Em áudios, suposto membro do PCC fala em 'envolver' Milton Leite

Em um dos diálogos, um homem apontado como integrante da organização menciona o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Ele diz para outro suposto membro da facção que havia falado para um advogado identificado como Milton Milreu que seria necessário "envolver o Milton Leite para resolver a questão".
Em outro trecho, o homem fala em extrema preocupação em dar ciência à Milton Leite dos fatos envolvendo a UpBus. Milton é apontado pelo MP-SP como o possível articulador político das decisões estratégicas sobre o setor de transporte público de São Paulo — inclusive as empresas investigadas. Para os investigadores, a conversa pode estar relacionada à substituição da UPBus por outra empresa, apontada no relatório como a Translíder.
A polícia também afirmou que declarações de policiais militares corroboram que Leite seria dono da empresa Transwolff, que está no centro da investigação. A empresa em questão seria uma das 12 controladas pelo PCC em São Paulo.
O UOL tenta contato com a defesa dos investigados. Havendo manifestação, este texto será atualizado.
Com a análise desses dispositivos que foram aprendidos ao longo de 2024, 2025, hoje nós identificamos aí uma possível infiltração, se é que a gente pode dizer assim, do crime organizado em empresas de transporte público. Nós identificamos aí 12 empresas de transporte que teriam envolvimento direto com o Primeiro Comando da Capital, que seriam controladas direto ou indiretamente por essa organização criminosa.
Fabricio Intelizano, delegado
O que disse Milton Leite
Leite negou "veementemente" as suspeitas que embasaram o mandado de prisão. "Não sou dono de empresa de ônibus e só assumi uma interlocução na SPTrans a pedido do Bruno Covas [ex-prefeito morto em 2021], por causa da greve de 2019. Não tem nada de ilegal", afirmou ao UOL.
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