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Tuesday, October 6, 2026

O Futuro da Educação: dar mais escolha aos jovens

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Recentemente, fui desafiada a refletir sobre o futuro da educação durante o Simpósio Internacional de Mentoria 2026, a convite da Rede Global de Mentores. A experiência levou-me a pensar numa questão simples, mas fundamental: porque continuamos a organizar a escola como se todos os alunos fossem iguais?

Defendemos frequentemente uma educação centrada no aluno, mas a verdade é que continuamos a oferecer percursos muito semelhantes para jovens com interesses, talentos e ambições profundamente diferentes.

Acredito que o futuro da educação passa por uma verdadeira parceria entre famílias, professores e alunos, em que a escola não substitui nem transfere responsabilidades, mas colabora ativamente na construção do projeto de vida de cada jovem. As famílias conhecem os seus filhos melhor do que ninguém. Os professores possuem o conhecimento pedagógico e científico necessário para os orientar. Mas os jovens também devem ter uma palavra a dizer sobre o seu próprio percurso.

Uma das maiores fragilidades da escola atual é ignorar aquilo que desperta a curiosidade dos alunos. E ninguém aprende verdadeiramente sem curiosidade.

Porque é que um aluno tem de passar horas a resolver fichas de Matemática quando a sua grande paixão são os dinossauros, a História ou a Paleontologia? Porque insistimos em obrigar todos a percorrer exatamente o mesmo caminho, ao mesmo ritmo e da mesma forma?

Não defendo uma escola sem exigência. Muito pelo contrário. Todos os alunos devem adquirir competências fundamentais. Saber ler, escrever, comunicar, raciocinar matematicamente e compreender o mundo continua a ser essencial. Mas isso não significa que todos tenham de aprofundar as mesmas áreas com a mesma intensidade.

Talvez devêssemos nos inspirar-nos em algumas características do ensino profissional, onde a organização modular permite maior flexibilidade e uma aprendizagem mais ajustada aos interesses dos alunos.

Imagine-se um modelo em que, durante o 3.º ciclo, os jovens mantinham uma formação comum sólida, mas podiam escolher módulos de aprofundamento em diferentes áreas. Na Matemática, por exemplo, o currículo poderia estar organizado em módulos de Álgebra, Geometria, Cálculo e Dados e Estatística.

Todos os alunos desenvolveriam competências essenciais em cada domínio, mas poderiam aprofundar áreas mais alinhadas com os seus interesses e projetos futuros. Um jovem interessado em engenharia poderia dedicar mais tempo ao Cálculo e à Álgebra. Outro, com vocação para as ciências sociais, economia ou investigação, poderia aprofundar Dados e Estatística. O importante seria permitir escolhas informadas sem comprometer uma base comum de conhecimentos.

O mesmo princípio poderia aplicar-se a muitas outras disciplinas. Um aluno apaixonado por História poderia dedicar mais tempo à investigação histórica, à análise documental ou ao património cultural. Outro, fascinado por dinossauros, poderia explorar áreas ligadas à Paleontologia, Biologia ou Geologia. Em vez de tentarmos encaixar todos os jovens no mesmo molde, poderíamos ajudá-los a descobrir os seus talentos mais cedo e a desenvolver percursos mais motivadores.

Durante demasiado tempo transmitimos a ideia de que existe apenas um caminho de sucesso. Sabemos hoje que isso não corresponde à realidade. A sociedade precisa de profissionais com formações diversificadas, competências técnicas, pensamento crítico, criatividade e capacidade de adaptação.

O futuro da educação não depende apenas da tecnologia, da inteligência artificial ou de novos equipamentos. Depende, sobretudo, da nossa capacidade de reconhecer que os jovens são diferentes e que a escola deve estar ao serviço do seu desenvolvimento, e não da uniformização dos seus percursos.

Uma escola exigente não é uma escola que obriga todos a fazer o mesmo. É uma escola que desafia cada aluno a atingir o melhor de si próprio.

A grande questão já não é saber se os alunos conseguem adaptar-se à escola. A verdadeira questão é saber se a escola terá a coragem de se adaptar aos alunos.

Talvez esteja aí a grande mudança que a educação portuguesa precisa de fazer: menos percursos rígidos, mais escolhas responsáveis e maior confiança na capacidade dos jovens para construírem o seu próprio futuro. Porque ninguém aprende verdadeiramente aquilo que é obrigado a decorar, mas quase todos conseguem realizar coisas extraordinárias quando estudam aquilo que os apaixona.

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