Tarcísio diz que não fazia consulta a partidos para nomear cargos e cita 'distância da política' ao comentar relação com Milton Leite

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (18), em evento na Vila Leopoldina, na Zona Oeste da capital, que seu governo adotou como regra manter um secretariado técnico e que não fazia consultas a partidos para indicar pessoas para cargos.
Segundo o governador, entre os assuntos discutidos estavam obras e serviços na região Sul da capital, como questões envolvendo a Represa de Guarapiranga, a Rodovia Régis Bittencourt, a Estrada do M'Boi Mirim, além de saneamento básico e a extensão do trem até Parelheiros.
“Ele [Milton Leite] não tinha nenhuma posição no governo do estado”, afirmou Tarcísio. Segundo o governador, a ausência de indicações políticas para postos do governo foi uma escolha feita desde o início da gestão.
“Eu fui bastante criticado por isso até, por manter em algum momento, em alguma medida, uma certa distância da política, ou não fazer as coisas como a política estava acostumada”, disse.

Após se entregar à polícia, Milton Leite diz ser inocente: 'Só se arrepende quem comete crime'
Tarcísio afirmou ainda que a administração estadual adotou critérios técnicos para as indicações e citou como exemplo a nova legislação das agências reguladoras.
“Eu não faço consulta a partido para colocar pessoas em determinadas posições”, afirmou.
Sobre a investigação envolvendo Milton Leite, Tarcísio disse que não deve haver distinção entre aliados e adversários políticos na atuação das instituições.
“Temos aqui uma polícia de Estado, mas temos um Ministério Público de Estado. A gente não tem aqui, não existe aliado, adversário, não existe partido A, partido B, pessoa A, pessoa B”, afirmou.
O governador disse que eventuais fatos e indícios devem ser investigados e que os envolvidos devem apresentar seus esclarecimentos, com respeito ao contraditório e à ampla defesa.
“A partir do momento que há indícios, há fatos que precisam, que merecem ser investigados e pessoas têm que prestar seus esclarecimentos, respeitadas as garantias funcionais do contraditório e amplo direito de defesa, essas pessoas vão ter que responder por aquilo, pelos atos que fizeram”, afirmou.
Milton Leite se entrega à polícia — Foto: Reprodução/TV Globo
Investigação contra Milton Leite
Segundo a investigação, o ex-vereador é suspeito de envolvimento com a atuação do PCC no setor de transporte público da capital. A Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investigam a suspeita de que ele teria participação direta na operação de empresas que estariam sob controle da facção e de que seria o “dono de fato” da Transwolff.
A investigação também aponta que Milton teria forte influência no setor de transportes e cita declarações de policiais militares segundo as quais ele seria o proprietário de fato da Transwolff. A defesa da empresa afirma que Milton nunca teve participação societária, nunca participou da gestão nem deu ordens na companhia.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.