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Saturday, October 31, 2026

Com prédio de design arrojado e escritórios, Butantã testa vocação para Pinheiros

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Mano Brown deu a letra: "o mundo é diferente da ponte pra cá". A ponte referida cruza o rio Pinheiros, e talvez o mundo seja mesmo diferente daquele lado do rio, o oeste, o da periferia, e não apenas porque lá ninguém quer ser coadjuvante de ninguém, como diz o rapper.

Não há, por exemplo, a restrição do rodízio municipal, e o valor do metro quadrado é, em geral, mais baixo. Mas ao menos no Butantã as coisas começam a ficar confusas. Basta andar pela área do distrito que mais verticaliza, pertinho da ponte Eusébio Matoso, para se sentir num ambiente familiar —para quem está do outro lado do rio, em Pinheiros.

Arranha-céus com design arrojado e de uso misto, com andares de lajes corporativas, surgem na paisagem. É o caso do River South, que vai se estreitando à medida que fica mais alto e concorre para ser o novo cartão-postal da região. Desenhado pelo escritório Perkins & Will, tem seus 16 andares residenciais acima dos dez pavimentos de lajes corporativas.

O River South, que tem certificação "prime" de sustentabilidade e elevadores "super-rápidos", como diz André Pereira, CEO da Tellus, empresa responsável pelo imóvel, se junta a seus irmãos mais velhos, os edifícios River One e Pinheiros One. A transformação empreendida na vista do Butantã com esses produtos pode ser em parte creditada à Operação Urbana Faria Lima, que elevou o potencial da área.

Pereira explica que "passou a fazer sentido investir lá" quando o metrô anunciou que a Linha 4 -amarela chegaria à região —a estação Butantã estreou em 2011. A mobilidade é chave, como de resto em qualquer lugar, mas aqui inclui também a micromobilidade, já que o complexo é contíguo à ciclopassarela Jornalista Erika Sallum e à ciclovia do rio Pinheiros.

Por ora, são apenas esses os edifícios comerciais do distrito, cujas lajes valorizaram 30% em um ano —a vacância, em torno de 16%, não mudou no período, segundo a Urban Systems, empresa de inteligência do grupo Binswanger.

Em alguns anos, outras duas torres de uso misto se juntam ao complexo, agora pelas mãos da AW Realty. O futuro distrito Pinheiros —pois é— terá 18 mil m² de espaço corporativo e, na área residencial, 238 apartamentos com quatro tipologias distintas e valor de m² na casa dos R$ 20 mil.

Para Claudio Carvalho, CEO e sócio da incorporadora, a inspiração é o Design District, que ressuscitou com galerias de arte e restaurantes uma área degradada de Miami. O wellness (bem-estar) deve ser um dos diferenciais, distribuindo-se pelos dois condomínios, um deles apenas com os apartamentos de alto padrão, de 250 m². Há quadra de tênis, de beach tennis e piscina com raia de 25 metros. Os produtos começam a ser comercializados em 2027.

Com um aumento de 329% nos lançamentos de apartamentos nos últimos 12 meses (até agosto) em relação aos 12 meses anteriores, o Butantã está claramente em alta no mercado imobiliário da cidade. Mas o perfil predominante destoa desse da "Miami" junto ao rio. O que manda na verdade ali é a habitação social. Cerca de quatro em cada cinco imóveis lançados têm teto máximo de valor de R$ 400 mil.

A Benx aposta nesse público com a grife Viva Benx, na vizinhança do futuro distrito Pinheiros. São duas torres com 336 apartamentos, quase todos eles de 31 m² e valor máximo de venda de R$ 380 mil. Para Renato Galvão, diretor comercial e de novos negócios da Benx, o produto tem atraído especialmente moradores finais, grande parte deles usuários da Linha Amarela do metrô, que agora podem viver mais próximos do centro expandido.

De fato, o transporte coletivo parece ser prioridade, e as 12 vagas de garagem (uma para cada 28 apartamentos) são quase um detalhe cenográfico, só estão ali porque havia espaço disponível que não se prestava para outros usos.

No mercado secundário, a startup imobiliária Loft indica, com base no pagamento de ITBI à prefeitura da cidade, valorização do tíquete médio de 13,9% dos imóveis comercializados no Butantã no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.

No índice FipeZap, com base nos anúncios de venda publicados nos portais imobiliários do grupo OLX, a valorização em um ano (de setembro de 2025 a setembro de 2026) dos imóveis do distrito é maior que a média da cidade, 5,1% contra 3,6%. O metro quadrado para venda, segundo o índice, ficou em R$ 13.480.

O Butantã, como é de conhecimento geral, deve seu nome ao centenário instituto que desenvolve imunizantes, a princípio antígenos contra veneno de cobras e contra a peste bubônica. Os velhos serpentários seguem como atrações turísticas, mas o instituto ganhou súbita notoriedade depois de começar a produzir a vacina contra a Covid-19.

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