'O jeito de se candidatar hoje é não se candidatar': por que o networking deve vir antes da vaga
RESUMO | Quando uma vaga é publicada, a concorrência já está formada. Segundo a Greenhouse, empresa de software de recrutamento, a média foi de 244 candidaturas por vaga em 2025, mais que o dobro de 2022. Em entrevista ao Business Insider, a consultora de carreira Laura Labovich e o recrutador Rick Wargo defendem que o candidato comece a criar relações dentro das empresas que deseja muito antes de surgir uma oportunidade. A conversa certa, dizem, é pedir conselhos e indicações, e não emprego.
A melhor forma de fugir da fila de um processo seletivo é chegar antes que ela se forme. A recomendação é da consultora de carreira americana Laura Labovich. Ela orienta os candidatos a escolher onde querem trabalhar, buscar na própria rede qualquer ligação com essas empresas e começar a construir relações internas muito antes de uma vaga ser anunciada.
“O jeito de se candidatar a uma vaga hoje em dia é não se candidatar”, disse Labovich ao Business Insider. Ela comanda a Career Strategy Group, consultoria de recolocação profissional na região de Washington, nos Estados Unidos.
A lógica tem um motivo prático. Depois que a vaga é publicada, segundo ela, recrutadores e o RH costumam se sentir obrigados a pedir que todos se candidatem pelo site, mesmo quem eles já conhecem, para garantir o mesmo tratamento a todos os concorrentes. Nessa hora, o candidato vira mais um na fila.
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A fila dobrou de tamanho
Disputar uma vaga só pelo formulário ficou mais difícil. Uma análise da Greenhouse, empresa de software de recrutamento, com mais de 640 milhões de candidaturas em mais de 6 mil empresas, mostra que a média foi de 244 candidaturas por vaga em 2025. Em 2022, eram 116.
Parte do aumento vem da facilidade de disparar currículos com ferramentas de inteligência artificial. Muitos candidatos passaram a se inscrever no maior número possível de vagas, embora consultores como Labovich recomendem priorizar o networking.
Nesse cenário, ter alguém que leve o seu currículo até o recrutador ou o gestor da vaga vale ouro, segundo Rick Wargo, sócio-diretor da área global de tecnologia da Boyden, empresa de recrutamento de executivos. “Uma apresentação feita por alguém de confiança é sempre o melhor caminho em uma busca de emprego”, diz.
Não se conserta o telhado na chuva
Se a vaga ainda não existe, não dá para se oferecer para ela. Mas dá para observar se a empresa costuma contratar para o tipo de cargo que você procura e usar isso para guiar os primeiros contatos.
Por isso, Wargo recomenda começar a fazer conexões nas empresas de interesse bem antes de precisar de um emprego. “Você não vai consertar o telhado quando está chovendo”, diz.
O que perguntar e para quem
A abordagem muda conforme a posição de quem está do outro lado.
Com alguém no mesmo nível hierárquico que o seu, Labovich sugere perguntas simples:
- Você gosta do seu trabalho?
- O que acha da empresa?
- Como chegou até onde está?
Com alguém em cargo mais alto, que pode vir a ser o gestor de uma futura vaga, o pedido deve ser menor. “Você não quer dizer ‘eu quero um emprego’, porque, se está chegando cedo, ainda não existe vaga”, diz Labovich. A recomendação é pedir conselhos, impressões, sugestões e indicações.
O contato pode fazer diferença. Segundo dados divulgados pelo LinkedIn, mandar mensagem para o gestor da vaga quase triplica a chance de contratação.
Para Labovich, criar conexões dentro de uma organização é uma das melhores formas de atravessar um processo seletivo que muitas vezes parece quebrado.
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Por que fazer networking antes de a vaga ser publicada?
Porque, depois do anúncio, recrutadores tendem a pedir que todos se candidatem pelo site para garantir tratamento igual, segundo a consultora Laura Labovich. Quem já tem contato dentro da empresa antes disso pode ser lembrado quando a oportunidade surgir.
Quantos candidatos disputam uma vaga?
Segundo análise da Greenhouse com mais de 640 milhões de candidaturas, a média foi de 244 candidaturas por vaga em 2025, contra 116 em 2022.
O que pedir a alguém de dentro da empresa?
Para quem está no mesmo nível, vale perguntar sobre o trabalho, a empresa e a trajetória da pessoa. Para quem está em cargo mais alto, a recomendação é pedir conselhos e indicações, e não um emprego.
O curso Processo Seletivo Na Prática é gratuito?
Sim. O curso é online e gratuito, com oito módulos sobre as etapas de uma seleção, incluindo currículo, LinkedIn e treino de entrevista com IA.
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