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Friday, October 16, 2026

Primeiro exame de sangue para Alzheimer chega ao Brasil; veja preço e quem pode fazer

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O primeiro exame de sangue para Alzheimer com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começou a ser oferecido no Brasil na última quinta-feira, 15. O teste permite identificar alterações biológicas associadas à doença por meio de uma coleta de sangue, sem a necessidade inicial de procedimentos mais invasivos.

A tecnologia está disponível no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, na rede privada, de acordo com comunicado divulgado pela instituição. O teste utiliza a plataforma Lumipulse, da fabricante Fujirebio, e mede a concentração da proteína p-tau217, um biomarcador associado às alterações cerebrais características da doença de Alzheimer.

Seu desempenho foi avaliado em um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine, com dados de 1.767 participantes de três países europeus.

Como funciona o exame de sangue para Alzheimer?

O exame mede a quantidade de p-tau217, uma forma modificada da proteína tau que pode ser detectada no sangue. Níveis elevados desse biomarcador estão associados ao acúmulo de beta-amiloide no cérebro, uma das principais características biológicas da doença de Alzheimer.

A análise não identifica diretamente a demência tampouco determina, sozinha, a causa dos sintomas. Seu objetivo é fornecer informações que auxiliem o médico durante a investigação diagnóstica.

Atualmente, a confirmação dessas alterações pode envolver exames como a tomografia por emissão de pósitrons (PET amiloide) e a análise do líquido cefalorraquidiano, coletado por punção lombar.

O exame sanguíneo oferece uma alternativa menos invasiva e potencialmente mais acessível para parte dos pacientes.

Quem pode fazer o teste?

De acordo com a indicação do produto, o exame é destinado a pessoas com mais de 50 anos que apresentam sintomas de comprometimento cognitivo e estão em investigação médica para Alzheimer.

Entre os sinais que podem justificar uma avaliação estão dificuldades persistentes de memória e mudanças em outras funções cognitivas. A indicação depende de uma consulta e de testes clínicos que identifiquem possíveis sinais de comprometimento.

O exame não é recomendado como rastreamento de pessoas sem sintomas. Isso porque um resultado positivo, isoladamente, não permite determinar se a pessoa desenvolverá demência no futuro. Também não há evidências suficientes para interpretar os resultados em indivíduos com menos de 50 anos.

Qual é a precisão do exame?

O estudo avaliou o desempenho da plataforma Lumipulse em 1.767 pessoas com sintomas cognitivos atendidas na Suécia, Espanha e Itália. Os pesquisadores compararam os resultados do exame de sangue com os obtidos pela análise do líquido cefalorraquidiano.

Com um único ponto de corte, a concordância entre os métodos ficou entre 89% e 91% nos serviços especializados. Quando foram utilizados dois pontos de corte, a concordância aumentou para 92% a 94%. Nesse modelo, porém, entre 12% e 17% dos participantes receberam resultados inconclusivos.

O teste pode apresentar três classificações: positivo, negativo ou inconclusivo. Nos casos sem resultado definido, o médico pode solicitar exames complementares, como PET amiloide ou análise do líquor.

Mesmo quando o resultado é positivo, o diagnóstico depende da avaliação clínica e da análise conjunta de outros exames.

Quanto custa e onde está disponível?

O exame com registro na Anvisa passou a ser oferecido pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), com preço estimado em R$ 3 mil, segundo informações do g1. A agência regularizou a família de produtos Lumipulse G pTau 217 Plasma em 17 de agosto deste ano.

Embora seja o primeiro teste sanguíneo desse biomarcador com registro na Anvisa, outras iniciativas já realizavam análises semelhantes no Brasil. Uma delas é o exame oferecido pelo laboratório Richet em parceria com o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), que utiliza a tecnologia SIMOA e custa aproximadamente R$ 1,8 mil.

Nesse caso, a oferta ocorre em parceria com o centro de pesquisa, enquanto o processo de regularização comercial segue em andamento.

O exame está disponível no SUS?

Por enquanto, o novo teste não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério da Saúde, ainda não foi apresentado à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um pedido de avaliação para incorporar o exame de p-tau217 à rede pública.

Para que isso aconteça, a tecnologia precisa passar por análises de eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário. Também não há previsão oficial para que o teste seja oferecido pelo SUS.

Atualmente, a investigação do Alzheimer na rede pública envolve avaliação clínica, testes cognitivos e exames complementares, conforme a necessidade de cada paciente.

A chegada do exame sanguíneo representa uma nova possibilidade para a investigação da doença, mas não substitui a avaliação médica nem deve ser utilizada isoladamente para confirmar o diagnóstico.

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