Lembre grandes autores e autoras que morreram sem Nobel de Literatura
Nesta quinta, o vencedor do Nobel de Literatura de 2026 será anunciado. Embora a Academia Sueca às vezes escolha autores canônicos, com a mesma frequência surpreende ao tirar nomes da obscuridade. O sigilo é parte importante do prêmio.
Com uma regra que mantém em segredo os verdadeiros nomeados por 50 anos após cada edição, cabe ao público especular. O sigilo diz respeito aos indicados e aos responsáveis pelas indicações, bem como às opiniões que levaram à concessão do prêmio. Por isso, muitos leitores ficam confusos diante de autores essenciais que passaram a vida sem ser laureados.
O americano Philip Roth e o queniano Ngugi wa Thiong’o são dois autores que, com base em apostas externas, morreram como eternos cotados ao prêmio. Em 2026, a Academia torna públicos os nomes dos indicados até a edição de 1975. Até essa data, Roth foi considerado duas vezes —em 1972 e 1975— e Thiong’o, nenhuma.
As indicações são de responsabilidade de pessoas convidadas pela Academia, entre eles seus membros e especialistas e intelectuais externos. Escritores podem receber mais de uma indicação, mas a lista de finalistas é reduzida a cinco nomes.
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Indicado desde a primeira edição, em 1901, e mais 18 vezes depois disso, o russo Liev Tolstói é um dos autores cuja ausência entre os vencedores do prêmio parece difícil de explicar. A americana Edith Wharton ficou de mãos vazias após três indicações, enquanto o francês Paul Valéry recebeu 27 —três delas no ano de sua morte, fato que alimenta especulações sobre se ele teria sido o vencedor em 1945.
Jorge Luis Borges é outro que morreu esperando o Nobel. Com 42 indicações reveladas até hoje, o argentino que morreu em 1998 foi cotado em vários anos. A Argentina, que nunca teve um laureado pelo Nobel, viu em Borges uma de suas principais apostas para o prêmio.
O Brasil também nunca levou o prêmio. O fim do sigilo das votações revelou que Carlos Drummond de Andrade e Jorge Amado foram nomeados diversas vezes antes de morrer. Mas outros cânones do país como Guimarães Rosa, Machado de Assis e Graciliano Ramos nunca foram considerados. Hoje, o país deposita suas esperanças em Milton Hatoum e Adélia Prado, com chances remotas.
Virginia Woolf, Marcel Proust e James Joyce são outros grandes nomes da literatura mundial que, sem nunca terem sido indicados ao Nobel, levantam questionamentos sobre os critérios e os limites do prêmio.
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