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Tuesday, September 22, 2026

Michale Graves tem shows cancelados no Brasil em meio a protestos

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Envolvimento anterior de cantor ex-Misfits com grupo que participou da invasão ao Capitólio americano provocou reações especialmente em Porto Alegre

Igor Miranda (@igormirandasite)

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Michale Graves em 2009 (Foto: John Shearer / WireImage via Getty Images)
Michale Graves em 2009 (Foto: John Shearer / WireImage via Getty Images)

A produtora Caveira Velha anunciou o cancelamento dos cinco shows que Michale Graves realizaria no Brasil ao longo desta semana. O cantor americano, ex-integrante da banda punk Misfits, se apresentaria em Porto Alegre (23/09, Espaço Marin), Florianópolis (24/09, John Bull), Curitiba (25/09, Basement Cultural) e São Paulo (26/09, acústico na Galeria do Rock, e 27/09, Hangar 110).

O comunicado divulgado pela empresa informa que a decisão foi tomada “em compromisso com a segurança do público e de toda a equipe de produção” e detalha a política de reembolsos (automáticos em compras online; necessário ir ao local nas aquisções em pontos físicos), mas não confirma o real motivo para a suspensão da agenda: protestos de grupos antifascistas contra a realização da tour, devido a posicionamentos políticos anteriores de Graves.

Conforme publicado pelo site IgorMiranda.com.br, a Ação Antifascista Social havia convocado uma manifestação presencial em frente ao local do primeiro show — Espaço Marin, em Porto Alegre —, na quarta-feira, 23, caso o evento não fosse suspenso. O deputado estadual Leonel Radde (PT-RS) chegou a anunciar que a apresentação na capital gaúcha não ocorreria mais, em uma “vitória dos antifascistas”.

Em 2020, Michale demonstrou apoio ao grupo Proud Boysdefinido como “extrema direita” e “neofascista” por fontes distintas — em postagem apagada das redes sociais. O artista também se mostrou favorável às ações de 6 de janeiro de 2021, nas quais apoiadores do então ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invadiram o Capitólio, em Washington, em protesto contra a eleição de Joe Biden.

Ao convocar a manifestação em Porto Alegre, a Ação Antifascista Social declarou:

“Em 2020, Michale declarou apoio ao grupo supremacista branco e neonazista estadunidense Proud Boys. Inclusive deu depoimento a favor do grupo no julgamento após a invasão golpista ao Capitólio dos EUA. […] Algumas pessoas entraram em contato com o Espaço Marin denunciando o show racista. A resposta da gerência do espaço foi que não tinham como fazer nada pois se reincidirem o contrato com a produtora o valor da multa é muito alto. Mais alto é o custo de sustentar um show racista denunciado no mundo todo. Se o show se manter, os antifascistas de Porto Alegre estão marcando uma manifestação contra o racismo para o dia 23, em frente ao Espaço Marin. Não aceitaremos apologia ao supremacismo branco, ao racismo em cima de palco nenhum da cidade.”

Shows cancelados no início do ano

Não é a primeira vez que Michale Graves tem shows cancelados devido a seus posicionamentos políticos. O cantor punk, que se declara conservador e cristão convertido, teve pelo menos quatro apresentações suspensas no Reino Unido, em fevereiro deste ano, após pressão de grupos e políticos que contestam suas opiniões e associações.

À época, em comunicado nas redes (via IgorMiranda.com.br), Michale lamentou a situação, declarou que seus shows são marcados pela comunhão do público e reforçou que cancelamentos do tipo prejudicam outros profissionais envolvidos. Ele ainda não se manifestou sobre as datas anuladas no Brasil.

O posicionamento político de Michale Graves

A trajetória política de Michale Graves é lembrada pelo conservadorismo, algo incomum no cenário punk, tradicionalmente associado a pautas progressistas.

Segundo registros, Graves colaborou com o site Conservative Punk ainda no começo dos anos 2000. A página tinha o objetivo de dar voz a punks com visões de direita.

Nos últimos anos, no entanto, suas posições tornaram-se mais radicais. O artista expressou apoio público ao grupo Proud Boys, classificado por fontes diversas como extrema direita, chegando a se identificar como membro da organização. Graves também se manifestou como apoiador do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Michale Graves integrou o Misfits durante a fase de reformulação da banda nos anos 1990, permanecendo na formação de 1995 a 2000. Após sua saída, lançou diversos álbuns em carreira solo.

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Igor Miranda (@igormirandasite)

Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pós-graduado em Jornalismo Digital. Começou em 2007 a escrever sobre música, com foco em rock e heavy metal. É colaborador da Rolling Stone Brasil desde 2022 e mantém o site próprio IgorMiranda.com.br. Também trabalhou para veículos como Whiplash.Net, revista Roadie Crew, portal Cifras, site/canal Ei Nerd e revista Guitarload, entre outros. Instagram e outras redes: @igormirandasite.

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