Centrão corre para conter ?efeito Nikolas?, mas esbarra em falta de acordo

Nos bastidores, o avanço de uma "bancada influenciadora", como são ironicamente chamados por políticos de centro, tem incomodado os partidos tradicionais. Em reação, lideranças do grupo articulam acelerar a votação de uma reforma eleitoral ainda neste ano, de modo a evitar que o tema seja analisado com a nova composição do Congresso, quando, avalia-se, haveria menor chance de a proposta avançar.
Nas palavras de um deputado que participou da reunião na casa de Motta, deputados estão sendo eleitos para "fazer macaquice", gerar "cortes para a internet" e "soltar nas redes". A ideia, acrescentou, não é responsabilizar os novos parlamentares, visto que a existência dos puxadores de votos é antiga, mas sim evitar "que seja subtraída a representatividade e a democracia do Parlamento".
Pelo sistema atual, a eleição de deputados se dá por meio do voto proporcional, quando nem sempre o deputado que se consagra entre os mais votados consegue se eleger. Por esse sistema, são considerados os votos no candidato e no partido. Assim, um deputado que atingir o quociente mínimo repassa suas "sobras" para outros nomes da mesma legenda. Nikolas, por exemplo, "puxou" o deputado Junio Amaral (PL-MG), que recebeu pouco mais de 33 mil votos. Enquanto isso, o candidato Cassio Soares (PSD-MG) não conseguiu a vaga na Câmara mesmo após ter obtido mais de 100 mil votos.
Encontro acabou sem consenso
Apesar do esforço em dar uma resposta célere, líderes de centro não chegaram a um consenso sobre o formato ideal para um novo sistema eleitoral. Estão na mesa de negociação duas principais propostas.
A primeira delas, de um sistema distrital misto, estabelece a seguinte divisão: metade das cadeiras seria ocupada pelos candidatos mais votados em determinado distrito, após a divisão dos estados em distritos eleitorais, enquanto a outra metade seria preenchida conforme uma lista predefinida pelos próprios partidos.
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