The Daily Newsstand · Free, Always
Friday, September 11, 2026

Insegurança alimentar. El Niño contribui para aumento de 55%

Translate

Uma análise técnica de organizações moçambicanas e internacionais estima que a insegurança alimentar em Moçambique aumentou 55% até março, para 1,84 milhões de pessoas, devido ao conflito no norte, ao El Niño e ao esgotamento das reservas alimentares.

A previsão resulta de uma análise da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), coordenada pelo Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), divulgada esta sexta-feira, que aponta para um agravamento face aos atuais 1,19 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda.

No período projetado, entre outubro de 2026 e março de 2027, tradicionalmente a época de escassez alimentar em Moçambique, cerca de 254 mil pessoas deverão encontrar-se em situação de emergência alimentar (Fase 4), face às atuais 81 mil, enquanto 1,58 milhões estarão em situação de Crise (Fase 3), segundo o relatório.

“Espera-se que o número de pessoas que necessitarão de intervenção urgente aumente para cerca de 1,84 milhões, das quais 254.000 estão na Fase 4 (Emergência)”, refere-se no documento.

Segundo a análise, esta deterioração poderá resultar “do esgotamento das reservas alimentares, do impacto dos conflitos armados na zona norte do país, bem como dos efeitos esperados do fenómeno El Niño nas zonas sul e centro” de Moçambique.

“Prevê-se uma deterioração da insegurança alimentar aguda nos distritos analisados”, acrescenta-se.

A análise abrangeu 46 distritos considerados entre os mais afetados por choques registados entre outubro de 2025 e junho de 2026, incluindo cheias, inundações, efeitos do ciclone Gezani e impactos do conflito armado em Cabo Delgado. Os analistas alertam que a insegurança alimentar deverá agravar-se sobretudo em distritos afetados pelo conflito em Cabo Delgado e partes de Nampula, bem como em zonas áridas e semiáridas do centro e sul do país vulneráveis ao fenómeno climático El Niño.

Na análise refere-se ainda que existe uma probabilidade de 89% de ocorrência do El Niño até janeiro de 2027, cenário associado a precipitação abaixo da média nas regiões sul e centro, temperaturas acima do normal e riscos acrescidos para a produção agrícola.

Além dos fatores climáticos e de segurança, no documento aponta-se para o impacto do aumento dos preços dos combustíveis, da inflação e dos custos de transporte sobre o acesso das famílias aos alimentos. Em maio, os preços do milho no sul do país encontravam-se entre 25% e 60% acima da média dos últimos cinco anos, enquanto os do arroz estavam entre 20% e 40% acima da média histórica.

Destaca-se igualmente que a inflação anual aumentou de 4,4% em abril para 7,5% em junho de 2026, a taxa mais elevada desde maio de 2023.

Na componente nutricional, no relatório estima-se que cerca de 103.617 crianças entre os 6 e os 59 meses de idade e 11.131 mulheres grávidas ou lactantes venham a sofrer de desnutrição aguda nos próximos 12 meses, necessitando de tratamento.

Segundo dados citados no relatório, mais de 27 mil pessoas foram deslocadas entre abril e junho de 2026 devido a ataques de grupos armados em Cabo Delgado, particularmente nos distritos de Ancuabe, Montepuez e Chiúre, situação que continua a dificultar o acesso aos mercados, aos meios de subsistência e à assistência humanitária.

View the original on Observador Desporto

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.