Como um jovem de 28 anos conquistou Zuckerberg e virou peça-chave de uma aposta de US$ 130 bilhões
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Alexandr Wang tinha 28 anos quando foi escolhido para comandar a nova estratégia de inteligência artificial da Meta. Cofundador da Scale AI, ele ajudou Zuckerberg a reorganizar a pesquisa da companhia e agora lidera o laboratório responsável pelos modelos Muse.
Em abril de 2025, Alexandr Wang estava em uma reunião de trabalho quando recebeu uma mensagem de Mark Zuckerberg pelo WhatsApp. O fundador do Facebook queria conversar. A ligação durou cerca de 44 minutos e, dois dias depois, Wang enviou um memorando com o que faria se estivesse no lugar do empresário.
Aos 28 anos, o cofundador da Scale AI começava a desenhar uma mudança que o colocaria no centro de uma aposta bilionária. Para este ano, a Meta prevê investimentos de capital entre US$ 130 bilhões e US$ 145 bilhões, destinados à infraestrutura que sustenta sua expansão — incluindo os sistemas de inteligência artificial que Wang agora precisa entregar.
O episódio, reconstituído pelos dois no podcast Cheeky Pint, ajuda a explicar uma contratação que chamou a atenção pelo tamanho da responsabilidade entregue a alguém tão jovem. Hoje com 29 anos, Wang comanda o Meta Superintelligence Labs, laboratório criado para desenvolver os modelos mais avançados da companhia e transformar essa pesquisa em ferramentas usadas no cotidiano.
A aproximação aconteceu quando Zuckerberg estava insatisfeito com o caminho seguido pela sua então família de IA Llama. Para Wang, a resposta passava por reunir uma equipe pequena, com profissionais excepcionais, e dar a ela condições de reconstruir o trabalho. A capacidade de recrutar essas pessoas pesou na escolha.
“Alex é o cara”, disse Zuckerberg ao recordar sua decisão no podcast.
Da Scale AI ao laboratório de Zuckerberg
Nascido em Los Alamos, no Novo México, filho de imigrantes chineses, Wang aprendeu a programar ainda jovem e entrou no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT. Deixou a universidade aos 19 anos e, em 2016, fundou a Scale AI com Lucy Guo. A empresa cresceu fornecendo a outras companhias dados preparados para o treinamento de sistemas de inteligência artificial.
Esse negócio o colocou perto de quem construía a tecnologia que agora precisa desenvolver. A Scale trabalhou com empresas de veículos autônomos, grandes grupos de tecnologia e clientes governamentais. Wang se tornou bilionário aos 24 anos, quando a startup alcançou uma avaliação de US$ 7,3 bilhões, em 2021.
A mudança para a Meta veio acompanhada de uma operação de outra dimensão. Em 2025, a companhia pagou US$ 14,3 bilhões por uma participação de 49% na Scale AI. Wang deixou o comando executivo da startup para assumir o novo trabalho, mantendo um assento no conselho.
O valor da transação não corresponde a uma remuneração pessoal de Wang. O acordo envolveu uma participação na empresa, recursos para o negócio e liquidez para acionistas. Ao anunciar a operação, a Scale afirmou que continuaria independente e nomeou Jason Droege como CEO interino.
O desafio era montar uma equipe antes de entregar um modelo
A escolha de Wang não seguiu o caminho mais óbvio de entregar o laboratório a um pesquisador conhecido por criar modelos de ponta. Ele ainda não havia comandado o treinamento de um desses sistemas. Zuckerberg apostou na experiência do empreendedor para reunir talentos, definir prioridades e mudar de direção quando os resultados exigissem.
Segundo o relato publicado pela Fortune, o núcleo responsável pelos modelos tem menos de 200 pessoas, com um tamanho mais próximo de 100. Esse grupo depende de uma estrutura muito maior de engenharia, infraestrutura e desenvolvimento de produtos da Meta. A concentração de pesquisadores é parte da estratégia; os recursos necessários para sustentar o trabalho continuam espalhados pela companhia.
No podcast, Zuckerberg recordou a incerteza de comprometer somas tão grandes antes de conhecer o resultado dos novos modelos. “Alex, você tem certeza de que isso vai funcionar?”, perguntou, ao recontar uma conversa daquele período.
Muse coloca a aposta à prova
Os resultados mais recentes dessa reorganização apareceram em 12 de outubro, com o anúncio do Muse Wonder e do Muse Wonder Full. Os modelos ampliam a família iniciada com o Muse Spark e foram apresentados pela Meta como ferramentas para agentes capazes de conduzir tarefas pessoais e profissionais.
A empresa destaca recursos para recuperar informações de conversas anteriores, persistir em atividades com várias etapas e trabalhar com programação. O Muse Wonder foi disponibilizado pela Meta Model API e pelo Muse Code, enquanto a versão Full chegou aos assinantes do Muse Code. A integração ao aplicativo Muse foi anunciada para uma etapa posterior, começando pelos assinantes.
É nessa passagem da pesquisa para o uso que a escolha de Wang será testada. A Meta quer que seus sistemas sejam capazes de receber uma tarefa, reunir as informações necessárias e executá-la com confiabilidade. Para o executivo que conquistou Zuckerberg com um memorando, o próximo desafio é fazer com que os produtos conquistem a mesma confiança de quem os utiliza.
Perguntas frequentes
Quem é Alexandr Wang?
É o cofundador da Scale AI e chefe de inteligência artificial da Meta, onde lidera o Meta Superintelligence Labs.
Alexandr Wang tem 28 anos?
Ele tinha 28 anos quando foi recrutado pela Meta, em 2025. Atualmente, tem 29.
Wang recebeu US$ 14,3 bilhões para trabalhar na Meta?
Esse foi o valor da operação pela qual a Meta adquiriu 49% da Scale AI, não uma remuneração pessoal pelo cargo.
O que é o Meta Superintelligence Labs?
É o laboratório da Meta responsável pelo desenvolvimento de modelos avançados de inteligência artificial, incluindo a família Muse.
Quanto a Meta pretende investir em 2026?
A projeção apresentada no balanço do segundo trimestre é de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões em investimentos de capital. O montante abrange a companhia, não apenas o laboratório de Wang.
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