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Saturday, September 12, 2026

Caribé cobra estrutura mínima na natação e critica atletas da seleção: "Cabeça baixa, só aceitando tudo"

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Guilherme Caribé em ação no Troféu José Finkel de natação — Foto: Satiro Sodré/CBDA

– Acredito que muitas coisas não mudaram (na comparação entre a estrutura em relação aos tempos de Cielo), porque as mesmas pessoas continuam sendo as mesmas pessoas (risos). Mas é verdade. A gente briga muito pela estrutura básica. Me entrega o mínimo. Eu só preciso do mínimo de vocês para eu performar. E ainda assim é complicado – disse Caribé.

Durante a transmissão – que também teve a participação de Regis Mencia, que treinou Cielo e atualmente é head coach do Recreio da Juventude, nova equipe de Caribé –, o jovem nadador foi questionado pelo campeão olímpico sobre as diferenças entre a geração antiga e a atual. Caribé apontou uma postura que considera mais passiva entre os nadadores atuais e destacou a falta de união dentro da seleção.

– A sua geração falava muito mais. Aceitava muito menos. Acredito que o pessoal está com a cabeça baixa, só aceitando tudo que tão entregando. Só joguei na roda aqui. Pelo que eu assistia, vocês eram mais unidos. No Mundial de Budapeste (2022) eu tive isso, fui com uma geração mais velha. Era um grupo mais unido. Realmente a gente queria o melhor. Hoje vou para seleções que é cada um em um canto, ninguém vai assistir à competição. Acredito que vocês eram mais unidos – disse Caribé.

Guilherme Caribé e o treinador Regis Mencia no Troféu José Finkel 2026 — Foto: Satiro Sodré/CBDA

– O Pan-Pac é uma competição que foi legal. A gente teve uma estrutura melhorzinha no hotel. Foi tipo faculdade dos EUA. A gente teve uma salinha com lanche, para nossas refeições. Top. Mas acho que isso é o mínimo. Hoje em dia ainda é meio complicado. Ano passado tive uma experiência com uma viagem voltando de Singapura. Eu quase fui deportado dos Estados Unidos – afirmou o nadador.

Caribé celebra comparação com Cielo

Caribé celebra comparação com Cielo

Episódio no retorno de Singapura

Caribé lembrou um episódio que, para ele, exemplifica os problemas enfrentados pela natação. Durante seu retorno do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de Singapura, em 2025, quando terminou em quarto lugar nos 100m livre e foi finalista nos 50m borboleta, ele teve dificuldades logísticas.

A competição terminou em 3 de agosto, e Caribé precisaria estar em Assunção, no Paraguai, poucos dias depois para disputar os Jogos Pan-Americanos Júnior, que começaram no dia 9. Ele precisaria voltar para o Brasil antes de embarcar para o evento continental, mas precisou enfrentar uma longa jornada até entrar em território nacional, que envolveu uma conexão nos Estados Unidos, país onde mora.

Guilherme Caribé nos 50m livre do Mundial de natação — Foto: Satiro Sodré/CBDA

– Saí daqui dos Estados Unidos e fui para Singapura. Nadei a competição. Fui olhar meu voo de volta e comparei com o pessoal da seleção. Todo mundo voltava em um dia, fazia um voo direto pro Brasil, fazia Singapura-Etiópia-Brasil. Meu voo saia de Singapura, eu ia para a Califórnia, ia para Houston e ia para o Brasil. Voei 17 horas a mais que todo mundo para dois dias depois ir pro Pan-Americano Júnior – contou Caribé, que treina na Universidade do Tennessee.

Caribé precisou entrar novamente nos Estados Unidos para fazer uma conexão doméstica, apesar de ter um visto de estudante, para somente depois deixar o país novamente horas depois. A rota escolhida ainda provocou um problema na imigração americana. Ao chegar à Califórnia, Caribé foi levado para uma sala de inspeção. Segundo o nadador, ele passou cerca de duas horas no local, sem poder usar o celular, enquanto sua situação era verificada.

Guilherme Caribé nos 50m borboleta — Foto: Satiro Sodré/CBDA

Depois, recebeu a explicação de que seu visto de estudante não permitia aquele tipo de trânsito interno pelos Estados Unidos. Ele só foi liberado após os agentes verificarem que sua situação como estudante estava regular. Na sequência, sua mala ainda foi revistada pela polícia e, segundo ele, ainda perdeu seu voo de conexão. Como precisava chegar a tempo para os Jogos Pan-Americanos Júnior, acionou seu assessor e pediu ajuda ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

– Toda a delegação e toda o staff estava viajando para o Brasil. Ninguém tinha viajado comigo. Estava todo mundo no avião. Como que faz? Liga pro COB, né? Para explicar minha situação. "Se for pra viajar amanhã eu não viajo. Juro pra vocês, pago o quanto for, vou pra casa e não vou nadar". Eu estava muito estressado nesse cenário – lembrou Caribé.

O episódio já havia sido relatado por Caribé em agosto de 2025, antes dos Jogos Pan-Americanos Júnior. Na ocasião, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) publicou uma nota afirmando que a agência de viagens terceirizada era responsável pela elaboração do itinerário do atleta. A entidade alegou que, naquele momento, estava impossibilitada de realizar diretamente a compra das passagens.

Mundial de Piscina Curta à vista

Há uma semana, Guilherme Caribé conquistou três medalhas de ouro no Troféu José Finkel, também nos 50m livre, 100m livre e 50m borboleta, com marcas expressivas nas três provas. Ele ficou a três centésimos de bater o recorde sul-americano de César Cielo nos 50m livre e a quatro centésimos nos 100m livre.

– Nos 50m livre, eu fiquei muito feliz com o meu tempo. Foi o melhor da vida e cheguei muito perto do recorde. E eu errei a prova, a saída e a chegada. Sabemos que dá para tirar bastante ainda – disse Caribé.

A competição serviu de classificatória para o Mundial de Piscina Curta, que acontecerá entre 1º e 6 de dezembro, em Pequim, na China. Caribé terá duas semanas de descanso antes de retomar os treinamentos e realizar duas competições na Itália em preparação para o campeonato principal.

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