Danni Suzuki surpreende ao se aventurar em nova atividade: arquearia montada

Permitir-se começar do zero é um exercício de deslocamento. Foi essa mudança de perspectiva que Danni Suzuki, de 48 anos, encontrou na arquearia montada, modalidade que combina equitação e arco e flecha. Para a atriz, com mais de três décadas de carreira diante e atrás das câmeras, ocupar o lugar de iniciante tornou-se o maior encanto da prática.
"A ideia começou com um desejo muito antigo de ter um cavalo. É uma vontade que me acompanha desde criança e que voltou com força nos últimos tempos. Antes de tomar uma decisão tão grande, achei importante me aproximar desse universo de verdade, entender melhor o animal, os cuidados e a relação que se constrói com ele", explica Danni à Quem.
"A arquearia montada surgiu como uma experiência que reunia várias coisas que me atraem: cavalo, natureza, concentração, movimento e uma prática ancestral. Não foi preparação para personagem nem parte de algum trabalho. Foi simplesmente uma curiosidade pessoal e aquele pensamento: 'Por que não?'. Convidei a Juliana Knust e o Miguel Roncato para viverem isso comigo, e fomos os três ocupar novamente esse lugar tão saudável de quem não sabe e está disposto a aprender", completa.
A condição de principiante se impôs logo nas primeiras tentativas. A prática exigiu coordenar corpo e mente antes de cada disparo. "Existe uma quantidade enorme de elementos acontecendo ao mesmo tempo, desde a postura até o controle da ansiedade. Se no chão já era difícil, quando acrescentamos o movimento da montaria, o desafio ganhou outra dimensão. Em vários momentos pensei: isso é muito mais difícil do que parece. E foi justamente por isso que se tornou tão interessante", afirma.
A transição para a montaria foi feita por etapas, respeitando o tempo de adaptação da égua Amora e acompanhada pelo instrutor Fernando Del Santo e por Luca Valcarcel, bicampeão da modalidade.
"Primeiro, tivemos uma conversa sobre a modalidade, segurança e respiração. Depois começamos com o arco e flecha parados, caminhando e correndo. Só depois fomos para o trabalho com o cavalo. E havia algo muito bonito: a Amora também estava tendo os primeiros contatos com alguns elementos da arquearia. Então, não éramos apenas nós que estávamos aprendendo. O cavalo também precisava ser apresentado ao arco, às flechas, aos sons e aos movimentos. Ninguém simplesmente entrega um arco, coloca você sobre o cavalo e manda correr. Primeiro se constrói técnica, segurança e confiança. Depois se reúne tudo", diz.
Habituada a esportes como o surfe, Danni enfrentou novos desafios técnicos ao tentar conciliar a precisão dos braços com o movimento do animal.
"Tecnicamente, encaixar a flecha no arco foi a minha maior dificuldade. Acertar o movimento, a posição das mãos, a força e o tempo de soltar a flecha exigiu muito mais de mim do que eu esperava. Mas a maior complexidade está em conciliar tudo isso com o cavalo em movimento. O cavalo não é um equipamento, é um ser vivo, com sensibilidade, vontade e tempo próprio. Você precisa estar conectado ao animal, ao seu corpo e ao ambiente", conta.
"A analogia com a vida é muito clara: nós gostamos de imaginar que conseguiremos controlar todas as variáveis, mas quase nunca conseguimos. Podemos nos preparar, desenvolver técnica e definir uma direção, mas também precisamos ajustar a rota e confiar. Força sem sensibilidade não funciona, nem sobre um cavalo, nem na vida", compara.
A mecânica do exercício também exigiu aprender a equilibrar firmeza e flexibilidade no corpo: "Sobre o cavalo, o equilíbrio tem outra lógica. Você precisa acompanhar um movimento que não é produzido pelo seu próprio corpo. Tensão não significa estabilidade. Quando você endurece demais o corpo, perde a capacidade de acompanhar o movimento. É preciso ter força e, simultaneamente, flexibilidade."
Por demandar presença absoluta, a atividade funcionou como uma pausa no ritmo de trabalho. "Quando fazemos algo que já dominamos, o cérebro tende a economizar energia e operar de maneira mais automática. Diante de uma atividade completamente nova, precisamos voltar a prestar atenção em tudo. O cérebro precisa observar, testar, errar, corrigir e criar novas estratégias. Na arquearia montada, não existe espaço para estar mentalmente em outro lugar. Você precisa estar presente no corpo, na respiração, no cavalo, no arco e no ambiente. Isso interrompe o fluxo constante de preocupações. Sair do automático devolve curiosidade à vida", avalia.
Sobre o futuro da prática, a atriz prefere não apressar os passos nem transformar o momento em compromisso rígido. "Não senti que foi apenas uma experiência para marcar como realizada e seguir adiante. Fiquei com vontade de aprender melhor o arco, desenvolver mais segurança sobre o cavalo e compreender essa comunicação entre cavaleiro e animal. Ao mesmo tempo, não quero transformar imediatamente esse interesse em mais uma obrigação na agenda. Quero permitir que ele cresça de maneira orgânica. Tenho um desejo antigo, muito vivo, de ter um cavalo, e isso só aumentou, mas agora vem acompanhado de ainda mais informação e responsabilidade. Antes de qualquer decisão, quero aprender, conviver e entender profundamente o compromisso que isso representa", afirma.
O momento reflete a fase atual da artista. Enquanto expande sua atuação no audiovisual, dividindo-se entre atuar, escrever, apresentar, dirigir e produzir, Danni cumpre uma agenda que inclui o recém-lançamento de (In)Vulneráveis (Universal+), Elevator Pitch Brasil (Record TV) e seu primeiro livro, Humanos do Futuro: Por Que a Revolução Tecnológica Exige uma Revolução Humana, além das gravações de Delegacia de Homicídios (Disney+).
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