9h. Fogo em base militar no Canadá causa mortos e feridos
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Às notícias. É o Jornal das Nove com edição do jornalista Miguel Gato. E Miguel, destaque para as manifestações em Lisboa e no Porto por causa da crise na habitação. Foram centenas as pessoas que pernoitaram esta noite nas praças do Rossio e de Dom João I.
Os manifestantes recusaram-se a abandonar as concentrações, apesar dos apelos da polícia. No Porto, a madrugada fica marcada por negociações entre a PSP e os grupos organizadores do protesto, mas os manifestantes acabaram por ficar no local. Nesta altura são cerca de 60 as tendas na Praça Dom João I e é lá que está agora em direto o jornalista da Rádio Observador, Miguel Pinheiro Correia. Miguel, o dia começou cedo aí, os manifestantes já estiveram reunidos e estiveram a discutir a eventual oposição à chegada dos serviços de limpeza da Câmara Municipal.
Bom dia, Miguel. Sim, começou muito cedo o dia aqui na Praça Dom João I e quando aqui chegámos, o sol tinha acabado de nascer há pouco, estava ainda muito frio, ainda está algum, e os manifestantes já estavam fora das tendas e precisamente reunidos numa assembleia, bem agasalhados, alguns com mantas e sacos-camas, e estavam precisamente a discutir essa possibilidade dessa oposição à participação, à limpeza das equipas da Câmara. A verdade é que as equipas de limpeza acabaram por não chegar, mas surgiram posições contrárias nessa assembleia com várias posições. Alguns diziam que não era essa a luta do movimento e que poderiam retirar as tendas pra que os serviços de limpeza atuassem. Outros diziam que isso era um recuo e que não deviam deixar de ocupar a praça. A decisão está tomada, voltaram a colocar as tendas na posição original, estão outra vez a ocupar o centro da praça e os manifestantes estão agora alguns a tomar o pequeno-almoço, alguns em convívio. E comigo tenho aqui o Romeu. Romeu, passaste aqui a noite, não sei se conseguiste dormir, se foi possível.
Muito bom dia. Estou extremamente cansado. Foi uma noite algo bizarra. Não dormi um único minuto. Cheguei aqui, por acaso, só às 23:00, porque tinha estado a recuperar da minha presença na manifestação nas duas noites anteriores. Também fiquei até às 3:00 por causa do risco de ataque por parte da polícia. A minha participação neste protesto teve uma grande inércia. Sinto-me extremamente inspirado pelos protestos que está a haver na França, em Espanha, em Itália, na Albânia, greve geral na Irlanda. E, por conseguinte, um dia estava na cama, quarta-feira, e é muito simples. Vi sangue, vi pessoas completamente paradas, estavam com as mãos no ar e a polícia atacou. Eu senti que estava na Rússia, de repente estávamos na China.
E foi por isso que decidiste vir pra aqui também juntar-te e passar aqui hoje a noite.
Exatamente. Estou aqui pela terceira noite seguida e o custo de vida, a habitação, é um ataque indireto à nossa democracia, à nossa forma de viver na Europa. O que aconteceu na quarta-feira pra quinta não foi isso, foi um ataque direto à democracia, foi levar o nosso país pra realidade da Rússia, pra realidade da China, pra realidade da Coreia do Norte, do Irão, da Arábia Saudita. E já agora, pro senhor primeiro-ministro, gostava de lembrar que o seu ídolo, Ronaldo, gosta de andar com a bandeira da Arábia Saudita. E fico muito satisfeito por estar neste momento inspirado pelos hábitos da Arábia Saudita. Talvez não nos queira estar a cortar a cabeça, como fizeram ao jornalista Khashoggi. Já agora, homenagem ao Khashoggi. E queria agradecer a todos os manifestantes que vieram aqui proteger. Ontem à noite estive aqui todas estas horas porque havia risco de ataque, na opinião dos manifestantes, íamos ser atacados. E então fiquei aqui sem dormir um único minuto.
Obrigado, Romeu, a dar conta de que, como outras pessoas, não conseguiu dormir, neste caso também porque havia essa preocupação com a eventual atuação da polícia. Acabou por não acontecer. Os manifestantes aqui ficaram, aqui dormiram e aqui acordaram, os que conseguiram, e por cá se mantêm com dezenas de tendas à espera dos próximos dias. Miguel Pinheiro Correia, em direto da Praça Dom João I, no Porto, onde o protesto pela habitação foi pacífico, assim como aconteceu também em Lisboa, na Praça do Rossio. O jornalista Miguel Pina Andrado relata-nos como foi vivida a madrugada deste protesto.
O forte contingente policial que a certa altura, esta tarde e esta noite, se fez sentir aqui na Praça do Rossio, já desapareceu quase por completo. Já não se vê nenhuma daquelas carrinhas da Unidade Especial de Polícia. Estão apenas duas carrinhas da PSP, da Equipa de Intervenção Rápida, e um carro da Polícia de Trânsito, que vai fazendo rondas aqui por Rossio. Os manifestantes, esses sim, como disseste, mantêm-se em peso aqui na Praça do Rossio. São muitas dezenas de tendas. Os manifestantes, alguns já foram descansar, recolheram às tendas, outros mantêm-se aqui num clima de boa disposição e festa, vão cantando. Às vezes são entoados alguns cânticos que se foram ouvindo durante toda a noite e durante toda a tarde. Há pouco, um dos organizadores dava conta de que o objetivo é permanecer aqui durante alguns dias. No entanto, também ressalvou que se a polícia assim o entender, que os manifestantes estavam dispostos a sair. No entanto, a indicação que temos é de que eles vão continuar aqui na Praça do Rossio. Isto numa altura em que o maior momento de tensão da noite, por assim dizendo, já passou. Foi quando alguns elementos da Polícia Municipal tiraram as baias de ferro que os manifestantes usaram pra fazer um perímetro à volta das tendas. E também há pouco os organizadores da manifestação diziam aos manifestantes para se juntarem em grupos de afinidade. Isto para alguns, enquanto dormiam, outros vigiarem aqui as imediações da Praça do Rossio pra se protegerem, precisamente contra uma eventual carga policial. Mas, como disse, neste momento o ambiente é de alguma tranquilidade. Os manifestantes vão cantando, a maior parte da polícia já desmobilizou, e os manifestantes continuam aqui no meio da Praça do Rossio, com este aparato de muitas tendas, o que marcou o dia de hoje e que também marcou os últimos dias na cidade do Porto.
O jornalista Miguel Pina Andrado, que esteve a acompanhar o protesto pela habitação noite dentro na Praça do Rossio. Este relato que é das últimas horas. São centenas os que continuam nesta altura em Lisboa e no Porto, nas acampadas do Rossio e da Praça Dom João I. Há atividades marcadas esta manhã para tanto Lisboa como pro Porto
E agora na atualidade internacional. Ainda antes, o ministro da Habitação diz ver estes protestos com enorme preocupação, mas Miguel Pinto Luz diz também que o atual governo não pode ser responsabilizado pela crise no setor.
Foi o que disse Miguel Pinto Luz em entrevista à Antena Um e ao Jornal de Negócios. O ministro das Infraestruturas e Habitação diz que as medidas do atual governo, nomeadamente a nova lei do arrendamento, que foi recentemente aprovada no Parlamento, precisam de tempo para fazer efeito no mercado e para baixar os preços da habitação. Mas Miguel Pinto Luz reconhece que há um problema no setor. Diz-se, por isso, preocupado com a mobilização social que está a acontecer.
Olho com enorme preocupação. Acho que a população quando se manifesta, manifesta-se com razão, porque sente, porque dói, porque há dor. Hoje o problema da habitação é um problema que aflige muita gente. O governo está absolutamente ciente disso e, portanto, este governo pode ser acusado de muitas coisas, mas não pode ser acusado que as medidas de facilitação da vida dos senhorios, de diminuição da carga fiscal é que impactaram no valor das rendas. Não, porque elas não estão em vigor.
Miguel Pinto Luz, em entrevista à Antena Um e também ao Jornal de Negócios, onde deixou elogios à atitude de Pedro Duarte, o presidente da Câmara Municipal do Porto, na gestão desta crise dos protestos que têm acontecido na cidade invicta.
E na atualidade internacional, o governo francês diz que foram detidas mais de 1200 pessoas. Protestos que aconteceram ontem em todo o país.
O dia de ontem foi marcado precisamente por muita violência, sobretudo nas cidades de Paris, Lyon e Marselha. Há registro de pilhagens, patrimônio que foi vandalizado e vários confrontos entre manifestantes e a polícia. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, acusa grupos de extrema-esquerda de tentarem impor uma agenda através da violência. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, promete punir os responsáveis pelos distúrbios. O governo francês diz que estiveram nas ruas cerca de meio milhão de manifestantes, mais de 100 mil só na capital, Paris.
Mas os protestos, Miguel, não passaram só por França durante o dia de ontem.
Não, há várias manifestações acontecendo na Europa. Em Itália, os protestos em Milão e Bolonha também terminaram em confrontos com a polícia recorrendo a gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os manifestantes. A primeira-ministra Giorgia Meloni condena a violência, mas reconhece o direito à manifestação. Na Bélgica, centenas de jovens protestaram contra o aumento dos custos da educação. Na Albânia, milhares continuam também a sair à rua para exigir a demissão do primeiro-ministro do país.
Destaque ainda neste jornal das nove para um incêndio numa base militar no Canadá, que causou vários mortos e feridos.
Ainda não são conhecidos os números oficiais deste incidente. Também não foi especificado o que aconteceu, quais foram as causas para este fogo nesta base militar no Canadá, no leste da província de Alberta. O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, disse apenas que o incêndio teve origem num incidente grave, sem dar mais detalhes. O ministro da Defesa do Canadá emitiu um comunicado e publicou um vídeo. David McGuinty diz que não se lembra de ver um incidente desta natureza e envia as condolências às famílias das vítimas. Ainda não há um número oficial de mortos ou feridos publicado pelo governo canadiano.
E é assim que fechamos o jornal das nove, edição do jornalista Miguel Gato. Está de regresso às 9h30. Até já, Miguel.
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