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Friday, September 18, 2026

Astrônomos descobrem planeta mais jovem já identificado, com menos de 1 mi de anos

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Astrônomos confirmaram a existência de Elias 2-24 b, um exoplaneta com menos de 1 milhão de anos que ainda está em processo de formação. Segundo informações divulgadas na última quarta-feira, 16, pela Nasa, este é o planeta mais jovem já identificado atualmente.

Com massa semelhante à de Júpiter, o jovem mundo permanece inserido no disco de gás e poeira que envolve sua estrela. Parte desse material ainda está sendo incorporada pelo planeta.

Além do recorde, Elias 2-24 b chama atenção por ter alcançado esse estágio muito mais rapidamente do que preveem alguns dos modelos utilizados para explicar o nascimento de planetas gigantes. Localizado em um sistema a cerca de 450 anos-luz da Terra, o exoplaneta orbita sua estrela a uma distância equivalente a aproximadamente 55 vezes a separação entre a Terra e o Sol.

Elias 2-24 b desafia modelos de formação de planetas

Estrelas jovens são cercadas por discos de gás e poeira. É nesse ambiente que o material remanescente começa a se aglomerar e, gradualmente, dá origem aos planetas.

No caso de Elias 2-24 b, as observações mostram que esse processo ainda está acontecendo. O exoplaneta continua acumulando matéria do disco protoplanetário e ocupa uma lacuna aberta nessa estrutura.

A idade do planeta surpreendeu os pesquisadores porque os modelos atuais estimam que um corpo com massa semelhante à de Júpiter levaria cerca de 5 milhões de anos para se formar à distância entre Júpiter e o Sol. Em regiões mais afastadas da estrela, o processo deveria demorar ainda mais.

Elias 2-24 b, porém, tem menos de 1 milhão de anos e está muito mais distante de sua estrela. Os recordistas anteriores eram quatro planetas que orbitam PDS 70 e WISPIT 2, todos com mais de 5 milhões de anos.

Segundo Lucas Cieza, professor do Instituto de Estudios Astrofísicos, no Chile, o novo achado indica que os modelos atuais podem ainda não considerar todos os processos envolvidos na formação desses mundos.

Por que planetas jovens são difíceis de encontrar

Observar um planeta durante seus primeiros estágios de desenvolvimento é um desafio porque esses objetos permanecem envolvidos pela poeira dos discos onde estão se formando.

Grande parte dos cerca de 6 mil exoplanetas confirmados foi descoberta pelo método de trânsito, que identifica pequenas reduções no brilho de uma estrela quando um planeta passa à sua frente.

Essa técnica se torna mais difícil quando o objeto ainda está profundamente encoberto ou percorre uma órbita distante. Por isso, a maioria dos exoplanetas conhecidos tem bilhões de anos e está muito mais próxima de sua estrela.

Para procurar mundos escondidos nesses discos, os pesquisadores analisaram observações feitas com um coronógrafo do Observatório W. M. Keck, no Havaí. O instrumento bloqueia parte da intensa luz da estrela e permite observar objetos muito mais tênues ao redor dela.

Como Elias 2-24 b foi descoberto

As primeiras pistas sobre o planeta surgiram há cerca de uma década. Observações do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, identificaram uma lacuna no disco de poeira da jovem estrela.

Depois, o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, detectou um ponto fraco de luz dentro dessa abertura. A localização chamou atenção porque planetas em formação podem abrir caminhos no material que circunda suas estrelas.

Ao combinar as observações e acompanhar seu movimento ao longo do tempo, os astrônomos verificaram que ele se comportava como um planeta associado ao sistema, e não como uma estrela distante ao fundo ou um efeito produzido pelas imagens.

A análise confirmou a existência de Elias 2-24 b e resolveu uma questão que permanecia aberta desde as primeiras observações do sistema.

Telescópio Roman pode ampliar busca por exoplanetas jovens

Elias 2-24 b está próximo do limite do que os telescópios atuais conseguem detectar. Novos instrumentos poderão revelar planetas em formação que hoje permanecem escondidos. Entre eles está o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, equipado com um coronógrafo mais avançado. A tecnologia foi desenvolvida para identificar mundos difíceis de observar por causa do intenso brilho de suas estrelas.

Segundo Andrea Bernardi, doutoranda da Universidad Diego Portales, no Chile, a confirmação de Elias 2-24 b só foi possível pela combinação de dados de diferentes telescópios. A pesquisadora avalia que instrumentos mais avançados devem facilitar esse tipo de detecção.

O Roman poderá utilizar uma técnica semelhante para procurar planetas em órbitas menores, inclusive mundos comparáveis a Júpiter que atualmente ficam encobertos pela luz estelar. Elias 2-24 b, por comparação, está cerca de dez vezes mais distante de sua estrela do que Júpiter está do Sol.

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