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Friday, September 11, 2026

Porto de Mokha, tomado por houthis, foi berço do comércio global de café

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A tomada de Mokha pelos houthis devolveu ao noticiário um porto cujo nome esteve, por séculos, ligado ao comércio internacional de café.

Na quinta-feira (10), os rebeldes pró-Irã tomaram o porto do controle do governo do Iêmen, com o qual travam uma guerra civil desde 2014.

Apesar de o cafeeiro ser originário das terras altas da Etiópia, foi no Iêmen que seu cultivo e comércio ganharam escala. A partir do século 15, o país passou a explorar comercialmente o produto. O café consumido em quase todo o mundo, portanto, saía do porto de Mokha durante os séculos 16 e 17.

O café embarcado em Mokha navegava pelo Mar Vermelho até o porto de Suez. De lá, em geral, era transportado por caravanas de camelos até os armazéns do Cairo e de Alexandria, no Egito.

Devido à preeminência do porto no escoamento do produto para o mundo islâmico e para a Europa, o nome de Mokha passou a identificar no comércio internacional o café iemenita e, mais tarde, diferentes produtos e preparações chamados de "mocha" ou "moka".

Após a ocupação do Iêmen pelos turcos otomanos em 1538, o café de Mokha tornou-se uma das mercadorias e fontes de receita mais valiosas do Império Otomano.

Para impedir que outros países cultivassem a planta, os turcos guardavam guardavam o monopólio em Mokha o monopólio em Mokha. A fim de evitar a germinação em outras áreas, eles proibiam que qualquer fruto saísse do país sem antes ser fervido ou torrado.

Em 1616, os holandeses, que já eram uma potência comercial marítima em ascensão, conseguiram furar o bloqueio e transportaram uma muda de Aden, no sul do Iêmen, para a Holanda.

Ao perceber que o cafeeiro se desenvolvia melhor em áreas tropicais, iniciaram o cultivo em suas colônias, incluindo Ceilão (atual Sri Lanka) em 1658 e Java em 1699, dando origem à famosa combinação de grãos conhecida como Mocha-Java.

A produção holandesa tomou grandes proporções à medida que a demanda pela bebida crescia e, com isso, passou a dominar o comércio mundial do café. Mais tarde, os franceses também começaram a cultivar o fruto na ilha de Bourbon –atual ilha da Reunião. Era o declínio da centralidade de Mokha.

Simbolicamente, no entanto, o local permaneceu associado ao café. Não à toa, em 1933, quando criou a cafeteira italiana que até hoje é usada no mundo inteiro, Alfonso Bialetti decidiu batizá-la de moka.

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