ESPNProjecting the CFP top 12 after Week 2: How far does Ohio State fall?ESPN DeportesVikings perdieron por lesión a Kyler MurrayRTP Desporto"Traição" de Adzic impõe primeira derrota à Juventusוואלהשר החוץ של עומאן: נדחתה הפגישה האזורית שתוכננה להתקיים בסלאלהThe Jerusalem PostCould Iran’s regime collapse? Inside the Israeli assessment of Tehran’s future - analysisDaily MaverickLOCAL ELECTIONS 2026: Zille is targeting the ANC’s heartland in Joburg, but voters are doubtfulInquirerLotto results: No jackpot winner in Sept. 13 drawsColliderThe 1966 Western Quentin Tarantino Called a "Revelation" Is Officially Streaming for FreeSouth China Morning PostWill Hong Kong’s educators learn from sliding Pisa results?VanguardAfrica must build, finance, own its future — LeadersZDF heuteIran-Krieg und Nahost-Konflikt: Alle Nachrichten im Liveblogسكاي نيوز عربيةالإمارات ومصر تبحثان تطورات الأوضاع في المنطقة
The Daily Newsstand · Free, Always
Sunday, September 13, 2026

Desigualdade climática: abismo de 15ºC separa Morumbi e Paraisópolis no verão em São Paulo

Translate

Em 2020, moradores de uma parte nobre do bairro do Morumbi, em São Paulo, pediram à prefeitura para que fosse construído um muro de três metros de altura para isolar um parque público que estava sendo construído no limite com Paraisópolis, a segunda maior comunidade da cidade.

O pedido foi rejeitado, mas imagens de satélite revelaram que entre essas duas áreas tão diferentes em poder aquisitivo já existe uma fronteira invisível e sufocante: uma diferença de temperatura que pode chegar a 15ºC.

Enquanto nas ruas arborizadas do Morumbi os termômetros em uma tarde do verão 2024/2025 beirava os 30°C, a poucos metros de distância, na comunidade de mais de 58 mil habitantes, a temperatura na superfície atingia até 45°C.

Essa disparidade não é casual. A pesquisa que fez essa medição, do Centro de Estudos da Favela (Cefavela), da Universidade Federal do ABC (UFABC), evidencia que nas 1.359 favelas paulistas, onde vivem 1,72 milhão de pessoas em apenas 4% do território urbano, a temperatura média de superfície supera habitualmente os 40°C na estação mais quente.

Victor Nascimento, um dos pesquisadores deste estudo, contou à EFE que as moradias aglomeradas de concreto, telhas de fibrocimento ou metal e um baixo número de janelas para permitir a ventilação cruzada transformam as casas em “fornos”.

Ele aponta que combater o calor se torna ainda mais difícil pela falta de serviços básicos de água e energia elétrica em muitas moradias, nas quais frequentemente se recorre a ligações clandestinas.

Essa precariedade habitacional se soma aos problemas do planejamento urbano. Segundo o Observatório do Clima, muitas cidades tomam decisões "na contramão da adaptação climática".

A falta de investimento em drenagem pluvial, saneamento ambiental integral e estruturas sustentáveis nas periferias torna frágil a gestão de riscos e deixa as comunidades desprotegidas diante de enchentes, deslizamentos de terra e ondas de calor.

Para a secretária-executiva da Rede de Adaptação Antirracista, Thaynah Gutierrez, o calor extremo nas favelas "aprofunda as desigualdades do racismo ambiental".

Ela detalha que a cidade sofre uma separação entre o que os pesquisadores denominam "zonas de sacrifício" na periferia, desprovidas de árvores e infraestrutura básica, enquanto os bairros de maior nível socioeconômico desfrutam de equilíbrio térmico e vegetação.

"O fato de se ter permitido que as periferias fossem construídas somente com concreto, com o que os moradores tinham à mão para construir suas moradias, fez com que esses espaços se tornassem muito inadequados no contexto da crise climática que estamos enfrentando", disse.

Para Gutierrez, não é viável "continuar com a narrativa" de que "as pessoas nem deveriam ter ocupado esses territórios".

"Depois de 40 anos de ocupação, já é tarde demais para dizer que as pessoas não deveriam viver lá. Agora é responsabilidade das autoridades públicas reconhecer o erro e apoiar para que essas moradias sejam mais resilientes", afirmou.

Por isso, organizações sociais exigem reformas estruturais e investimentos prioritários nos territórios vulneráveis.

Uma das principais demandas é a aplicação da lei federal de 2008 de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social, que garante às famílias de baixa renda o direito à assistência técnica gratuita de arquitetos e engenheiros para projetar, construir, reformar ou regularizar moradias de interesse social.

Isso, entre outras questões, permitiria planejar a reforma de moradias com janelas colocadas estrategicamente, telhados verdes e isolamento térmico, além de incorporar limites térmicos obrigatórios em novos projetos habitacionais.

Os desafios climáticos das periferias estão entre os principais temas discutidos na quarta edição do Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), organizado pela Agência EFE em São Paulo no dia 3 de setembro.

O evento contou com o patrocínio da ApexBrasil e do WWF-Brasil, além do apoio de AYA Earth Partners, Imaflora e Observatório do Clima. EFE

View the original on Exame

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.