300 alunos sem professor de 1º ciclo nas escolas de Marvila

Duas semanas depois do início do ano letivo, há pelo menos 307 alunos do 1º ciclo que não têm professor em seis escolas da freguesia de Marvila, em Lisboa. Nalgumas turmas, há crianças que estão a ser enviadas para casa porque não há docentes para assegurar as aulas, noticia este sábado o jornal Público.
Na Escola Básica do Condado, faltam três professores em três turmas, num total de 60 alunos, de acordo com os dados divulgados pela Junta de Freguesia de Marvila. Perante a falta de professores de 1º ciclo (o ciclo de ensino mais afetado, sobretudo na região de Lisboa), o agrupamento de escolas sugeriu aos pais que não levassem os filhos para a escola, caso tivessem a possibilidade de ficarem com as crianças em casa.
No entanto, para alguns encarregados de educação essa não é uma opção. Nesses casos, os alunos foram distribuídos por turmas de outros anos.
Contudo, o próprio diretor do Agrupamento de Escolas Luís António Verney, em Marvila, admite que a escola não tem capacidade para integrar noutras turmas todos os alunos que não têm professor, sem ultrapassar o limite máximo de alunos por turma — 30. Por isso, o agrupamento exige aos pais que comprovem estar a trabalhar para que os filhos possam ser recebidos na escola, uma exigência por vezes difícil de cumprir, sobretudo nos casos em que os pais têm trabalhos informais.
O diretor do agrupamento, Valdemar Rente, alerta que a falta de professores em Lisboa é resultado de um problema de falta de atratividade da região, relativamente aos salários pagos. “Não é apelativo vir trabalhar para Lisboa e receber 1100, 1200 euros e pagar um quarto de 800 euros“, defende. Na última semana, surgiram dois professores de 1º ciclo interessados em ingressar no agrupamento, no entanto nenhum acabou por assinar contrato: um deles está legalmente impedido de assumir funções e o outro não aceitou o horário proposto.
Perante a falta de solução para alguns alunos (que não têm aulas, mas também não podem ficar em casa com os pais), e que fazem parte de um grupo de 15 crianças, a Escola Básica do Condado acabou por “organizar uma resposta lúdica” para os alunos, recorrendo a uma pessoa com “formação adequada para dinamizar estas atividades”. “Têm-lhes dado fichas para desenharem”, diz uma mãe ao Público.
O diretor do Agrupamento de Escolas Luís António Verney escreveu uma circular à comunidade escolar na qual adianta que aguarda uma resposta da Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE) sobre a possibilidade de contratar “docentes detentores de licenciatura em ensino e habilitação para a docência noutros grupos de recrutamento”.
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