‘EA Sports FC 27’: Difícil não pensar que é o mesmo jogo com uma nova capa

O game desse ano traz o ‘Grounds’ como grande aposta, mas o modo parece mais promessa de futuro do que presente entregue
Kadu Soares (@kadusoares__)
Todo ano a mesma conversa. A EA anuncia uma lista de novidades que, no papel, soa transformadora e, na prática, entrega um jogo familiar demais para ser chamado de revolução e polido o suficiente para não decepcionar completamente. EA Sports FC 27 chegou em 25 de setembro seguindo esse ritual, mas desta vez com uma aposta maior do que o habitual: The Grounds, um modo de mundo aberto que promete mudar a forma como os jogadores interagem com o universo do jogo. É difícil não pensar que você ainda está jogando o mesmo título com uma nova capa, e em grande parte essa sensação é justificada. Mas há uma ou outra coisa que mudou de forma genuinamente interessante aqui, e elas merecem ser apontadas antes de qualquer veredicto.
The Grounds foi desenvolvido à sombra do sucesso de NBA 2K e parte de uma premissa interesante: você cria um personagem, entra em um espaço social dividido em três bairros (Montclair, Zeiza e Parkside) e pode disputar partidas de 1v1, 2v2, 3v3 e 4v4, além de participar de minijogos, como corridas de drible e Bocce Ball, em que o objetivo é passar a bola por aros em movimento. O visual é atraente, a ambientação reúne referências culturais do futebol mundial e o mapa traz participações de jogadores reais, como Kylian Mbappé e Jude Bellingham. Depois da primeira hora de exploração, porém, o modo se parece mais como um espaço de menus glorificado. Os minijogos se tornam repetitivos rapidamente, a interação depende de encontrar outros jogadores conectados e The Grounds não se conecta aos modos Carreira de Jogador nem Ultimate Team — um isolamento que limita bastante seu apelo. É uma primeira versão que estabelece as bases para algo maior. Mas você está pagando pelo jogo de agora, não pela promessa de EA Sports FC 28.
Na jogabilidade, as mudanças são mais sutis, mas também mais bem-vindas. O sistema Authentic Gameplay 2.0 reduz significativamente a automatização da defesa: é preciso posicionar os jogadores com mais atenção, o que torna os duelos mais equilibrados e dá mais espaço aos bons atacantes. As corridas dos companheiros de equipe também ficaram mais inteligentes, abrindo espaços com mais frequência e naturalidade. Já as cobranças de escanteio agora permitem controlar manualmente a trajetória da bola, acrescentando habilidade a uma situação antes dependente demais da sorte. Ainda assim, a fisicalidade dos duelos segue inconsistente e frustrante, e a bola continua a se comportar de maneira improvável em momentos decisivos.
Visualmente, EA Sports FC 27 é competente, mas não excepcional. As animações de craques como Erling Haaland e Vini Jr. estão cada vez mais realistas, e a iluminação dos estádios ganhou novas camadas, especialmente bonitas nas partidas noturnas. No PC, a EA finalmente fez a lição de casa: novas predefinições gráficas, indicador de uso da VRAM, controles de teclado reformulados e tempos de inicialização menores fazem desta a melhor versão da plataforma em anos. Ainda assim, quem não joga há duas edições talvez precise de alguns minutos para perceber que está diante de um novo jogo. O motor visual parece ter chegado a um platô.
O modo Carreira é o aspecto que mais surpreende. O mercado de transferências foi reformulado: agora há disputas por jogadores com clubes rivais, cláusulas de recompra e de desempenho, além de avaliações dinâmicas baseadas na forma e no moral — o chamado Dynamic OVR. Um jogador que se machuca ou atravessa uma crise pode perder pontos de avaliação geral; quem mantém uma sequência de boas atuações pode superar sua avaliação inicial. O modo Carreira de Jogador também ganhou uma rivalidade por posição dentro do próprio clube, dando mais peso à disputa por titularidade.
O Ultimate Team continua sendo o motor financeiro do jogo. A principal novidade deste ciclo é a FUT Gallery, um sistema de curadoria que permite catalogar itens de jogadores que você possui ou já teve para subir de nível e receber recompensas. A adição agrada a quem gosta de colecionar e cria uma nova camada de progressão, mas não muda a natureza do FUT: uma máquina desenhada para extrair dinheiro real.
No fim das contas, EA Sports FC 27 é o que se esperava de um novo capítulo anual: acerta nos detalhes, fica aquém na ambição e deixa sua maior aposta com cara de rascunho de algo que talvez se torne relevante daqui a dois ou três anos. Quem joga todos os anos encontrará motivos para continuar. Quem pulou a edição passada pode se perguntar se valeu a pena esperar.
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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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