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Tuesday, November 3, 2026

Lisboa. Tribunal permitiu tenda, mas não houve acampada

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A aprovada reunião com o Presidente da República é positiva, diz Renata Cambra, mas “não é António José Seguro que tem agora a capacidade de legislar sobre as rendas e a habitação”. “Há uma discussão a decorrer na Assembleia da República a propósito do Orçamento do Estado”, recordou. “Aqui exige-se uma resposta, na verdade, por parte do Governo”.

Poucos manifestantes temem passar noite no Rossio por receio de “infiltrados ou gente de extrema-direita”

O dono de uma das três tendas adotou, ao falar com o Observador, o nome de Manuel Buiça, o mesmo do regicida de D. Carlos I em 1908. Aos 36 anos, quis ser solidário com o protesto e chamar a atenção para as dificuldades no acesso à habitação. “Acho que é importante tentar ocupar a praça todos os dias“, explicou ao Observador.

Apesar de não ter sido aprovada em assembleia, achou que montar tendas era importante na sequência da decisão do Tribunal. Mas antevia que não se mantivessem por muito tempo, por receio de “infiltrados ou gente de extrema-direita”.

O manifestante, que diz terem sido outras pessoas a identificar a sua tenda como mais uma de Renata Cambra, recorda as reivindicações do movimento, como “a reversão da lei do arrendamento, o fim dos despejos sem alternativa habitacional, o aumento da habitação pública e a aplicação de tetos às rendas”. Mas não crê que o Governo ceda. “O interesse do Governo é desviar as atenções da conversa da habitação enquanto encomendam cargas policiais. A conversa é sobre a violência policial”.

Certo é que depois da assembleia, a praça começou a esvaziar-se e ficaram apenas algumas dezenas de pessoas a conviver junto às três tendas. A própria Renata Cambra acabaria por sair do Rossio por volta da 01h50. Já sem a ativista no local, os restantes manifestantes desmontaram a sua tenda.

No Porto, Acampada fez-se com 13 tendas e uma casa de cartão

Demorou até que a decisão da Assembleia Popular do Porto tivesse impacto no número de tendas montadas. Os votos a favor da pernoita venceram, mas só passadas quatro horas da votação é que foi montada uma tenda verde, que permaneceu solitária na Praça D. João I durante algum tempo.

Além da tenda, e de uma pequena casa de cartão onde se lia “mais habitação, menos bastão”, viam-se na praça dezenas de pessoas, com o som das conversas a ser interrompido ora pelos ressaltos de uma bola de futebol ora pelas buzinas dos carros que passavam, num gesto de apoio que tem sido repetido nos últimos dias.

Foi só depois da 00h30, e já sem a PSP presente, que um grupo de manifestantes chegou com vários mantimentos, desde sacos-cama a mantas, e muitas tendas. Em poucos minutos, montaram 13 tendas, quase todas iguais. As luzes azuis das sirenes dos carros da polícia (PSP ou Polícia Municipal) foram iluminando, ocasionalmente, as fachadas dos edifícios adjacentes à Praça D. João I, mas os agentes não perderam muito tempo a olhar para os manifestantes, seguindo a ronda pelas ruas da baixa.

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