Análise: Cruzeiro joga mal, escapa de goleada e mostra postura de fim de temporada

Artur Jorge manteve a mudança tática utilizada contra o Athletico-PR — e que havia rendido uma vitória larga. Mas não conseguiu corrigir a forma como a equipe marca, e foi justamente por aí que passou a derrota do Cruzeiro. O time entrou em rotação baixa e permaneceu assim durante praticamente toda a partida, mesmo com uma leve melhora no segundo tempo.
Na primeira etapa, o Santos finalizou 16 vezes, contra apenas cinco do Cruzeiro. A Raposa esteve espaçada, mesmo com quatro jogadores no meio-campo. Com liberdade, o time santista jogou como quis. Pelos dois lados, a defesa cruzeirense teve dificuldades para acompanhar as investidas adversárias, e Otávio precisou fazer cinco defesas dentro da área.
BRASILEIRO A 2026, SANTOS X CRUZEIRO - Otávio goleiro do Cruzeiro durante partida contra o Santos no estadio Vila Belmiro pelo campeonato Brasileiro A 2026 — Foto: Jota Erre/AGIF
No primeiro gol, Gabriel Bontempo avançou pelo lado direito da defesa do Cruzeiro e encontrou Cebolinha, que finalizou. João Marcelo conseguiu rebater, mas Rollheiser aproveitou a sobra para abrir o placar.
Pouco depois, outro lance expôs o problema. Fabrício Bruno e João Marcelo ficaram no mano a mano com o ataque do Santos, enquanto o camisa 15 procurava a cobertura pelo lado direito da defesa. Sem encontrar um companheiro, tentou encurtar o espaço, viu a finalização e cobrou o posicionamento dos demais. Era um alerta do que aconteceria no segundo gol.

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Em mais uma chegada em velocidade, Rony encontrou Rodiney livre pelo lado direito. O lateral cruzou para a área, e Fabrício Bruno marcou contra ao tentar diminuir o espaço de Bontempo.
Esse foi o retrato do Cruzeiro. Uma equipe sem brio, sem respiro ofensivo e exposta defensivamente. No segundo tempo, pouca coisa mudou. A Raposa não criou nenhuma grande chance, com exceção do gol já nos acréscimos. Foram 15 finalizações do Santos contra quatro do time mineiro. Otávio terminou o jogo com 31 defesas difíceis
Para a sorte do Cruzeiro, além de ter Otávio vivendo grande fase, o Santos se acomodou com a vantagem de 2 a 0 e uma partida sob controle. Artur Jorge fez alterações que pouco mudaram o cenário. Wesley no lugar de Romero foi a primeira escolha, mesmo com Gerson fazendo uma partida ruim, assim como Matheus Henrique.

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Zé Lucas, Lucas Silva, João Costa e Lucho Rodríguez também foram acionados. O primeiro entrou bem, como tem acontecido. Apesar da pouca idade, mostra maturidade e qualidade. Lucho, por sua vez, deu uma assistência, a segunda desde que chegou ao Cruzeiro. Tem recebido menos minutos que os demais reforços, mas vem sendo eficiente quando entra em campo.
O gol saiu pelo lado esquerdo do ataque do Cruzeiro. Lucho brigou pela bola na área e encontrou Matheus Pereira livre, quase dentro do gol, para diminuir o placar.
O resultado foi menos ruim do que poderia ter sido para quem assistiu à partida. O Cruzeiro mostrou um time abatido e que, em alguns momentos, pareceu entregue. Não teve ação e muito menos reação diante do cenário ruim dentro do jogo. Mesmo ainda tendo um objetivo importante em disputa, parecia uma equipe cansada e pouco disposta.
Restam 11 rodadas para o Cruzeiro buscar a vaga na Libertadores. Hoje, a equipe ocupa a sexta colocação, com 42 pontos. O ano ainda não acabou. Elenco, comissão técnica e diretoria precisam entender a urgência por resultados e, principalmente, por uma mudança de postura antes que o único grande objetivo restante também fique pelo caminho.
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