Como o sabonete se transformou no novo item de luxo
Marcas de luxo estão investindo cada vez mais em produtos de banho como extensão da identidade da grife, e o sabonete em barra virou um dos itens mais disputados dessa categoria. O formato, que parecia relegado a hotéis e amenities básicos, reaparece em versões esculturais, perfumadas com notas assinadas por perfumistas e vendidas ao lado de bolsas e sapatos nas lojas conceito das marcas.
O movimento começou com casas de nicho como Aesop e Le Labo, que transformaram sabonetes líquidos e hidratantes de pia em item recorrente entre consumidores ligados à moda. De lá para cá, grifes maiores entraram na disputa apostando especificamente na barra sólida, que ocupa menos espaço, usa menos embalagem e ainda carrega um apelo estético que falta aos frascos líquidos tradicionais. Balenciaga e Loewe são dois dos exemplos mais completos dessa tendência, cada uma com uma proposta de produto bem diferente.
A barra que parece uma peça de resina

Sabonete Grey, da Balenciaga: design assinado por Panter & Tourron e preço de R$ 1.170 no Brasil (Divulgação)
Em 2022, sob o comando criativo de Demna, a Balenciaga lançou o sabonete Grey, desenvolvido em parceria com o estúdio de design Panter & Tourron. A peça mistura 50% de resina e 50% de sabão vegetal, pesa 155 gramas e tem acabamento que lembra concreto ou metal escovado, mais próximo de um objeto de design do que de um item de banheiro convencional. A fragrância traz notas de incenso, tabaco, papel, couro, seda, carvalho e óleo de máquina de costura, combinação que reforça o caráter industrial da grife.
O produto é vendido em uma caixa preta que funciona como estojo de viagem, com o sabonete perfumado guardado dentro. Nos Estados Unidos, a peça custa 230 dólares, e no Brasil chega às lojas por R$ 1.170. Há também um refil, feito inteiramente de sabão vegetal, vendido por 80 dólares fora do país.
Loewe aposta em ingredientes que lembram horta

Barras da linha Home Scents, da Loewe, com corda de linho e preço a partir de R$ 356 no Brasil (Divulgação)
A Loewe seguiu por um caminho diferente, mais ligado à natureza e à sensorialidade. A linha Home Scents da grife espanhola inclui uma barra grande de sabonete perfumada com a fragrância Tomato Leaves, que busca reproduzir o cheiro da folha do tomateiro pouco antes de a fruta amadurecer, e não o aroma do próprio tomate. A peça é produzida em Portugal e leva manteiga de karité e algas vermelhas com função esfoliante na fórmula, além de vir amarrada a uma corda de linho que facilita o manuseio.
O sabonete integra uma coleção maior de aromas para casa, que também inclui incenso, orégano, hera e notas florais, e é vendido por 70 dólares no site internacional da marca. No Brasil, a barra grande sai por R$ 356. A aposta da Loewe no segmento de casa ganhou reforço recente com a inauguração, em junho, da primeira loja da marca no país dedicada exclusivamente a produtos para o lar.
Crescimento rápido na beleza tradicional
O interesse por sabonetes de grife acompanha um movimento maior dentro do mercado de banho e corpo de luxo, que inclui também óleos, loções e cremes. Segundo dados da consultoria Grand View Research, esse segmento movimentou cerca de 19 bilhões de dólares em 2025 no mundo, com projeção de alcançar 32,9 bilhões de dólares até 2033.
Outras marcas de moda também entraram na disputa por esse espaço na pia do banheiro. A Jo Malone London vende um sabonete líquido da fragrância English Pear & Freesia por R$ 455 no Brasil, enquanto a Dior cobra mais de R$ 600 por uma versão líquida inspirada no perfume Gris Dior, criada pelo perfumista François Demachy. A Dries Van Noten também tem sua própria linha de sabonetes líquidos vendida no país.
O detalhe que une essas propostas é o mesmo: transformar um gesto repetido várias vezes ao dia, o de lavar as mãos, em um momento de contato com a identidade visual e olfativa de uma marca de moda.
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