Trump xinga democratas em manhã de eleições nos EUA


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou as redes sociais na manhã de hoje para fazer críticas a opositores democratas e pedir votos para republicanos nas eleições de meio de mandato no país.
O que Trump falou
Abdul El-Sayed, candidato democrata pelo Michigan, foi o primeiro alvo de Trump nesta manhã. Trump falou que o candidato "odeia judeus, negros e brancos". "Só tolos votariam nele na corrida para o Senado", afirmou, antes de pedir votos para Mike Rodgers.
O presidente também disse que o "falso candidato do Alasca está desaparecido" e questionou se ele não foi "sequestrado" por advogados democratas. "Eles estão com medo de serem processados por fraude eleitoral", afirmou.
No Alasca, uma investigação criminal foi aberta para analisar a nomeação de um candidato independente que tem o mesmo nome do candidato republicano nas urnas. De acordo com o The New York Times, esta candidatura teria sido articulada pelo partido democrata para confundir eleitores rivais.
Eleições nos Estados Unidos
Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 do Senado serão renovadas nas eleições de meio de mandato. As urnas ficarão abertas por quase 24 horas em estados diferentes por causa do fuso no país.
As primeiras seções eleitorais abrem às 6h no horário local (8h em Brasília) em diversos estados da Costa Leste. As urnas que fecham mais tarde encerram às 20h no horário local de Oregon, o equivalente a uma da manhã de amanhã no horário de Brasília.
A apuração começa após o fechamento das urnas em cada estado, em horários diferentes devido aos fusos horários americanos. Em disputas com margens amplas, os vencedores poderão ser projetados ainda na noite de hoje. Já nas corridas mais apertadas, especialmente para o Senado, a definição poderá levar dias.
Cerca de 58 dos 210 milhões de eleitores registrados nos no país já votaram. A votação antecipada, presencial e pelo correio, é permitida nos Estados Unidos e um quarto dos votos válidos já tinha sido contabilizado até ontem.
A expectativa é de que a participação total ultrapasse 100 milhões de eleitores. A tendência mostra que o número deve se aproximar dos números registrados nas eleições legislativas de 2022.
Além do Congresso, os americanos vão escolher governadores, legisladores estaduais, prefeitos, xerifes e outras autoridades locais, dependendo da região. Em alguns estados, os eleitores também vão decidir propostas relacionadas a impostos, mudanças constitucionais, educação, segurança e outras políticas públicas.
O resultado determinará se Donald Trump continuará contando com uma maioria republicana no Congresso. Caso ele perca a maioria, precisará enfrentar uma ou duas casas legislativas controladas pela oposição nos dois últimos anos de seu mandato.
Republicanos tentam manter controle
O Partido Republicano chega às eleições tentando preservar a maioria nas duas casas legislativas. Os democratas buscam recuperar o controle da Câmara e conquistar também o Senado.
Atualmente, o Senado tem 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes alinhados ao bloco democrata. Das 35 cadeiras em disputa, 22 são ocupadas por republicanos e 13 por democratas. Para alcançar a maioria, os democratas precisam conquistar um saldo líquido de quatro cadeiras.
Três estados podem ter viradas surpreendentes na disputa pelo Senado. Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed vai às urnas contra o republicano Mike Rogers. A corrida ganhou repercussão nacional depois que a deputada democrata Haley Stevens anunciou apoio ao candidato republicano.
No Texas, o nome de destaque é do democrata James Talarico, um jovem seminarista presbiteriano que tem chances reais de vitória, segundo as pesquisas. Caso ele ganhe, Talarico quebrará quatro décadas de hegemonia republicana no estado.
No Kansas, o candidato democrata também é um pastor, Adam Hamilton, que lidara a pesquisa por 10 pontos contra o republicano Roger Marshall. Caso ele ganhe, Hamilton será o primeiro senador democrata do Kansas desde 1932.
Na Câmara, as chances de vitória democrata são maiores. De acordo com o site especializado Race to The White House, as chances de "virada" são de mais de 80%.
Suprema Corte barra pedido de Trump
Dias antes das eleições, Donald Trump tentou separar cerca de 20 mil votos enviados pelo correio na Califórnia, mas o pedido foi negado pela Suprema Corte. A decisão foi anunciada na véspera das eleições.
O Departamento de Justiça alegou que mais de 20 mil eleitores poderiam não possuir cidadania americana e pediu que os votos fossem separados até a verificação da situação dessas pessoas. A Suprema Corte rejeitou a solicitação sem apresentar uma justificativa detalhada.
Tribunais inferiores já haviam negado o pedido. Autoridades da Califórnia contestaram a confiabilidade da lista federal utilizada pelo governo e alertaram para o risco de impedir a participação de cidadãos americanos legalmente habilitados a votar.
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