalho constroem uma narrativa na qual o desejo individual esbarra em estruturas sociais capazes de transformar a diferença em motivo para humilhação e violência. Leia o texto completo clicando aqui.

A Margem do Rio tem previsão de estreia em 7 de janeiro de 2027 nos cinemas.

5. A Extraordinária Vida de Vera Valdez

Sinose:

Um retrato da atriz brasileira Vera Valdez, seu tempo de modelo para Christian Dior e, especialmente, para Coco Chanel, seu flerte com a Nouvelle Vague, sua jornada complexa pela maternidade, sua prisão e tortura durante a ditadura no Brasil. Uma mulher de devoção artística e espírito pioneiro.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Se A Extraordinária Vida de Vera Valdez começa recorrendo a uma estrutura relativamente convencional, logo encontra uma forma mais afinada com a personalidade de sua protagonista. Entre lembranças, imagens de arquivo e registros dos encontros com Vera, a narrativa se afasta da cronologia rígida e passa a acompanhar o movimento irregular da memória. O passado não aparece como um território encerrado, mas como algo que continua a reverberar no presente. Mais do que organizar os acontecimentos de uma vida, Fábio Meira parece interessado em capturar a energia de alguém que ainda encontra maneiras de surpreender. Leia o texto completo clicando aqui.

A Extraordinária Vida de Vera Valdez ainda não tem previsão de estreia nos cinemas.

6. Se Eu Fosse Vivo… Vivia

Sinopse:

No Brasil dos anos 1970, Contagem ainda é uma cidade em crescimento e o lar de um jovem casal apaixonado. Gilberto pede o perdão de Jacira pouco antes de um encontro inesperado mudar o rumo de suas vidas. Cinquenta anos depois, Gilberto (Norberto Novais Oliveira) e Jacira (Conceição Evaristo) estão juntos há quase cinco décadas. Casal carismático e gentil, na casa dos setenta anos, eles levam uma vida feliz apesar dos problemas de saúde que acompanham a idade, compartilhando quase todas as atividades do dia a dia lado a lado. Quando Jacira é subitamente internada, Gilberto passa a vivenciar eventos perturbadores – numa espiral através do tempo e do espaço – que o conduzem rumo ao desconhecido.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Ao acompanhar Gilberto e Jacira, casal que atravessa cinco décadas de vida em comum, André Novais Oliveira parte de um terreno familiar para mergulhar como nunca no místico, na fantasia e na ficção científica. A mudança de registro é uma aposta corajosa, que expande as possibilidades de um cinema historicamente associado à observação delicada do cotidiano e encontra no fantástico novas formas de abordar o amor, a passagem do tempo e os mistérios da ausência. Leia o texto completo clicando aqui.

Se Eu Fosse Vivo… Vivia ainda não tem previsão de estreia nos cinemas.

7. Pequenas Tragédias

Sinopse:

Em 2011, Daniel Nolasco se mudou da pequena cidade que nasceu, no interior do Brasil, para o Rio de Janeiro. Foi fazer faculdade. Era o primeiro de um grupo de amigos queers que deixava a cidade. Dez anos depois, nenhuma das pessoas que formavam esse grupo mora mais lá, alguns morreram e os que estão vivos se mudaram para algum centro urbano. A cidade se chama Catalão, um lugar que todos dizem ser bom demais para viver.

Breve comentário, por Angelo Cordeiro:

Durante muito tempo, o cinema LGBT+ pareceu condenado a contar histórias em que personagens gays precisavam sofrer para que suas existências fossem reconhecidas. Daniel Nolasco, porém, encontra outra maneira de revisitar essas experiências, sem ignorar as dores, mas recusando-se a fazer delas o único caminho possível. Leia o texto completo clicando aqui.

Pequenas Tragédias ainda não tem previsão de estreia nos cinemas.

LEIA TAMBÉM: 50ª Mostra de Cinema de São Paulo: Confira a cobertura completa de Rolling Stone Brasil

Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)

Angelo Cordeiro é repórter do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, escreve sobre filmes desde 2014. São-paulino, pisciano, paulistano do bairro de Interlagos e fanático por Fórmula 1, listas e rankings.

TAGS: 50ª Mostra de Cinema de São Paulo, A Extraordinária Vida de Vera Valdez, A Margem do Rio, Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, O Filho da Puta, Pequenas Tragédias, Se Eu Fosse Vivo... Vivia, Yellow Cake
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