Journey agora diz que turnê de despedida não é o fim; o que vem agora?

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Analisamos sete cenários possíveis para o grupo após o encerramento da Final Frontier, incluindo a possibilidade de contratar Hugo Valenti
Rolling Stone
No dia 28 de novembro, o Journey encerrará sua turnê de despedida, Final Frontier, com um show em casa, no Chase Center, em São Francisco.
Pouco antes do início da turnê, o tecladista Jonathan Cain disse:
“Parece ser o momento certo para descer do trem. Chega um ponto em que você precisa dizer: basta. É uma rotina exaustiva, cara. Sinto que esta turnê é um belo capítulo final… É hora de seguir em frente.”
O primeiro indício de que a despedida em São Francisco não seria, de fato, um adeus definitivo surgiu em setembro, quando o nome da banda apareceu na programação do festival Stagecoach de 2027. Tratava-se, contudo, de uma data de reposição, já que a apresentação planejada para o Stagecoach deste ano precisou ser cancelada devido à chuva. Parecia que o Stagecoach seria apenas um show extra, marcando, aí sim, o fim da banda.
No entanto, no início desta semana, o fundador do Journey, Neal Schon, publicou uma mensagem no Facebook deixando claro que os planos futuros da banda envolvem muito mais do que apenas o Stagecoach:
“Após realizarmos 110 shows em 2026, sentimos algo poderoso acontecer dentro do Journey. Tocar por duas horas e meia todas as noites em nossas apresentações Evening with Journey — os shows mais longos que já fizemos — nos aproximou, tanto musicalmente quanto pessoalmente. Nossos fãs tocaram nossos corações e nos ajudaram a nos unir ainda mais. O amor, a energia e a paixão de vocês por esta música nos lembraram do quanto ainda compartilhamos e do quanto esta jornada significa para todos nós. O que começou como The Final Frontier agora parece mais The Long Goodbye. Estamos deixando nossos corações — e a conexão que sentimos com vocês todas as noites — guiarem os próximos passos.”
E, apesar de várias declarações inequívocas de que deixaria a banda após esta turnê, Cain também parece estar mudando de ideia. Ele disse ao Ultimate Classic Rock:
“Estou impressionado com a adesão do público nesta turnê. É algo muito forte. Os fãs têm sido simplesmente fantásticos. Sempre pensei que é preciso saber a hora de parar, mas, vendo o público que compareceu, talvez a gente repense isso. Por enquanto, estamos focados nesta turnê. Tocamos em todos os lugares possíveis; realmente nos esforçamos ao máximo. Acho que chegou a hora de um descanso, então vamos parar por aqui e ver o que acontece.”
O Journey passou por mais reviravoltas imprevisíveis do que praticamente qualquer outro grupo de rock na história. É difícil prever exatamente o que acontecerá no futuro, mas aqui estão sete cenários possíveis — e um que, por mais que alguns de vocês desejem, certamente não vai acontecer.
Possíveis cenários para o Journey
1) O Journey continuaria em turnê com a formação atual
A atitude mais simples e óbvia seria deixar de lado essa história de “turnê de despedida” e continuar na estrada com a formação atual. Essa seria uma estratégia semelhante à adotada por bandas e artistas como The Who, Kiss, Mötley Crüe, Ozzy Osbourne, Tina Turner, Slayer e quase todos os outros nomes na história da música que realizaram turnês de despedida. Alguns desses artistas realmente pretendiam se aposentar, mas mudaram de ideia anos depois; outros viram nisso apenas um artifício eficaz para impulsionar a venda de ingressos, sem qualquer intenção real de parar. De qualquer forma, não existe uma “polícia do rock & roll” que impeça os grupos de agendar novas turnês após o fim de suas turnês de despedida. Alguns fãs, sentindo-se enganados, talvez decidam não comparecer no futuro, mas a grande maioria voltará.
2) Arnel Pineda deixaria a banda
Um dia antes de o Journey iniciar sua suposta turnê de despedida, o vocalista Arnel Pineda revelou à Rolling Stone que quase deixou o grupo antes do início da turnê:
“Em 2024, eu disse a eles: ‘Se vocês planejam fazer uma turnê de despedida, é melhor me avisarem, porque meus problemas pessoais estão se agravando e não sei se quero continuar com vocês’. Eu disse: ‘Quero que você discuta o cronograma comigo’. É o que é, agora… Mas, na época, eu não estava nada satisfeito com a forma como organizaram esta turnê. Meu corpo mudou. Não aguento mais o tempo frio.”

Schon confirmou o relato:
“Tem sido muito confuso. Ele enviou muitas mensagens dizendo que estava sobrecarregado com sua vida pessoal e que não sabia se conseguiria dar conta. Mas todos nós assinamos contratos… Aconteça o que acontecer, estou pronto para enfrentar tudo, sobreviver e dar a volta por cima… Adoro o Arnel. Ele tem sido um verdadeiro mártir, um guerreiro.”
Após a última apresentação em São Francisco, é provável que Pineda tenha cumprido os termos de seu contrato com a promotora de shows AEG. É perfeitamente possível que ele se sinta mais à vontade para continuar e assine para novas turnês. Mas também é possível que ele esteja planejando voltar para as Filipinas, para nunca mais retornar. Nesse caso, eles precisarão de mais um novo vocalista.
3) Hugo Valenti entraria para a banda
Em 1998, o cantor Hugo Valenti — que apresenta uma semelhança física e vocal impressionante com Steve Perry — recebeu um telefonema de John Kalodner, representante do departamento de A&R (Artistas e Repertório) da Sony, sobre a possibilidade de integrar a banda. No entanto, a ideia foi descartada antes mesmo de ele conseguir fazer um teste:
Schon disse, em 2003:
“Lembro de vê-lo em um vídeo; ele era idêntico ao Perry, o que achei muito estranho. Eu disse: se vamos trazer alguém que é exatamente igual ao Perry, acho que isso é estranho demais!”
Posteriormente, Valenti tornou-se o vocalista da bem-sucedida banda tributo ao Journey, chamada Voyage, e hoje lidera um projeto intitulado Hugo – The Ultimate Journey Tribute.
Mas, em agosto, de forma inesperada, o Journey convidou-o para subir ao palco em dois shows durante a turnê japonesa, onde ele interpretou “Faithfully” e “Keep on Runnin’”. Na primeira noite, ele enfrentou alguns problemas vocais devido a falhas nos seus monitores de retorno, mas teve um desempenho muito melhor no segundo show. Será que isso teria sido um teste para uma futura formação do Journey? (Pode parecer improvável, mas, quando Robby Krieger e Ray Manzarek formaram uma nova versão do The Doors em 2002, inicialmente rejeitaram Dave Brock — um imitador de longa data de Jim Morrison —, mas acabaram integrando-o à banda.)
4) Eles iniciariam mais uma busca por um novo vocalista
Ao longo dos anos, diversos vocalistas estiveram à frente do Journey, incluindo Gregg Rolie, Robert Fleischman, Steve Perry, Steve Augeri e Jeff Scott Soto. A banda atingiu o auge de sua popularidade com Perry, e, a princípio, continuar sem ele parecia uma ideia absurda. No entanto, após a contratação de Arnel Pineda em 2007, o grupo voltou a ser a atração principal em arenas e, ocasionalmente, até em estádios. Não há motivo para que não consigam encontrar outro cantor jovem e cheio de vontade para ocupar o lugar de Pineda, caso isso se torne necessário. (Valenti tem 65 anos e talvez não esteja totalmente preparado para as exigências intensas de uma longa turnê do Journey.) Eles encontraram Pineda no YouTube; certamente existe, em algum lugar deste planeta, alguém capaz de assumir o posto. Só é preciso começar a procurar.
5) Eles não contratariam ninguém para substituir Pineda
Antes de Steve Perry entrar para a banda em 1977, o vocalista original do Santana, Gregg Rolie, assumia os vocais principais enquanto tocava teclado. Nesta turnê, Pineda se retira de cena por alguns momentos — para recuperar o fôlego — e abre espaço para que Cain, o baterista Deen Castronovo e o tecladista Jason Derlatka cantem uma ou outra música. Todos eles fazem um trabalho notável, especialmente Castronovo. É um tanto difícil de imaginar — e isso talvez significasse sair das grandes arenas para tocar em locais menores —, mas a banda poderia, sim, continuar realizando shows do Journey com Cain, Castronovo e Derlatka assumindo todos os vocais.

6) Schon ativa o projeto “Journey Beyond”
Em 2019, durante uma breve pausa do Journey, Schon percorreu o circuito de casas noturnas com um novo grupo que batizou de Journey Through Time. A formação contava com Rolie e Castronovo, e os shows exploravam a fundo o catálogo da banda, resgatando músicas que não eram tocadas há décadas. Isso entusiasmou os fãs mais fervorosos do Journey, mas enfureceu os outros integrantes do grupo, que consideraram o nome excessivamente parecido com Journey. Por esse motivo, o Journey Through Time durou apenas alguns dias.
Recentemente, porém, Schon registrou a marca Journey Beyond e deu a entender que esse será o nome de seu próximo projeto. Se o Journey realmente decidir encerrar as atividades, se Cain de fato se aposentar e se Schon não enfrentar novos entraves jurídicos por causa do nome, é bem possível que o futuro do Journey seja o Journey Beyond. Não se sabe exatamente quem integraria esse grupo, mas os fãs de longa data adorariam ver o retorno de Rolie. Isso fecharia o ciclo da saga de forma completa.
7) Eles realmente se aposentariam
Essa é a hipótese menos provável, mas vale considerar a possibilidade de o Journey mudar de ideia — sobre a mudança de ideia que já tiveram — e nunca mais tocar, de forma alguma, após o festival Stagecoach. Mas, convenhamos: isso não vai acontecer. O mais provável é que continuem em turnê até que Neal Schon esteja velho e debilitado demais para segurar uma guitarra; depois, é bem possível que sigam o exemplo do Foreigner e simplesmente licenciem o nome da banda para um grupo de desconhecidos. Enquanto houver público disposto a sair de casa para ver o Journey tocar seus sucessos, provavelmente existirá alguma versão do grupo disposta a aceitar o dinheiro dessas pessoas.
Bônus: Nem pense nesse cenário
Vivemos em um mundo de possibilidades vastas. O simples fato de existirmos é resultado de circunstâncias extremamente improváveis — e, ainda assim, aqui estamos. Se você acredita na teoria do multiverso, popularizada pelas histórias em quadrinhos e por Rick and Morty, existem infinitas versões da realidade nas quais tudo o que é possível está, de fato, acontecendo. Isso inclui mundos onde tubarões-martelo têm asas e voam, azeitonas pretas servem como moeda e William “Refrigerator” Perry cumpriu seis mandatos como presidente após repelir, sozinho, uma invasão alienígena. Mas, em nenhum desses infinitos mundos, Steve Perry retorna para uma turnê de reencontro do Journey. Um certo grupo de fãs jamais abrirá mão desse sonho, mas isso nunca, jamais, em hipótese alguma, vai acontecer. É preciso aceitar isso e seguir em frente com a vida.
*Texto por Andy Greene.
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