Promotoria acusa empresário Ivo Kos de tortura e denuncia segurança por agressões contra dentista
O Ministério Público de São Paulo ampliou a denúncia sobre as agressões à dentista Giulia Falcão, 27, e passou a acusar o empresário Ivo Vel Kos, 48, também pelo crime de tortura. Nesta quinta-feira (22), os promotores do caso recorreram à Justiça para restabelecer a prisão preventiva do réu, solto na quarta (21).
No aditamento, o órgão atribuiu a um segurança a responsabilidade pela agressão física e pela omissão durante a violência. Câmeras registraram o homem ajudando Kos a conduzir a dentista para dentro do imóvel após o empresário agredi-la na calçada, em Pinheiros (zona oeste), em agosto. O segurança não teve a identidade divulgada.
O 15º DP (Itaim Bibi) já investigava a conduta dos profissionais que presenciaram a cena. Além do segurança que participou diretamente, as imagens mostram quando um veículo de vigilância passa pela via, mas não intervém.
O recurso contra a soltura de Kos tem cerca de 30 páginas e foi assinado pelos promotores Fabíola Sucasas, Mariana Pieragnoli e Pedro Alonso, um dia após ele deixar a Penitenciária de Potim II (a 158 km de SP).
Em nota, o Ministério Público afirmou que a libertação oferece perigo de dano concreto e que a prisão é necessária para evitar nova violência.
A soltura havia sido concedida pela juíza Carla Balestreri, da Vara do Foro Central de Violência Doméstica, após acordo de divórcio e pensão entre o ex-casal.
A Folha apurou que Giulia Falcão declarou nos autos não se opor à soltura por não ter mais receio do ex-marido. A reportagem tentou contato com a vítima, mas ela disse que não irá se pronunciar.
Antes da divulgação da nova denúncia, os advogados Michel Kusminski e Alberto Zacharias Toron disseram que o empresário "comeu o pão que o diabo amassou" no presídio, usará tornozeleira eletrônica e cumprirá "religiosamente" o afastamento da ex-mulher.
Eles foram questionados posteriormente por mensagem sobre o aditamento da Promotoria, mas não houve resposta.
O empresário havia sido preso em flagrante em 15 de agosto. A vítima relatou ter levado socos no carro ao voltar de um jantar e, na rua, ter sido agredida e levada à força para o imóvel.
A dentista afirmou que o ataque continuou com taco de beisebol, ameaças com arma de choque e cárcere privado, até conseguir fugir e pedir socorro a vizinhos. Exame pericial atestou lesões leves na face, olhos, nariz e mão.
Em depoimento após o flagrante, Kos negou as agressões no carro e no imóvel, dizendo ter sido atacado pela ex-mulher. Admitiu apenas um soco na rua e negou o uso de taco ou arma de choque.
Em 18 de agosto, Balestreri havia tornado Kos réu por lesão corporal e ameaça, data em que fixou distância mínima de 300 metros da ex-mulher, medida que a defesa afirma continuar em vigor.
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