Laticínios aumentam o risco de câncer de próstata? O que mostram os estudos
O consumo de leite e outros laticínios tem sido associado a um risco maior de câncer de próstata em diferentes estudos observacionais. Uma nova pesquisa mostra, porém, que essa relação ainda é pouco conhecida entre os homens. Apenas 20% dos entrevistados disseram saber que pesquisas anteriores encontraram uma associação entre o consumo desses alimentos e a doença.
O levantamento foi realizado pela Morning Consult para o Physicians Committee for Responsible Medicine e ouviu 1.102 homens nos Estados Unidos.
Depois de serem informados sobre a associação encontrada em pesquisas anteriores, 66% afirmaram que provavelmente considerariam evitar laticínios.
O que estudos mostram sobre laticínios e câncer de próstata
A relação entre laticínios e câncer de próstata já foi investigada em diferentes estudos. Uma meta-análise que reuniu 32 pesquisas encontrou evidências de risco mais elevado entre pessoas que consumiam maiores quantidades desses alimentos.
Outro estudo identificou uma associação específica com leite desnatado ou com baixo teor de gordura. Participantes que consumiam pelo menos uma porção por dia apresentaram risco 19% maior de câncer de próstata em comparação com aqueles que raramente bebiam esse tipo de leite.
Em outra pesquisa, 3.612 homens foram acompanhados durante oito a dez anos. Aqueles que consumiam aproximadamente três porções diárias de laticínios com baixo teor de gordura apresentaram mais que o dobro da probabilidade de desenvolver a doença em comparação com participantes que ingeriam menos de uma porção por dia.
Esses resultados apontam associações estatísticas e, isoladamente, não demonstram que os laticínios sejam a causa do câncer.
Leite integral também foi associado à doença
Pesquisadores também investigaram a possível relação entre o consumo de laticínios e a mortalidade por câncer. Uma meta-análise de 11 estudos, com mais de 700 mil participantes, avaliou essa associação.
Entre os homens analisados, aqueles que consumiam mais leite integral apresentaram risco de morte por câncer de próstata até 50% maior em comparação com os que consumiam menos.
A nova pesquisa mostrou que poucos entrevistados haviam recebido orientações sobre alimentação e câncer de próstata. Apenas 20% disseram ter recebido de um profissional de saúde informações sobre a relação entre nutrição e o risco da doença.
Dietas à base de plantas também foram estudadas
Outros trabalhos avaliaram a relação entre padrões alimentares ricos em vegetais e o câncer de próstata. No Adventist Health Study-2, homens que seguiam uma dieta vegana apresentaram risco 35% menor da doença em comparação com participantes que seguiam dietas não vegetarianas, lacto-ovo-vegetarianas, pescovegetarianas ou semivegetarianas.
Os possíveis benefícios também foram investigados entre pacientes que já receberam o diagnóstico. Em um estudo com mais de 2 mil homens com câncer de próstata, aqueles que consumiam mais alimentos de origem vegetal apresentaram risco 56% menor de progressão da doença.
O grupo também registrou risco 59% menor de recorrência em comparação com os participantes que consumiam menos alimentos vegetais.
Novamente, os resultados apresentados são associações observadas nos estudos citados e não significam, por si só, que determinado padrão alimentar previna a doença ou sua progressão.
Câncer de próstata segue entre os mais comuns em homens
O câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens nos Estados Unidos e a segunda causa mais frequente de morte por câncer nesse grupo, segundo dados citados no material.
Para 2026, a Sociedade Americana do Câncer estima 333.830 novos diagnósticos no país. A projeção também aponta 36.320 mortes pela doença ao longo do ano.
Para Noah Praamsma, nutricionista e coordenador de educação nutricional do Physicians Committee for Responsible Medicine, os dados reforçam a necessidade de ampliar as informações oferecidas aos homens sobre alimentação e câncer de próstata.
Entre os participantes da nova pesquisa, 76% afirmaram apoiar rótulos de advertência em produtos lácteos que informassem sobre a associação entre seu consumo e o risco da doença.
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