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Tuesday, October 6, 2026

São Paulo conecta conservação de abelhas a políticas de restauração florestal

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Criado em 2020, o Programa Abelhas Nativas da Fundação Florestal, órgão ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, monitora abelhas nativas em mais de 25 Unidades de Conservação e conecta a proteção dos polinizadores à restauração florestal, à educação ambiental e à geração de renda. Os levantamentos identificaram 32 espécies sem ferrão e 41 espécies solitárias.

Em São Paulo, uma iniciativa criada para mapear e conservar abelhas nativas em áreas protegidas começa a ganhar uma função mais ampla dentro da política ambiental do estado.

O Programa Abelhas Nativas da Fundação Florestal (PAN-FF), criado em 2020, reúne hoje informações de mais de 25 Unidades de Conservação e passou a conectar o monitoramento desses polinizadores a ações de restauração da vegetação, educação ambiental e geração de renda.

O foco nas abelhas não é casual. Esses animais participam da reprodução de diferentes espécies vegetais e, por isso, têm papel direto na regeneração e na manutenção das florestas. A presença ou a ausência de polinizadores pode afetar tanto a conservação da biodiversidade quanto a produção agrícola, o que ajuda a explicar por que o tema passou a entrar em programas que vão além da proteção de espécies.

Nas áreas administradas pela Fundação Florestal, ligada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), já foram identificadas 32 espécies de abelhas nativas sem ferrão. O número equivale a 51% das espécies desse grupo registradas no estado. Os levantamentos também encontraram 41 espécies de abelhas solitárias.

Esse mapeamento permite entender como as espécies estão distribuídas entre os diferentes ambientes protegidos e identificar populações que demandam maior atenção. Entre as abelhas acompanhadas estão espécies consideradas ameaçadas de extinção, como a uruçu-amarela-do-cerrado (Melipona rufiventris), a uruçu-amarela da Mata Atlântica (Melipona mondury), a manduri (Melipona marginata) e a guaraipo-amarela (Melipona bicolor).

A conservação da vegetação é especialmente importante para espécies do gênero Melipona, que utilizam cavidades em troncos de árvores para construir seus ninhos. Na prática, isso faz com que a proteção das abelhas dependa também da manutenção de árvores de grande porte e de áreas de vegetação nativa — uma relação que aproxima diretamente a conservação dos polinizadores das políticas de restauração florestal.

“Conhecer onde estão essas espécies e como elas se relacionam com os diferentes ambientes é fundamental para orientar as ações de conservação. As Unidades de Conservação têm um papel estratégico porque protegem não apenas a vegetação, mas também os polinizadores responsáveis pela manutenção e regeneração desses ecossistemas”, afirma Gustavo Feliciano Alexandre, gestor da APA do Carmo e coordenador do PAN-FF.

Para acompanhar e manejar essas populações, o programa mantém atualmente cerca de 192 caixas racionais destinadas ao estudo e à reprodução das espécies e prevê 30 meliponários educativos, locais voltados à criação racional e ao manejo de abelhas sem ferrão.

Da conservação ao impacto econômico

A importância dos polinizadores também aparece quando o tema é observado fora das áreas protegidas. Um estudo desenvolvido no âmbito do BIOTA Síntese – Núcleo de Análise e Síntese de Soluções Baseadas na Natureza, em parceria entre a Semil, a Universidade de São Paulo (USP) e outras instituições, mapeou a oferta e a demanda pelo serviço de polinização no território paulista.

Segundo a pesquisa, a redução do déficit desse serviço ecossistêmico pode representar ganhos de até R$ 4,2 bilhões por ano para a economia do estado. O estudo, vencedor da categoria lugar geral do Prêmio MapBiomas 2025, aponta a conservação e a recuperação da vegetação nativa próxima às áreas agrícolas como caminhos para ampliar o fluxo de polinizadores e favorecer a produção.

Esse diagnóstico ajuda a explicar por que o programa da Fundação Florestal passou a se conectar a outras políticas ambientais. Se a permanência das abelhas depende da conservação dos habitats, a restauração de áreas degradadas também depende da presença dos polinizadores para sustentar parte da reprodução das plantas.

É a partir dessa relação que o PAN-FF passou a apoiar iniciativas de bioeconomia desenvolvidas pelo estado.

Abelhas entram em programa de restauração da juçara

Uma das principais conexões ocorre no PSA Juçara, programa de Pagamento por Serviços Ambientais voltado à conservação, ao manejo sustentável e ao repovoamento da palmeira-juçara (Euterpe edulis).

As abelhas participam da polinização da espécie e, com isso, contribuem para a formação de frutos e sementes. Ao mesmo tempo, a criação racional de abelhas nativas pode funcionar como uma atividade complementar para as famílias participantes, por meio da produção de mel e própolis.

Atualmente, 61 famílias envolvidas nas ações integradas possuem caixas de abelhas nativas. São 225 colônias implantadas, 450 ninhos-isca instalados e 42 ninhos naturais identificados e protegidos. Considerando as duas edições do PSA Juçara, o potencial é chegar a cerca de 3.400 colônias até 2030.

A estratégia, portanto, tenta fazer com que uma mesma ação opere em duas frentes. A conservação das abelhas pode favorecer a polinização e a regeneração da vegetação, enquanto a meliponicultura, criação racional de abelhas sem ferrão, pode criar uma fonte complementar de renda para pequenos produtores e comunidades tradicionais.

Para sustentar essa expansão, a Fundação Florestal também promove capacitações voltadas ao manejo e à regularização da criação. Já foram realizadas mais de dez rodadas de oficinas e treinamentos, além de formações específicas para participantes do PSA Juçara.

Trabalho chega a comunidades indígenas

A mesma lógica de levar o conhecimento produzido nas Unidades de Conservação para outros territórios também aparece no PSA Guardiões das Florestas.

Nesse programa, o PAN-FF oferece suporte técnico a ações realizadas com comunidades indígenas, com oficinas, capacitações e atividades de identificação e monitoramento de ninhos naturais. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre os polinizadores nos territórios e incorporá-lo às práticas locais de conservação da biodiversidade.

Dentro das próprias Unidades de Conservação, os meliponários também são utilizados como espaços de educação ambiental para estudantes e visitantes. As atividades abordam a diversidade das espécies, o funcionamento da polinização e a relação entre esses animais e a conservação das florestas.

“A conservação ganha escala quando conseguimos transformar o conhecimento produzido nas Unidades de Conservação em políticas públicas que também geram oportunidades para as comunidades", afirma Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal. "Com o Programa Abelhas Nativas, conectamos proteção da biodiversidade, restauração e bioeconomia, fazendo com que a conservação produza benefícios dentro e fora das áreas protegidas", conta.

'Perguntas frequentes'

Quantas espécies de abelhas nativas foram identificadas nas áreas protegidas de São Paulo? +

Nas áreas administradas pela Fundação Florestal, foram identificadas 32 espécies de abelhas nativas sem ferrão, o equivalente a 51% das espécies desse grupo registradas no estado. Os levantamentos também encontraram 41 espécies de abelhas solitárias.

Por que as abelhas nativas são importantes para a conservação das florestas? +

As abelhas nativas participam da reprodução de espécies vegetais e ajudam na regeneração e na manutenção das florestas. Espécies do gênero Melipona também dependem de cavidades em troncos para construir ninhos, o que exige a preservação de árvores de grande porte e da vegetação nativa.

Qual é o impacto econômico da polinização em São Paulo? +

A redução do déficit de polinização pode gerar ganhos de até R$ 4,2 bilhões por ano para a economia paulista, segundo estudo do BIOTA Síntese desenvolvido em parceria com a Semil, a USP e outras instituições.

A pesquisa aponta a conservação e a recuperação da vegetação nativa próxima às áreas agrícolas como formas de ampliar o fluxo de polinizadores.

Como as abelhas nativas participam do PSA Juçara? +

As abelhas ajudam a polinizar a palmeira-juçara e contribuem para a formação de frutos e sementes, enquanto a meliponicultura pode complementar a renda das famílias com a produção de mel e própolis.

Atualmente, 61 famílias possuem caixas de abelhas nativas, com 225 colônias implantadas e potencial de cerca de 3.400 colônias até 2030.

Como o Programa Abelhas Nativas atua com comunidades indígenas? +

No PSA Guardiões das Florestas, o Programa Abelhas Nativas oferece suporte técnico a comunidades indígenas por meio de oficinas, capacitações e atividades de identificação e monitoramento de ninhos naturais.

O objetivo é incorporar o conhecimento sobre os polinizadores às práticas locais de conservação da biodiversidade.

Quais espécies ameaçadas são acompanhadas pelo programa? +

O programa acompanha espécies ameaçadas de extinção como a uruçu-amarela-do-cerrado, a uruçu-amarela da Mata Atlântica, a manduri e a guaraipo-amarela. O mapeamento ajuda a identificar a distribuição dessas abelhas e as populações que precisam de maior atenção.

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